“Assalto ao Poder” ganha o Prêmio Jabuti 2011

Autor recebe o prêmio na Sala São Paulo

“Assalto ao Poder”, último livro da minha trilogia sobre violência urbana e crime organizado no Brasil, foi agraciado com o Prêmio Jabuti 2011. Ficou em segundo lugar na classificação geral da categoria reportagem, logo atrás de “1822”, de Laurentino Gomes. Esse ano, mais de duas mil obras disputaram o Jabuti. Trata-se da maior premiação literária do país, que consagrou Ferreira Gullar e Laurentino Gomes como autores do ano.

Essa foi a segunda vez que mereci o prêmio (a primeira, em 1994), mesmo escrevendo sobre tema tão áspero. O Jabuti 2011 – certamente – estimula a prosseguir.

O trofeu na categoria "Reportagem"

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Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu: duro golpe no tráfico

 

Antônio Bonfim, o Nem

 

O Governo do Rio acertou um golpe mortal no tráfico ao ocupar as favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu. A operação, envolvendo cerca de 1.500 policiais, com helicópteros do Exército e blindados da Marinha, foi realizada sem um único tiro. Uma das principais – senão a principal – estrutura da venda de drogas foi desmontada. O negócio, avaliado em 100 milhões de reais por ano, era controlado pelo Terceiro Comando e pela ADA, organizações criminosas rivais do Comando Vermelho, responsáveis por cerca de 40% do movimento no Grande Rio. A instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), com 700 homens nas três comunidades, pretende consolidar a retomada dos territórios controlados pelo tráfico há mais de 30 anos.

Os traficantes cometeram o erro primário de esperar até o último momento para abandonar as favelas, quando todos os acessos já estavam cercados pela tropa de choque da PM. O líder dos criminosos, integrante do núcleo dirigente das organizações, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi apanhado dentro do porta-malas de um carro. Outro erro: o automóvel de luxo chamou a atenção da polícia ao deixar a Rocinha à noite. Nem estava acompanhado de dois advogados e um sujeito que se apresentou aos policiais como diplomata da República do Congo. No interior do porta-malas, desarmado, Nem carregada enorme quantia em dinheiro vivo. Os jornais chegaram a falar que era um milhão de reais, além de dólares e euros. Caíram também os dois gerentes das bocas-de-fumo da Rocinha e o chefe da segurança, um ex-PM, e mais 11 supostos traficantes.

Poucos dias depois da ocupação das favelas, Nem e seus três comparsas já estavam recolhidos ao presídio federal de segurança máxima em Mato Grosso do Sul. Celas individuais, uma hora de banho de sol por dia, três refeições e nenhum contato com o exterior. Tranca dura! Ao que consta, é impossível fugir de lá. Na Rocinha e no Vidigal, a polícia apreendeu enorme quantidade de drogas, principalmente maconha, 70 fuzis e armas menores, explosivos e granadas. Um laboratório de refino de cocaína foi descoberto e uma prensa de mais de uma tonelada teve que ser retirada da favela por meio de um poderoso helicóptero. Como os bandidos conseguiram levar a máquina, que fabricava tijolos de maconha, até o alto do morro?

A ocupação da Rocinha, do Vidigal e da Chácara do Céu deu vida nova ao projeto das UPPs. Não vai acabar com o tráfico, certamente, nem mesmo nas áreas ocupadas, mas produzir resultado extraordinário na opinião pública nacional e na vida dos moradores, que festejaram. Rompeu-se o pacto de silêncio: a população colaborou com a polícia (mais de mil ligações para o Disque-Denúncia), o que levou à prisão da “noiva” do Nem, conhecida como “xerife da Rocinha”, e do principal líder comunitário da favela. Uma moradora entregou às autoridades cenas gravadas, por celular, onde aparece o tal líder negociando um fuzil AK-74 russo (a mais nova versão) com o chefe do tráfico. Esse homem trabalhava como assessor parlamentar de uma vereadora do PSDB. Seu cúmplice na venda da arma, avaliada em 50 mil reais, era funcionário da Assembleia Legislativa.

A cidade do Rio de Janeiro, especialmente os moradores das zonas sul e oeste, respiram aliviados. Só que o tráfico, que já estava de mudança para o asfalto, vai intensificar a busca por meios alternativos de continuar operando. Mas o baque foi forte!

 

A "xerife da Rocinha"

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PF usa “avião fantasma” na Copa e nas Olimpiadas

O "avião fantasma"

A Polícia Federal vai utilizar o avião não tripulado Heron 1 (da categoria “Predator”, fabricado em Israel) para proteger os jogos da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O brinquedinho eletrônico, uma das mais modernas armas de espionagem militar, com a infraestrutura necessária, custa cerca de US 27 milhões cada um. Ao todo, a Polícia Federal pretende comprar 12 dessas aeronaves, no valor de US 324 milhões. No Brasil, o “avião fantasma”, cuja presença não é percebida a olho nu e dificilmente captado por radares, foi batizado de Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado). Tornou-se arma importantíssima nas operações militares dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão. Tanto como observador do movimento dos inimigos, quanto de ataque, porque dispõe de canhões e mísseis.

Na semana passada, a PF testou um dos Vants na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina. No primeiro voo, o espião localizou três rotas clandestinas de contrabando de armas e drogas. Aviões Super Tucanos, da FAB, destruíram pistas ilegais orientados pelo “olho eletrônico”. As pistas do narcotráfico foram destruídas por bombas de profundidade Paveway, orientadas por laser, que abrem crateras de até 15 metros de profundidade, inviabilizando a sua utilização por muito tempo. A compra dos aviões espiões é extremamente importante para a segurança nacional – e pode fazer diferença na luta contra o crime organizado em nossas fronteiras.

Um grupo de oito pilotos da Polícia Federal. com supervisão de técnicos israelenses, está sendo treinado para utilizar os Vants também em áreas urbanas, com vistas à proteção dos jogos da Copa e das Olimpíadas. O objetivo é prevenir atos terroristas, acompanhar delegações estrangeiras chamadas de “sensíveis” (Estados Unidos, Israel etc) e monitorar ações do narcotráfico, principalmente no Rio de Janeiro.

Os Vants conseguem filmar em detalhes cenas que ocorrem a 40 quilômetros de distância da proa do avião, transmitindo as imagens, ao vivo, para um centro de controle em Brasília. Podem voar a 15 mil pés de altura (aproximadamente 5.000 metros), mas costumam trafegar a 7.500 pés (ou 2.500 metros de altura) sem serem percebidos. O controle dos aparelhos é semelhante a um vídeo game, por meio de monitores de alta definição e joystick. É mesmo um joguinho de guerra.

A nova ferramenta pode se transformar numa arma decisiva contra o crime. Pode ficar 37 horas no ar sem reabastecimento – e pode monitorar um complexo de favelas ou rodovias sem chamar atenção.

Uma arma decisiva

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“Guerra ao Terror” aumenta a produção de drogas

Papoula, a flor do ópio

Uma década após os atentados contra as Torres Gêmeas, em Nova Iorque, e o Pentágono, em Washington, os Estados Unidos e a OTAN travam uma guerra brutal no Iraque e no Afeganistão, que já consumiu algo em torno de 1 trilhão de dólares. Entre as forças da coalizão ocidental, seis mil combatentes já morreram, duas vezes mais do que os mortos
nos atentados da Al Qaeda. Entre os civis, o número de vítimas é desconhecido,
porque a mídia não cuida desse assunto com grande interesse. Estima-se que no
Iraque morreram 90 mil civis. No Afeganistão, ninguém sabe. A força militar
ocidental derrubou o governo do ditador iraquiano Saddan Hussein (mais tarde
executado por enforcamento) e do Mulá Omar, fundador e líder do Taleban, o
grupo radical islâmico que assumiu o poder após a derrota russa no Afeganistão,
por meio de uma guerra civil impiedosa.

Oitenta e cinco por cento da população afegã vivem no interior do país, num regime tribal que remonta à Idade Média e que praticamente desconhece qualquer forma
de governo. São lavradores de pequeno porte e pastores, mas que desde eras
remotas possuem milícias armadas para conter invasores estrangeiros e tribos
rivais. Os chefes desses clãs são chamados “senhores da guerra”. Estão em luta
permanente há séculos. São plantadores de papoula, cuja pasta de sementes (“o
leite da flor”, como dizem ironicamente) serve de matéria-prima para o ópio e a
heroína. Nem a presença maciça de forças militares impediu a expansão do
negócio das drogas. Quase dez anos depois da invasão, um relatório da ONU, de
abril de 2010, informava que as áreas plantadas com papoulas e maconha já tinham
atingido metade de todo o território afegão.

O Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em seu relatório,
confirmava que até 24 mil hectares de maconha são plantados por ano no Afeganistão.
O diretor-executivo do órgão da ONU, Antônio Maria Costa, declarou que os
incríveis rendimentos da maconha também fazem do Afeganistão o maior produtor
do mundo em haxixe, estimando a produção em até 3.500 toneladas por ano. Com
preços baixíssimos, as folhas de maconha em estado bruto são vendidas por US$
3.900 o hectare plantado. O “leite da flor” (pasta da papoula) vale apenas US$
3.600 por hectare. Apesar de que esse dinheiro é uma fortuna no Afeganistão, no
mercado consumidor ocidental o produto processado pode custar mil vezes mais.

No livro “Onde os Homens Conquistam a Honra” (Companhia das Letras, 2009), o escritor norte-americano Jon Krakauer, que acompanhou um pelotão de Rangers do exército americano no Afeganistão, descreve a passagem de um comboio militar por uma
plantação de ópio que se estendia por dezenas de quilômetros, para quem
quisesse ver. Na verdade, os afegãos plantam maconha e papoulas até nos
quintais e nos terraços das casas. Provavelmente, é a maior feira livre de
drogas a céu aberto em todo o mundo. E por que as forças aliadas não combateram
o tráfico? Por uma razão muito simples: nos anos 1980, os russos travaram uma
guerra de nove anos no Afeganistão, ao custo de mais de 350 mil baixas (entre
mortos e feridos), deixando um milhão de vítimas afegãs nos campos de batalha,
tendo enfrentado ao mesmo tempo todos os clãs.

Os soviéticos eram contra o tráfico de drogas – e, curiosamente, a liderança islâmica também. Atacando todos os grupos, os russos unificaram o inimigo. Sabendo disso, os
americanos decidiram atrair os plantadores de drogas e traficantes para o seu
lado, fechando os olhos ao comércio maldito e arregimentando os clãs envolvidos
com os entorpecentes. Assim, dividiam os inimigos e isolavam o Taleban. Durante
a guerra russo-afegã, milhares de soldados do Exército Vermelho se viciaram.
Com tamanha oferta de maconha, haxixe, ópio e heroína, o mesmo acontece agora
com os militares ocidentais.

Soldados do Taleban

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“Faxina” de Beltrame derruba comando da PM

O Secretário Beltrame

A política de “tolerância zero” do Secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, derrubou o comandante-geral da Polícia Militar. A gota-dágua foi a prisão de um
tenente-coronel, Cláudio Luís de Oliveira, comandante de batalhão, acusado de
ser o mandante do assassinato da juíza criminal Patrícia Acioli, fuzilada com
21 tiros de pistola na madrugada do dia 12 de agosto, na região metropolitana
do Rio. Outros PMs, comandados pelo coronel Cláudio, também foram detidos. Os
policiais militares são acusados de homicídios, extorsão, formação de quadrilha
e coisas mais. A juíza, tida como linha dura e incorruptível, havia condenado
60 policiais e emitira mandado de prisão contra mais oito, justo no dia em que
foi emboscada.

Na tarde de 11 de agosto, a juíza Patrícia Acioli cancelou todos os seus compromissos para
entrevistar uma testemunha de crimes de um grupo de extermínio. A conversa se
estendeu até a meia-noite. Quando chegava em casa, por volta da uma da
madrugada do dia 12, a magistrada foi covardemente atacada. Sequer teve
oportunidade de sair de dentro do carro atingido por tantos tiros de calibre
P40 e 9mm. Mais tarde, a perícia descobriu que as capsulas de P40 pertenciam a
um lote de munição utilizado pelo 7º. Batalhão da PM, de São Gonçalo, na área de
atuação da juíza Patrícia Acioli. Tomados pelo sentimento de impunidade, os
assassinos nem pensaram em disfarçar a munição usada no crime, assim como
também não recolheram as capsulas.

Além da morte da magistrada, envolvendo agentes da lei, 84 policiais e militares das UPPs já foram afastados por abusos e corrupção. Resultado: o secretário Beltrame
aceitou o pedido de exoneração do tenente-coronel Mário Sérgio Duarte
(conhecido na corporação como “Caveira 37”) e nomeou o novo comandante, Erir
Ribeiro Costa Filho, que já esteve à frente do Batalhão de Choque, mas que
ultimamente ocupava funções internas na PM. Logo após assumir, o coronel Emir
afastou outros sete oficiais comandantes.

Parece que MC Beltrame ainda vai ter muito trabalho pela frente.

A juíza Patrícia Acioli

A cena do crime

 

 

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“Assalto ao Poder” finalista do Jabuti 2011

O livro, lançado em julhho de 2010

“Assalto ao Poder”, terceiro volume da minha trilogia sobre
violência urbana e crime organizado, chega aos finalistas do
prêmio Jabuti 2011, escolhido entre quase três mil obras 
inscritas. Pelos votos dos jurados, ficou em terceiro lugar
entre
dez classificados na categoria “Reportagem”. Os três
primeiros
disputam a final em 29 categorias.
A decisão é em outubro, mas estar entre os finalistas do
mais importante prêmio literário do país é – apenas por isso –
um
reconhecimento aos autores.
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Band mostra “tribunal do tráfico” em ação

O programa Brasil Urgente, da Band, mostrou, na última segunda-feira (19 de setembro) cenas terríveis do tráfico punindo moradores de uma favela da zona norte do Rio, acusados de colaborar com a polícia. Eram três mulheres, uma delas grávida. São imagens muito fortes, que não recomendamos para pessoas sensíveis. Acompanhe a reportagem de Mônica Puga.

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