Salvatore Cacciola está livre

O ex-banqueiro devolvido ao Brsil

O ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, 67 anos, ítalo-brasileiro, único do gênero a cumprir pena de prisão em regime fechado, acaba de ser beneficiado com liberdade condicional. Condenado a 14 anos de prisão por gestão fraudulenta à frente do banco Marka, crimes contra o sistema financeiro e desvio de dinheiro público, Cacciola ficou três
anos e 11 meses encarcerado em Bangu 5, presídio de segurança média no Rio de
Janeiro, cenário de suas falcatruas, onde conviveu com bandidos notórios. Foi
um preso de bom comportamento, com exceção de dois deslizes (agrediu
verbalmente agentes penitenciários), que lhe renderam 45 dias de “cela surda” –
a solitária.

Cacciola fez amizades atrás das grades.  Melhorou muito a comida na cadeia, onde houve apreensão de um prato de lagosta ao Termidor, entregue na portaria. O advogado do banqueiro disse que seu cliente não tinha nada a ver com isso e que, inclusive, tinha alergia a frutos do mar. Bandalheiras à parte, Salvatore Cacciola pelo menos cumpriu um pedaço da pena e está legalmente livre. Pelos próximos dez anos, deverá morar no Rio de Janeiro, apresentar-se mensalmente ao tribunal e não deixar o país.

Quando foi preso pela primeira vez, em 2000, Cacciola obteve um habeas corpus do Supremo Tribunal para responder ao processo em liberdade. Fugiu no mesmo dia. Foi de carro até Paraty, dormiu num iate que ficava na marina da cidade e partiu
no dia seguinte para o Paraguai. Voou de Assunção para Montevideo e Buenos
Aires. Da capital argentina, sem ser incomodado por ninguém, seguiu para Roma.
Cidadão italiano, Salvatore foi protegido pela justiça do país, que se recusou
a extraditá-lo. Em 15 de setembro de 2007, cometeu um erro: resolveu passar o fim de semana com a namorada no Principado de Mônaco, pequeno país vizinho da Itália, mas que tem leis próprias. Ao desembarcar no aeroporto de Mônaco, foi preso com base em um mandado da Interpol. Depois de passa alguns meses em um presídio medieval com vista para o mar, foi despachado para cumprir sua sentença no Brasil. O prejuízo provocado
por ele aos cofres públicos, foi de 1,5 bilhão de reais.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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2 respostas para Salvatore Cacciola está livre

  1. ricardo melo disse:

    a referência que vc faz à lagosta só revela o seu preconceito de classe ( contra os condenados ricos, no caso ) : o problema não é a lagosta termidor em si, pois emBangu 8, onde estava o banqueiro, se levada em dia de visita – preparada, no caso ( ao termidor ) – então atende melhor ainda ao pedido do presídio, porque produtos já preprados facilitam e agilizam a revista. O importrante é que a lagosta não venha numa quantidade maior do que 3 kilos, que é o limite de certos presídios, para a comida não estragar e intoxicar os presos. O problema da referida lagosta do Cacciola foi que ela veio fora do dia de visita, o que pressupõe que alguém recebeu dinheiro para colocá-la para dentro. A bandalheira é essa, e valeria se fosse também uma buxada de bode. Fora isso lagosta póoooode, caro jornalista.

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