Três dias de terror em Paris: 20 mortos e 15 feridos a bala. Al Qaeda e o ISIS comemoram ação conjunta. Episódio revela desencontro dos órgãos ocidentais de inteligência.

ataques em paris 05

A sexta-feira (9 jan) termina em Paris com um saldo trágico de três dias de ataques terroristas. Na manhã de quarta-feira, os irmãos Cherif e Said Kouachi, franco-argelinos, treinados e financiados pela facção da Al Qaeda no Iemen, atacaram o jornal “Charlie Hebdo”, matando 12 e ferindo 10 pessoas. Ao mesmo tempo, dois outros terroristas (o casal Amédy Coulibaly e Hayat Boumedienne, ambos franceses, ligados ao ISIS) tentavam invadir uma escola judaica no centro da capital francesa e foram impedidos por uma guarda municipal, que morreu no enfrentamento. Uma pessoa que passava levou um tiro na perna. Os quatro terroristas conseguiram se esconder, até reaparecer na manhã da sexta-feira.

Os irmãos da Al Qaeda foram cercados numa pequena cidade a quarenta quilômetros da capital. Amédy e Hayat atacaram um mercado na área central de Paris, especializado em comida judaica. Fizeram 15 reféns. O cerco policial e militar, envolvendo milhares de homens, blindados e helicópteros, durou várias horas. Mas não impediu que os terroristas dessem entrevistas por celular para emissoras de rádio e televisão. Amédy chegou a dizer que era filiado ao ISIS e que coordenava as operações. Ao entardecer, as forças de segurança invadiram os dois locais: três dos terroristas morreram, mas a ação também custou a vida de quatro reféns no mercadinho. A mulher envolvida nos ataques, Hayat, não foi encontrada. A soma do desastre: 20 mortos, incluindo os radicais islâmicos, e 15 feridos, 10 dos quais em estado grave.

O que mais espanta em todo esse episódio é que os três terroristas mortos eram conhecidos da polícia, haviam cumprido pena de prisão e eram considerados perigosos. A inteligência francesa achava melhor deixar essas pessoas soltas para poder segui-las e descobrir as suas conexões. Parece que os agentes perderam alguns detalhes, certo? No inicio da noite de hoje, o Departamento de Estado dos Estados Unidos declarou que a CIA conhecia a identidade desses homens envolvidos nos ataques em Paris. Eles eram considerados perigosos e estavam proibidos de entrar em aviões americanos ou no país. Mas a lista da CIA era considerada secreta. Ou seja: de que vale uma lista secreta de terroristas, cujo conteúdo não é compartilhado com outras agências e países?

O resultado está aí, diante dos olhos do mundo.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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