Polícia Federal prende chefão da máfia italiana em Recife. E cria um novo problema diplomático para o Brasil.

Pasquale Scotti, chefão da máfia de Nápoles.

Pasquale Scotti, chefão da máfia de Nápoles.

Às sete da manhã desta terça-feira (26 maio), quando levava seus dois filhos à escola, uma equipe da Polícia Federal prendeu em Recife (PE) um dos criminosos mais procurados do mundo. Pasquale Scotti, 56 anos, vivia clandestinamente no Brasil desde 1986. Mesmo muito jovem, pouco mais de 20 anos, comandava um grupo paramilitar da “Nova Camorra Organizada” (NCO), uma das cinco principais facções criminosas da máfia italiana. Por aqui, em terras tupiniquins, usava o nome falso de Francisco de Castro Visconti. Havia sido preso na Itália em 1984, mas fugiu cerca de um ano depois. Estava condenado à prisão perpétua por 26 assassinatos relacionados com as atividades da “Camorra”, a máfia de Nápoles.

No Recife, usando dinheiro sujo da organização, o jovem chefão, descendente de uma família de mafiosos tradicionais na Itália, se iniciou em negócios imobiliários e chegou a instalar uma fábrica de fogos de artifício. Confirma a lenda de que o Brasil, desde os nazistas como Josef Mengele, é refúgio seguro para criminosos internacionais. Em Pernambuco, casou-se com uma garota de 18 anos, daquelas belíssimas morenas nordestinas. Com ela, teve dois filhos, os mesmos que levava para a escola quando foi apanhado pelos federais.

Documentos falsos de Pasquale.

Documentos falsos de Pasquale.

As autoridades italianas dizem que a prisão foi resultado da ação de seus próprios policiais, com auxílio da “valiosa” Polícia Federal brasileira e da Interpol. Foi mais ou menos assim que o Ministro do Interior da Itália, Angelino Alfano, em entrevista coletiva, hoje, disse à imprensa mundial. Ou seja: chamou para si o resultado: “A caça aos fugitivos ultrapassa a fronteira do nosso país”. E é justamente aí que começa o problema diplomático.

O chefão da “Camorra”, capturado no Recife, casou-se com uma brasileira e teve dois filhos legítimos. Com base nas leis do Patropi, não pode ser extraditado. Situação semelhante ocorreu com Ronald Biggs, um assaltante inglês, que passou a vida toda no Brasil, impune. Só voltou à Inglaterra, em dezembro de 2013, por vontade própria, para morrer de câncer em seu próprio país. Biggs casou-se com a brasileira Raimunda e teve um filho, nacional legítimo. Por isso, nunca foi extraditado.

Pasquale, quando chegou ao Brasil .

Pasquale, quando chegou ao Brasil .

A mesma coisa vai acontecer com Pasquale Scotti, ou Francisco de Castro, se você preferir o nome falso. A Constituição do país proíbe a extradição dele. Justamente no momento em que discutimos com a Itália a volta de Enrico Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil, condenado no “mensalão”, para cumprir pena de 12 anos no Brasil. O mesmo ministro italiano do Interior, que comemorou a prisão do chefão da “Camorra”, é aquele que mandou Pizzolato de volta ao Brasil. E agora? Vamos dizer que não podemos mandar o mafioso de volta? E como fazemos com Pizzolato?

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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