Polícia Federal pede a prisão preventiva de Palocci a dois dias das eleições. É mais um duro golpe no PT. O partido deve sofrer, neste domingo, a maior derrota eleitoral da sua história.  

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Um país apático vê as eleições municipais.

A Polícia Federal encaminhou, na noite da última quinta-feira (29 set), um pedido ao juiz Sérgio Moro para transformar a prisão provisória do ex-ministro Antônio Palocci em preventiva. Ou seja: sem prazo determinado. A dois dias das eleições, o delegado federal Filipe Pace informou ao xerife da Lava-Jato que obteve novas provas contra o petista. Palocci, agora réu, virou o coordenador do maior escândalo de corrupção já investigado no país. Antes, a mesma PF já afirmara que o coordenador era José Dirceu, condenado a longas penas, sob o comando supremo de Lula. Agora, Palocci assume a liderança, na opinião do policial. Sérgio Moro – arrisco dizer – pode aceitar o pedido. É mais um forte golpe no PT, na antevéspera das eleições municipais.

                                   O PT, que já apanhou tanto, mesmo com a tímida reação de Fernando Haddad, em São Paulo, parece que vai naufragar na votação de domingo. Está bem cotado apenas em duas capitais da região norte do país, lá bem longe. Haddad é neste momento o cavalo de batalha do partido, lutando para chegar a um pouco provável segundo turno com João Dória, do PSDB. Dória, por sua vez, faz marketing de campanha dizendo que não é político, apenas um gestor, como se isso fosse possível para um candidato à Prefeitura da maior cidade brasileira. Se o petista Haddad chegar ao segundo turno, com votos dos desfavorecidos, das mulheres e da juventude, pode vencer. Mas, falando francamente, é quase impossível. Se o fato se der, queimo a minha língua.

                                   Dória também é um problema para o PSDB. Se vencer, fortalece a posição do governador Geraldo Alkmin à campanha presidencial de 2018, prejudicando o nosso já conhecido Aécio Neves. Há entre os tucanos paulistas um pequeno desentendimento em relação a Andréa Matarazzo, vice na chapa de Marta Suplicy (PMDB-SP), que rompeu com o partido, foi para o PSD e arrastou muitos apoiadores. O tucanato não tem em Dória um candidato de consenso. Pode até ganhar, mas vai dividir o partido.

                                   No campo petista, a coisa é mais grave. O Partido dos Trabalhadores, surgido no movimento sindical, disputava eleições para vereador e pequenas prefeituras. Foi crescendo e se transformou na maior agremiação política popular, com inclinações socialistas. Fez o presidente da República, um líder metalúrgico nordestino, adotado paulista. Lula ergueu a bandeira do combate à fome e à pobreza. Foi saudado em todo o mundo. Mas mergulhou no mar de lama da política parlamentar, uma chusma de larápios e oportunistas. Primeiro, foi massacrado no “mensalão”, apesar de que Lula se reelegeu. Depois, foi massacrado no “petrolão”, que custou o mandato de Dilma Rousseff, já esquecida até pelo PT. Agora, amarga o pior desempenho eleitoral de sua história.

                                   Esse partido de trabalhadores, que abandonou o movimento trabalhista ao chegar ao governo, precisa repensar a sua trajetória. Salvo chuva e salvo engano, pode até acabar, fragmentando-se em várias “igrejinhas”, irrelevantes do ponto de vista político. Ou: salvar Lula das acusações de corrupção e vencer em 2018. É a única saída! Será?  

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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2 respostas para Polícia Federal pede a prisão preventiva de Palocci a dois dias das eleições. É mais um duro golpe no PT. O partido deve sofrer, neste domingo, a maior derrota eleitoral da sua história.  

  1. Silvia Mary disse:

    quem está naufragando não é o partido PT e sim os brasileiros , principalmente , os mais pobres , que ficarão mais pobres ainda,. E apoiam os golpistas, pois não sabem o que os espera.

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