Massacre no Espírito Santo chega a 147 mortos. Planalto diz que não teve culpa. E a crise continua, apesar da presença das forças federais.

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O Exército em ação nas ruas de Vitória. Foto Agência Brasil.

                                    A semana começa com a inacreditável contagem de mortos no Espírito Santo, em razão de 9 dias de rebelião da Polícia Militar. Por incrível que possa parecer, a revolta ainda não foi completamente controlada. O Planalto diz que não teve culpa e que ofereceu toda a ajuda necessária. O governo central mandou tanques e soldados, mas não se viu uma reação institucional vigorosa. O presidente Temer, sete dias após o início dos conflitos, divulgou uma nota tímida. E foi só. Como se estivesse cumprindo uma obrigação apenas protocolar. Ao se iniciar a violência, o Ministro da Defesa estava em Portugal. O Ministro da Justiça estava licenciado, fazendo campanha política para assumir uma vaga no Supremo Tribunal.

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Moradores saem às ruas de Vitória em busca de paz. Foto Agência Brasil.

                                   Como sempre, o Planalto fez de conta que a guerra urbana brasileira é um problema de governadores e prefeitos. Lavou as mãos. As tropas foram enviadas – e pronto! Aparentemente, a situação está melhorando e logo será esquecida. Vai continuar faltando uma política séria de combate à violência. Mas isso pode ficar para o próximo governo. Ou não?

                                   A Polícia Federal suspeita que parte considerável das vítimas da matança no Espírito Santo pode ser consequência da ação de grupos de extermínio formados por PMs, que aproveitaram a confusão. Outra parte dos mortos seria por causa de brigas de quadrilhas ligadas ao narcotráfico. E o Exército matou um rapaz de 17 anos com um tiro de 7.62mm. O corpo ficou caído na rua, a 100 metros da casa dele. Segundo a família, o rapaz não estava armado e não tinha antecedentes criminais. Em meio a tamanho desgoverno na região, provavelmente não teremos notícias da apuração de todos esses homicídios.

                                   É esperar para ver!

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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2 respostas para Massacre no Espírito Santo chega a 147 mortos. Planalto diz que não teve culpa. E a crise continua, apesar da presença das forças federais.

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  2. JORGE disse:

    Vejam as consequências da greve da Policia no Estado do Espirito Santo, dispara o número de homicídios. Razão: Sem polícia os homicidas ficam a vontade para matar.
    Cabe aqui demonstrar que os homicídios não são consequências das desigualdades sociais ou falta de Deus, e sim a certeza da impunidade. No Brasil somente 2% dos homicídios são solucionados, e são aplicadas penais banais. Quando se fala em INIBIR OS HOMICÍDIOS pela implantação de prisão perpetua e PENA DE MORTE para inibir os quase 60 mil homicídios por ano Brasil, as entidades como direitos humano, OAB e religiosos são contrário e alegam as consequências das desigualdades sociais e a falta de Deus.

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