Condenação de Lula foi ato jurídico para atender interesses políticos. O que se trata é de impedir a reação popular contra os desmandos do governo nas urnas de 2018. Se Lula não for barrado agora, pode vencer.

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                                   O juiz Sérgio Moro condenou Lula por corrupção passiva a quase 10 anos de prisão em regime fechado e à perda dos direitos políticos por quase 20 anos. Uma sentença de morte, se for confirmada em segunda instância. Moro aceitou integralmente a tese do ministério público. Não há na decisão nada além da tese acusatória, a não ser citações de jurisprudência. E a pena até que foi leve. Esperava ao menos 50% a mais de cadeia. Mesmo assim, considerando a idade do ex-presidente, é uma pena de morte.

                                   Apesar do bombardeio da grande mídia e das sucessivas acusações de crimes comuns, Lula continua à frente das pesquisas eleitorais. Seguramente, pode levar nas urnas, enquanto perde no tapetão. Parece que quanto mais apanha, mais se fortalece. E agora é aceito como vítima, especialmente após a morte da mulher. Não se trata aqui de saber se ele roubou ou não. Critiquei severamente o governo Dilma e o PT, por falta de iniciativa, de projeto e de competência. Mas o que interessa nesse artigo é medir a consequência política da decisão de Moro.

                                   O juiz, homem inteligente, bateu o martelo contra o petista, mas se preveniu. Fez três concessões importantes, talvez para disfarçar a consequência política do ato: deixou Lula em liberdade, “para evitar traumas”; absolveu o ex-presidente em outra acusação, que dobraria a pena de prisão; fez elogios aos governos do metalúrgico nordestino. É muito difícil desconhecer algumas das conquistas sociais e econômicas da chamada Era Lula. Desconhecê-las na sentença reforçaria a impressão de que se tratava mesmo de uma decisão política.

                                   Não acredito que a segunda instância vá revogar o ato de Sérgio Moro. Talvez reduza a pena para algo inferior a sete anos de detenção, abrindo a possibilidade de regime prisional mais brando. Manter Lula enjaulado seria extremamente perigoso para o projeto conservador que assola o país. O povão adora um mártir. Deixá-lo inocente e livre pode ser fatal em 2018. Assim, como observador atento, creio que o ex-presidente será impedido de concorrer. A menos que haja intensa movimentação popular. Não parece provável.     

 

 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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