Caminhoneiros que protestaram contra Dilma pedem desculpas. Imagem Blog do Esmael.
A greve dos caminhoneiros chega ao terceiro dia, provoca desabastecimento de produtos, aumento de preços e ameaça o governo Temer. Se durar mais, vai provocar um caos. Está faltado combustível de aviação em importantes aeroportos, como em Brasília, Recife e São Paulo. Em algumas regiões do país, a gasolina já foi vendida a 8,8 reais o litro. Cargas perecíveis paradas nas estradas já causam um prejuízo de 60 milhões de dólares por dia. Portos estão praticamente fechados. E já falta comida nos entrepostos que abastecem os supermercados.
O movimento é incentivado pelo patronato do setor, mas conta com ampla adesão dos motoristas. É tão forte, que a Petrobras anunciou redução temporária de 10% no diesel. E Michel Temer pediu uma trégua aos grevistas para tentar encontrar meios de reduzir impostos dos combustíveis. Enquanto isso, ministros batem cabeça e o Congresso tentar aprovar medidas na contramão dos interesses do Planalto. É um desgoverno assombroso. A AGU precisou ir aos tribunais federais para obter “reintegração de posse em seis rodovias federais, inclusive com o uso da força”. Só falta chamar as Forças Armadas.
A greve no Paraná. Imagem Maringá Post.
A greve, além da reivindicação econômica, serve de protesto contra a corrupção governamental. Vários caminhoneiros postaram mensagens contra Temer nas redes sociais. Muitos estão convocando uma greve geral. Outros pedem “intervenção militar já”. É uma barafunda sem tamanho. E o governo não tem nada a dizer. A política de preços da Petrobras, com oscilação diária, está transformando o consumidor em vítima. Pedro Parente, presidente da petrolífera, é um economista apenas preocupado com o balanço da empresa. Não quer saber do interesse público, mesmo estando no comando da maior empresa pública do país. Quando Dilma Rousseff subsidiava o preço dos combustíveis ao consumidor, gritava-se: “o PT está destruindo a Petrobras”. Agora a Petrobras está destruindo o país. Entre um extremo e outro, certamente deve haver uma política melhor, que também considere as necessidades da população.
Este é um país sobre rodas. São os caminhões que movimentam o PIB brasileiro. Aqui não temos ferrovias para escoar a produção. Por que? Porque a indústria automotiva internacional e os exportadores de petróleo assim determinaram. Acabamos com as ferrovias e construímos estradas. Sinuca de bico.