Bandido polonês comandava tráfico de armas de dentro da cadeia, em Bangu 4, no Rio. Jan Slowakiewicz foi extraditado para a Polônia há poucos dias. Fornecia equipamento militar para o Terceiro Comando e a ADA. Vinha tudo pelo correio.

 

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Traficante de armas polonês. Imagem da PF.

As facções criminosas do Rio e São Paulo estão equipadas com o que há de melhor na indústria bélica. Fuzis automáticos, metralhadoras, pistolas, lançadores de granadas. Não falta nada, inclusive carregadores extras e farta munição. O tráfico internacional de armas de guerra, segundo a maioria dos especialistas, vem pelo mar, por meio de empresas de importação e exportação legais, mas a serviço do crime organizado. Centenas de peças que fazem a tragédia em nossas grandes cidades, chegam a bordo de contêineres, nos maiores portos brasileiros. As remessas são declaradas como material industrial, motores e até equipamentos hospitalares. E não são vistoriadas. Pasmem: em nossos portos a fiscalização é realizada por amostragem e só 10% das cargas são verificadas.
Agora se descobre que o contrabando de armas, em pequena escala, é feito por compras na Internet e entregue pelo correio. Compra-se uma bicicleta para criança e junto com o inocente brinquedo chegam carregadores de fuzil e munições. Simples assim. Pior: a Polícia Federal ficou sabendo que este tipo de contrabando era comandado por um bandido polonês, Jan Jozef Galas Slowakiewicz, que já estava preso desde 2014 e cumpria pena no presídio de Bangu 4, na zona oeste do Rio de Janeiro. Jan vendia armas pelo correio para o Terceiro Comando e ADA, facções que controlam parte do narcotráfico na região metropolitana do Rio.
Uma reportagem do jornal Extra, na edição de 22 de março do ano passado, contava a história do bandido polonês:

“Ele (Jan), que cumpria pena por condenação recebida em 2014, quando foi acusado de ser armeiro do Morro da Alma, em São Gonçalo, foi uma das três pessoas indiciadas na Operação Pobra, que leva as iniciais de Polônia e Brasil.
Procurado pela Interpol por tráfico internacional de drogas, sequestro, roubo, uso de documento falso, extorsão e injúria na Polônia, entre 2006 e 2011, é indiciado na operação por coordenar a compra e venda de carregadores de armas. Os carregamentos vinham de seu país e eram enviados escondidos dentro de brinquedos para o Brasil, segundo a operação coordenada pela Deain. A Polícia chegou a emitir um mandado de busca e apreensão em sua cela.
As investigações, que começaram no dia 16 de fevereiro, resultaram também na prisão de Norma Cristina Silva Machado, de 63 anos. Ela foi presa ao receber, na agência dos Correios em Alcântara, uma encomenda que continha pentes de munição de AK-47 escondidos em um carrinho de bebê”.

O bandido polonês estava no “alerta vermelho” da Interpol. Foi extraditado para a Polônia há poucos dias. De acordo com fontes policiais, o esquema que ele montou no Rio continua operando.

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