A Comissão da Verdade é necessária. Mas sem julgamentos antecipados

É claro que a opinião pública brasileira tem o direito de saber o que foi que aconteceu durante a resistência contra a ditadura militar. Foi um período obscuro na vida política do país, uma dobra em nossa história. A violência institucionalizada, particularmente após o AI-5 (13 de dezembro de 1968), resultou em prisões ilegais, exílio, cassações de mandatos, tortura e assassinato de opositores do regime. O número mortos é estimado em torno de 400. Foram mais de 170 mil processos de cunho político.

É claro que as famílias dos mortos e dos mais de 150 desaparecidos políticos têm o direito de saber o que aconteceu e onde estão os corpos de seus entes queridos. Mas é lamentável ver que os integrantes da Comissão da Verdade já estão discutindo suas posições na mídia, antecipando debates que deveriam ocorrer ao longo das investigações – e não por razões ideológicas estabelecidas antes dos trabalhos. No período da ditadura (1964-1985) houve o chamado “terrorismo de Estado”? Houve – mas com certeza a violência ocorreu em muitas instâncias, na direita e na esquerda. O fato de que funcionários públicos do Executivo, Judiciário, das polícias e das Forças Armadas estiveram envolvidos na repressão, com salários pagos pelo contribuinte, cria um diferencial do ponto de vista das investigações. Também do ponto de vista legal e da moralidade. Sem dúvida. Mas é o suficiente para que a Comissão se dirija exclusivamente para este foco? Chile, Argentina e Uruguai, ao investigar os crimes cometidos pelos regimes militares, pensaram assim, processando criminalmente apenas os “representantes públicos da repressão”. As ditaduras sul-americanas mataram cerca de 40 mil pessoas (ou mais). Foi um pequeno holocausto.

Em 1979, durante o governo do último general-presidente do ciclo militar de 64, João Baptista de Oliveira Figueiredo, um  homem que gostava mais do cheiro dos cavalos do que do cheiro do povo, foi aprovada a lei da “Anistia Ampla, Geral e Irrestrita”. O significado dessa lei era “o perdão de todos os crimes políticos”, o que permitiu a libertação dos prisioneiros, a volta dos exilados e a garantia de uma transição pacífica para a democracia, em 1985, após 21 anos de ditadura.

A lei da anistia foi uma espécie de toma-lá-dá-cá. Um tipo de pacificação nacional, abrindo caminho para a redemocratização. Uma espécie de perdão para todos os crimes cometidos, na direita e na esquerda. E seguia o sentimento desse povo, que nunca se pretendeu revanchista.

Assim, somos todos favoráveis à explicação dos fatos, mas sem rever o grande acordo brasileiro pela paz. Conhecer a verdade é um direito universal. Mas mudar o caráter da anistia é um problema. É preciso, inclusive, perguntar aos anistiados o que eles pensam disso.

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Cachoeira e o mito do “bom bicheiro”

O escândalo de corrupção envolvendo Carlinhos Cachoeira, parlamentares, empreiteiros e governantes não é nenhuma novidade. Cachoeira – ele gosta de ser chamado de “empresário de jogo e entretenimento”, como se o jogo de azar não fosse proibido no país – é apenas mais um na ciranda trágica da corrupção que assola o Patropi. Ele só confirma a longa tradição dos “banqueiros do bicho”, sempre envolvidos na compra de políticos e no desvio de dinheiro público. Além disso, o “bicho” sempre participou da eleição de representantes para seus negócios ilegais nas câmaras de vereadores e deputados, chegando à instância máxima do legislativo – o Senado Federal.

Isto ocorre desde o início do século passado. O “bicho” foi a primeira forma de crime organizado no Brasil. Ainda durante o Império, em 1873, o Barão de Drummond fundou o bairro de Vila Isabel, zona norte do Rio, onde construiu um palacete e criou o primeiro jardim zoológico da cidade. O barão gostava de animais, mas havia se metido em negócios duvidosos e passava por apertos financeiros. Manter o zoológico custava muitos contos de réis. E o aristocrata teve uma ideia genial: inventou uma loteria, baseada em rifas vendidas ao público, na qual cada animal tinha um número. A arrecadação premiava quem acertasse o número num sorteio.

Foi um sucesso tão grande que, além de sustentar o zoológico, sobrou dinheiro para resolver outros problemas do barão. Logo surgiram casas de corretagem (ou bancas) do “jogo do bicho”, com “apontadores” que trabalhavam nas ruas da capital do Império recolhendo apostas. Essa é a origem do problema. Muito tempo depois, já na República, a loteria foi considerada jogo de azar e proibida pela lei das contravenções – mas nunca chegou a ser considerada um crime punível com prisão. Bem, o resto a gente pode imaginar.

O “jogo do bicho” se tornou algo tão popular, que seus “banqueiros” vivaram figuras folclóricas no país, especialmente no Rio de Janeiro. Não eram vistos como criminosos, mas como benfeitores de comunidades inteiras. Fundaram escolas de samba, viraram mitos. Mas esse perfil não resiste a uma rápida pesquisa. O “jogo do bicho” se envolveu com o contrabando de bebidas importadas ilegalmente, com casas noturnas, prostituição e coisas mais. Cresceu à semelhança das organizações da Máfia, por meio de estruturas familiares, onde os negócios passam de pai para filho. Criaram uma comissão dirigente para contornar as disputas, dividir territórios e racionalizar as tarefas da contravenção.

No início doa anos 1980, o megatraficante colombiano Pablo Escobar resolveu que o Brasil, além de um corredor de passagem das drogas para a Europa e os Estados Unidos, poderia se tornar um grande mercado consumidor, o que de fato aconteceu. O Cartel de Medelín, maior produtor mundial de cocaína, comandado por Escobar, procurou sócios locas. E quem foram os primeiros a serem procurados? Justamente os “banqueiros do bicho”, em razão de seu elevado grau de organização, influência política e controle da polícia através de um mecanismo de corrupção que ficou conhecido como “PP” (Pagamento para a Polícia).

Mas os nossos bicheiros sempre foram muito espertos e resolveram não misturar o jogo com as drogas. No entanto, souberam prever que o tráfico seria um elemento inevitável na vida moderna. E entraram no negócio, sem entrar: destacaram um “banqueiro” de segunda linha, Toninho Turco (Antônio José Nicolau, da área de Bangu, no Rio) para criar uma estrutura independente da chamada “loteria zoológica”. Toninho Turco montou uma quadrilha de 91 pessoas (61 eram policiais ou ex-policiais) para tocar os negócios com o Cartel de Medelín. Foi assim que o Rio de Janeiro virou a sede do tráfico no país.

Seis anos mais tarde, no dia 11 de fevereiro de 1986, a “Operação Mosaico”, uma ação conjunta do Exército e da Polícia Federal, acabou com a quadrilha de Toninho Turco, que foi morto. Um de seus principais colaboradores, tenente da PM, escapou ao cerco e foi capturado pela Interpol na cidade de Lugano, na Suíça. Isso nos dá uma ideia da articulação criminosa que foi montada.

O fracasso do esquema de Toninho Turco, a falta de controle sobre a produção das drogas, as dificuldades com as rotas e a morte de Pablo Escobar levaram os “banqueiros do bicho” a cair fora do tráfico. Logo, porém, o esquema foi substituído por algo também muito rentável: o jogo eletrônico, as máquinas de vídeo pôquer, os bingos. As fortunas, que já eram imensas, só fizeram crescer ainda mais – e sem os perigos do tráfico. Jogo, vale repetir, não é crime.

Olhando dessa maneira, não é difícil entender porque esses homens, como o nosso Cachoeira, são tão poderosos e influentes.

Na foto acima do post, Carlinhos Cachoeira. Abaixo, uma das poucas imagens da “Operação Mosaico”, em 1986.

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Araguaia: Nosso pequeno Vietnã

Na edição de maio da revista História Viva, inteiramente dedicada aos “anos de chumbo” da ditadura militar no Brasil, os grandes eventos do regime militar (1964-1985) serão discutidos e narrados por historiadores, escritores e jornalistas. Neste número da revista, da qual sou colaborador com certa regularidade, estarei publicando um longo artigo sobre a guerrilha do Araguaia, “o mais longo enfrentamento entre a esquerda armada e a ditadura”.

O movimento guerrilheiro, organizado pelo PC do B (Partido Comunista do Brasil) na região do Bico do Papagaio, ao longo do rio Araguaia, começou em 1966 e durou dez anos. Teve como ato final o cerco e a execução de integrantes do Comitê Central da organização comunista em 1976, no bairro da Lapa, em São Paulo. O combate á guerrilha foi, provavelmente, a maior mobilização militar brasileira desde a Segunda Guerra Mundial. Três expedições, totalizando entre 10 e 15 mil homens, foram enviadas à região de mata cerrada e grandes rios.

Os documentos oficiais sobre a guerrilha são considerados ultrassecretos até hoje, o que deixa muitas perguntas sem resposta. É uma história de violência, tortura, assassinatos e desaparecidos. Entre as forças armadas ocorreram muitas baixas, em combates na mata fechada. O número total de mortos pode ter chegado a 92.

A edição de maio de História Viva (Dueto Editora, do grupo Ediouro) traz alguma luz sobre episódios ainda desconhecidos da resistência contra a ditadura militar. Vale a pena conferir.

 

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Carlos Amorim no programa do Luís Nassif

Nesta segunda-feira, 23 de abril, o jornalista Carlos Amorim é um dos entrevistados do programa Brasilianas.Org, de luís Nassif, na TV Brasil, a rede pública do governo federal.

Será, ao vivo, no canal 4 da NET, com a presença de outros dois convidados: o promotor Luiz Bevilacqua, do Gaeco, e da Dra. Janice, da Procuradoria Regional da República. O tema é o crime organizado, no Brasil e no mundo.

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O fuzil IA2: A opinião do especialista

O artigo a seguir é de um especialista, cuja contribuição acrescenta informações técnicas relevantes sobre o novo  armamento padrão das forças armadas brasileiras.

“Imbel IA2, o sucessor do velho guerreiro.

 

Por Renan Vargo Merlo

        Começa a ser utilizado pelas nossas forças armadas, um novo fuzil, completamente desenvolvido e produzido em território nacional, o IA2, produzido pela IMBEL (Indústria de Material Bélico do Brasil), empresa vinculada ao Ministério da Defesa por intermédio do Exército Brasileiro.

Desde 1964 o Exército Brasileiro utiliza como armamento padrão de seus soldados o FAL (Fuzil Automático Leve) de origem Belga, originalmente produzido pela FN Herstal, e posteriormente produzido localmente pela IMBEL (a partir de 1970).

O FAL é um fuzil em calibre 7,62x51mm que tem a fama (merecida) de ser um fuzil bastante confiável, simples de se manter e operar e também preciso.  As mudanças no campo de batalha nos últimos anos o deixaram em desvantagem em relação aos novos fuzis presentes no mercado internacional. As batalhas em campos abertos com engajamentos entre 200 e 600 metros deram lugar aos combates em cidades, com becos e ruelas, onde o combate se dá desde uma luta corporal a no máximo 200-300 metros, situação  onde o tamanho e o peso do FAL, 1,10m e 4500g (vazio), respectivamente, atrapalham o desempenho do combatente.

O Exército Brasileiro, no processo de modernização de sua força, buscou um substituto ao velho guerreiro FAL. Neste contexto,  a IMBEL tentou uma modernização do fuzil,  juntamente com a conversão para o calibre 5,56x45mm, uma munição menor e mais leve, que possibilita que o infante leve mais munição sem prejudicar seu desempenho em campo. Porém o resultado, o fuzil denominado MD-2, não agradou ao Exército, já que este era pesado e com um sistema de funcionamento inadequado para o menor calibre adotado. Posteriormente, a IMBEL lançou no mercado o fuzil MD-97, que para manter um menor custo, utilizava muitas peças iguais ao do FAL. O MD-97 é usado por algumas tropas de brigadas de operações especiais do Exército, pela força de segurança nacional e muitas forças policiais em vários estados brasileiros. Mas o modelo não é uma unanimidade em termos de confiabilidade, sendo que o Exército optou por pedir o desenvolvimento de um novo fuzil que estivesse dentro dos padrões encontrados nos mais recentes projetos nesse gênero de armamento.

Desse desenvolvimento surgiu o IMBEL IA2, uma família de fuzis em 2 calibres, o menor e mais leve,  5,56x45mm,  e o maior e mais pesado, porém também mais potente e preciso, o 7,62x51mm. É importante ressaltar que os dois fuzis apresentam mecanismos de funcionamento distintos, sendo que o primeiro em calibre 5,56x45mm opera com o mesmo sistema do MD-97, porém com as deficiências desse último sanadas, e o fuzil em calibre 7,62x51mm utiliza o confiável sistema do FAL. Mesmo assim, alguns detalhes mecânicos foram alterados, como por exemplo  o extrator que teve seu desenho modificado para melhorar o processo de ejeção dos cartuchos deflagrados e o posicionamento do percussor. Em resumo, pode-se dizer que o IA-2 é uma versão melhorada dos seus antecessores, eliminando características indesejáveis. Como,  por exemplo, o uso de polímeros na construção de partes da arma (IA2) reduziu o seu peso de 4500g (do FAL) para 3700g, e a adição de trilhos do tipo picatinny, que possibilita o acoplamento de diversos acessórios, como miras do tipo red dot, holográficas, telescópicas, lasers, lanternas, empunhaduras, lançadores de granadas, etc. Vieram  para enriquecer o produto.

O fuzil IA-2  é,  sem dúvidas, um ótimo fuzil, isto está provado pelo simples fato dele ter conseguido passar pelos rigorosos testes do Exército.  Uma característica desejável hoje em dia, no entanto, foi deixada de lado:  a possibilidade de troca dos calibres com a simples troca de algumas peças da arma, tendo em vista que o Exército (e demais forças armadas, que também irão adotá-lo para que exista uma padronização no armamento básico) não deixará de utilizar o calibre 7,62x51mm, mais eficaz em longas distâncias e locais com muitos obstáculos (selva). Pode-se afirmar que o IA2 é um fuzil moderno, porém  não se encontra no mesmo grupo que os melhores e mais modernos fuzis do mundo atualmente. Entretanto, ele é de um projeto recente e mudanças podem ocorrer para deixando ainda mais capaz. A conclusão é de que nossas forças armadas estarão muito bem servidas com o IA2.  Porém, estariam  melhor servidas se algumas características fossem adicionadas ao projeto”.

Links para fotos que podem ilustrar a matéria.

FAL à http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:5064-04.jpg

Versões do IA2 à http://imageshack.us/photo/my-images/832/ia2e.jpg/

FAL (esquerda) e IA2 (direita) lado a lado  à http://guerranaselva.ovale.com.br/wp-content/uploads/2011/11/NOVO-FUZIL-5.jpg

MD-97 à http://2.bp.blogspot.com/_sJ4CCeFFeoc/TGP0hn3KL6I/AAAAAAAACAo/PVk3_SIgr6k/s1600/imbel-fal-02.jpg

Versão final do IA2 com a coronha definitiva (sem regulagem de comprimento) à http://guerranaselva.ovale.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Fz-Ass-556-IA2-PEQ.jpg

IA2 7,62x51mm versão final à http://i.imgur.com/dfMct.jpg%3C/img

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Cacciola está livre: a pena de prisão foi “extinta”

Salvatore Cacciola, banqueiro acusado de golpes bilionários contra o sistema financeiro, condenado em 2005 a 13 anos de cadeia por peculato, gestão fraudulenta de instituição financeira e formação de quadrilha, está livre. A juíza Roberta Barrouin Carvalho de Souza, da Vara de Execuções Penai do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, concedeu indulto ao ítalo-brasileiro. Desde 2010 ele já estava em regime semi-aberto. A bem da verdade, na história do judiciário brasileiro, Cacciola foi um dos poucos de seu gênero a entrar em cana. Pela lei: tem mais de 60 anos, cumpriu um terço da pena com bom comportamento, e não oferece perigo sociedade.

Vamos olhar o caso um pouco mais de perto:

Salvatore Cacciola foi preso no ano 2000, após um escândalo financeiro que abalou a opinião pública. Certa vez, ao deixar a sede do banco que comandava, na Avenida Rio Branco, centro do Rio, foi reconhecido por populares e quase agredido. As imagens saíram nos telejornais. A prisão durou pouco, porque um habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio de Mello, à época Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que poderia responder ao processo em liberdade. No mesmo dia, o banqueiro fugiu do país, de carro, viajando até chegar ao Paraguai. Dalí foi para a Argentina, onde embarcou num voo para Roma. Como tinha cidadania italiana, ficou intocável, num “doce exílio”, como definiu um de seus advogados. Pedidos de extradição do governo brasileiro foram recusados.

Em setembro de 2007, Cacciola resolveu passar um fim de semana com a namorada em Mônaco. No aeroporto, onde havia um mandado de prisão contra ele emitido pela Interpol, foi detido. Foi extraditado para o Brasil em julho de 2008, passando a cumprir pena no Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste do Rio. Lá ficou durante mais de três anos, atrás das grades. Agora está completamente livre. De qualquer modo, viu o sol nascer quadrado, coisa muito rara no Brasil.

Na foto acima, da Folha de S. Paulo, o banquieo, de camisa branca, deixa a prisão.

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CV e 3C disputam o controle da Rocinha

Mesmo sob ocupação policial desde o fim do ano passado – 650 homens da PM e do Batalhão de Choque estão na comunidade -, traficantes ligados ao Comando Vermelho e ao Terceiro Comando, organizações criminosas rivais, disputam o controle do tráfico de drogas na maior favela brasileira, localizada na zona oeste do Rio de Janeiro. A Rocinha é o maior entreposto de drogas da cidade, responsável pela distribuição de cocaína, maconha e crack para toda a zona sul abastada, onde a classe média e a elite consomem toneladas de drogas por ano. O faturamento do narcotráfico é avaliado em muitos milhões de reais na região. Nos últimos meses, sob ocupação – repito -, nove pessoas foram assassinadas, entre elas um cabo da PM e um líder comunitário, Vanderian Barros de Oliveira, executado a tiros.

A política das Unidades de Polícia Pacificadora do Rio (UPPs) tem trazido a sensação de segurança para a população carioca. Mas certamente não acaba com o tráfico. Este se torna mais discreto, evita aquele desfile acintoso de homens armados de fuzis e metralhadoras, mas continua existindo sorrateiramente. Novos métodos, como a venda de drogas através da Internet, prosperam. Jovens viciado da classe média estão agora envolvidos na distribuição de entorpecentes nos condomínios e nas baladas. As drogas sintéticas, laboratoriais, como o LSD, dominam o cenário. Ou seja: a batalha continua.

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Libertados reféns da guerrilha na Colômbia

Deu certo: a missão humanitária brasileira na Colômbia salvou a vida de dez militares e policiais que estavam como “prisioneiros de guerra” das FARCs há mais de dez anos. A libertação dos reféns, supervisionada pela Cruz Vermelha Internacional, ocorreu apenas um dia após a chegada da força brasileira (ver o post anterior). Foi a quarta operação de resgate do Brasil no país vizinho, que há meio século vive uma sangrenta guerra civil.

Apesar do sucesso da missão, ainda existem centenas de civis em poder das FARCs. Mas a ação humanitária do Brasil abre novas portas para negociações de paz na Colômbia.

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Missão brasileira está na Colômbia para libertar reféns

Trinta e cinco oficiais, sargentos e soldados do Exército partiram neste sábado (31 de março) da base aérea de São Gabriel da Cachoeira, a 850 quilômetros de Manaus, para a Villa Vicendo, pequena cidade na Colômbia, onde vão participar da libertação de 10 prisioneiros das FARCs, que são mantidos como reféns há mais de dez anos. A missão humanitária brasileira, autorizada pessoalmente pela presidente Dilma Rousseff, é a quarta operação de resgate das nossas forças armadas em solo colombiano. Com os militares, seguem outros 25 brasileiros, entre eles membros da Cru Vermelha Internacional, médicos e diplomatas. O governo colombiano prometeu suspender todos os combates na região, para facilitar a soltura dos reféns.

Os 10 prisioneiros das FARCs são soldados e policiais colombianos, os últimos militares do país vizinho mantidos como reféns pela guerrilha comunista. No entanto, centenas de civis ainda estão em poder das FARCs, que os considera “prisioneiros de guerra” e muitas vezes exige resgate em dinheiro por sua libertação. O encontro da missão brasileira com as FARCs e com os reféns deve acontecer na segunda-feira (2 de abril).  Os contatos com a guerrilha foram feitos pela ONG Colombianos pela Paz.

Fica aqui a nossa torcida para que tudo dê certo e vidas sejam poupadas.

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Entra em ação o novo fuzil brasileiro de assalto: o IA2

O novo fuzil IA2

As Forças Armadas brasileiras já dispõem de um novo fuzil automático leve, para aposentar o velho FN FAL 7.62, em serviço há 48 anos. O Imbel IA2 é a nova arma, disponível nos calibres 5.56mm (padrão) e 7.62mm (para emprego diferenciado). O novo fuzil foi inteiramente desenvolvido com tecnologia e peças nacionais, sendo fabricado pela Indústria de Material Bélico (Imbel) na cidade de Itajubá, Minas Gerais. É dos mais modernos do mundo, equiparando-se ao A1, o fuzil de assalto que agora abastece as forças armadas dos Estados Unidos e que teve seu teste de fogo no Iraque e no Afeganistão.

Menor e mais leve do que o FAL, o IA2 tem carregador de 30 balas (formato 5.56mm), é à prova dágua e tem dispositivos para adaptação de miras especiais a laser ou termoguiadas. Também pode ser utilizado como lançador de foguetes e granadas. A munição de alta velocidade tem precisão de disparo até 400 metros de distância, mas com facilidade alcança o dobro disso. O novo fuzil pode disparar tiros individuais (modo de repetição), rajadas curtas ou “full auto”, que libera toda a munição disponível no pente. A velocidade inicial do disparo é superior à do som (440 metros por segundo) e a cadência de tiro é superior a 600 projéteis por minuto. Trata-se de um grande avanço da indústria militar brasileira e representa um passo importante na direção da independência do país em matéria de armamentos de infantaria.

O IA2 também estará disponível para as polícias militares e federais e será exportado para governos e exércitos estrangeiros. O velho FAL era fabricado no Brasil, desde 1964, sob licença dos construtores belgas, que desenvolveram a série FN após a Guerra da Coréia.

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