A luta de classes, a violência e a mídia

A luta de classes – definida pela literatura especializada como o conflito permanente entre os possuidores e os não possuidores dos meios de produção – não acabou com o fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética, quando era bem visível em todo o mundo e explorada diariamente pela mídia. Por uma razão muito simples: em termos modernos, a luta de classes é um fenômeno intrínseco do capitalismo e da sociedade de consumo – o modelo vitorioso na condução dos povos em geral. E o drama da violência urbana e do crime organizado também cabe nesses limites. É preciso uma compreensão sociológica e sociopolítica do que vem a ser o crime como ocorrência rotineira e traumática no interior da sociedade contemporânea. Ter ou não ter acesso aos privilégios do consumo (de bens ou de alimentos e moradia decente e segura) se tornou a nova fronteira entre as classes. Mais do que a diferença entre a propriedade dos meios de produção, o que se trata agora é de ter ou não ter capacidade de se apropriar de bens e de modernidades na vida prática e diária.

O bandido avulso que entra a mão armada no mercado de consumo, para comprar roupas da moda ou equipar o lar da família com os produtos mais evidentes, trava uma nova forma de luta de classes: os que não têm nada contra os que têm alguma coisa. Mata-se por um tênis de grife. Por duas pedras de crack. O pano de fundo do conflito é o abismo que existe entre os benefícios do capitalismo moderno e a pobreza mais sinistra, que continua a ocorrer como um câncer no Brasil e no mundo. Somos como dois países: um rico e moderno, do tamanho da Espanha, com algo em torno de 54 milhões de habitantes – outro, com padrões africanos ou asiáticos, com cerca de 130 milhões de habitantes. Esse é pobre, ignorante, analfabeto e doente. Os dois países se confrontam e colidem – e um dos pontos de contato é a violência, quando estão em campos opostos: às vezes o conflito se resume a um menino armado e uma vítima ocasional. Outras vezes é um confronto militarizado entre centenas – ou até milhares – de bandidos e policiais, como vimos recentemente no Complexo do Alemão.

Só na cidade de São Paulo, o telefone da polícia toca 20 milhões de vezes por ano. Colecionamos uma das maiores estatísticas criminais do mundo. Entre nós, o criminoso é tão casual, estabelecido em todas as camadas sociais e econômicas, que já se caracterizou como um estrato social alterado: convivemos com ele como coisa natural, no Congresso Nacional ou na vizinhança. O criminoso virou quase uma “nova classe” nesse contexto. Virou um dos nossos tipos folclóricos: aceitamos e convivemos com ele. Vai do batedor de carteiras ao empresário salafrário, ao caixa dois das empresas, e aos políticos e governantes. Fernando Henrique Cardoso, no último ano de seu segundo governo, declarou: “o crime chegou aos altos escalões da República”. Falta dizer o quê?

De um ponto de vista genérico, há três cenários relacionados com o problema do crime e da violência:

1.  O caos urbano, onde ocorre violência de todo tipo, crimes de trânsito, mortes por motivos passionais, o bêbado que mata, o tráfico de drogas, os roubos generalizados, o ataque aos bandos, o furto de veículos e cargas, sequestros, questões agrárias, estelionato e fraudes, muitas outras ocorrências. A repetição sistemática dessas ocorrências produz uma soma – uma estatística – que ganha o nome de criminalidade.

2.  É nesse segundo cenário – o da criminalidade – que a sociedade assume que alguma coisa está errada. Porque há repetições demais sobre a mesma tipificação de crimes numa mesma área geográfica. Aí o Estado reage: cria a delegacia de roubos a bancos, de furto de automóveis, de proteção às mulheres e à infância e coisas mais. As autoridades se mobilizam para atender às consequências dos crimes, deixando de lado as causas, que estariam no primeiro cenário. E se preocupam mais com os casos que mobilizam a opinião pública e estimulam a mídia. Assim se cria uma polícia que age depois que o crime já aconteceu. Não tem qualquer caráter preventivo ou comunitário. Trata-se de um movimento apenas repressivo – e geralmente contra os pobres, “as classes perigosas”. Mesmo as UPPs cariocas se enquadram nessa definição.

3.  O terceiro cenário é o do crime organizado. Esse não tem nada a ver com os dois anteriores, mas se vale deles e os realimenta. O crime organizado é um empreendimento mundial, globalizado, que se aproveita de condições objetivas para iniciar um negócio local, geralmente de drogas, pirataria, contrabando, tráfico de armas, seres humanos e de órgãos. Os especialistas estimam que movimenta algo em torno de US$ 3 trilhões por ano. É maior do que a indústria do petróleo e não paga impostos. Faz negócios com dinheiro à vista. É o empreendimento de maior liquidez do planeta. Sobre esse movimento criminoso mundial, quase nada se sabe. Os chefões não moram em favelas, seus nomes não aparecem nos jornais ou na televisão. No entanto, eles são responsáveis pela disseminação do crime na base da pirâmide social. Se não, como teríamos drogas e armas estrangeiras no Brasil?

Nossos governantes são quase totalmente ignorantes (ou omissos – ou cúmplices) na compreensão do tema. Acreditam que tudo se resolve com operações policiais localizadas, como no programa das UPPs (as Unidades de Polícia Pacificadora) do Rio de Janeiro. O que realmente precisamos é definir uma política de segurança visando a proteção do cidadão comum e a garantia das instituições democráticas. E, nesse campo, a universidade brasileira está devendo um raciocínio que nos afaste de expedições punitivas contra o pobre, o preto e o favelado. Precisamos de inteligência na matéria. Sob pena de repetirmos todos os erros do passado.

O livro do professor Cyro Pachicoski Couto, “Do crime ao caos: a comunicação a serviço do medo”, é um esforço intelectual para compreender o tema. Se gostamos ou não das suas opiniões, não importa. Aqui vale a tentativa de criar parâmetros teóricos para entender a questão da violência que flagela o país. E o professor tem um viés super interessante em seu trabalho: observar as relações entre a mídia e o conflito que eu chamo, em meus livros, de “guerra civil não declarada”. A mídia pode não ser culpada de tanto crime, porque apenas reflete o clima geral de insegurança, mas serve para generalizar o que chamo de “novo choque de classes”.  A televisão, a Internet e o telefone, que chegam a todos os brasileiros, mesmo nos rincões do país, finalmente criaram a “aldeia global” no patropi. E ela está salpicada de sangue.

(*) Carlos Amorim é jornalista e escritor, autor de “Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado” (Ed. Record, 1994, vencedor do prêmio Jabuti), “CV_PCC – A irmandade do crime” (Ed. Record – 2004); “Assalto ao Poder” (Ed. Record – 2010). Atualmente dirige o núcleo de programas de jornalismo da TV Brasil, em São Paulo, a rede pública do governo federal.

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6 respostas para A luta de classes, a violência e a mídia

  1. Pingback: A luta de classes, a violência e a mídia | Carlos Amorim | Media Brasileiro

  2. Li o seu livro ” Comando Vermelho ” com grande interesse e fiquei impressionado com a riqueza de informações, e a abordagem muito abrangente, realista e isenta, pois não vi transparecer nenhuma ideologia ali. Me pareceu que por isso que se tratava de um livro ingigualável.

    No entanto quando vendo seus comentários nos posts e em entrevistas – falando em luta de classes e estados que só pensa em punir – embora salte aos olhos o quanto os mais pobres tem um tratamento muito pior que os ricos, aí já vejo se abrir aquela vala comum contra o discurso proibicionista, que muito mais do que lamentar a falta de eficiência das políticas anti-drogas revela um veemente anti-americanismo: onde tudo que se fala sobre visão multidimensional, respeito às diferentes culturas, direito à alteridade serve mais para se opor ideologicamente a cultura unidimensional americana.

    Lendo suas entrevistas, e seu posts, vemos reiteradamente esta questão da luta de classes, e aqui muito embora você não levante aquelas bandeiras tradicionais da esquerda passa isso nas entrelinhas, repetindo Foucault e centrando-se em comentários que deixam dúvida se realmente você aceita alguma solução que não seja a sua.

    Porque se é verdade que o exército não faz barreiras na paulista, e faz onde mora as populações pobres, você já vem com o discurso de luta de classes e levantando a bandeira do tapa na cara. Sinceramente … Ou você está certo e os moradores da favela foram manipulados pela mídia, para dizer que estavam apoiando, ou então você está sendo tendencioso e povo das comunidades realmente gostou.

    Dá para notar que você evita parecer deste ou daquele lado, e por isso não vemos você dar a sua opinião clara se é ou não a favor da liberação das drogas mais leves e se realmente se alia aos entusiastas das políticas de redução de dano, que por princípio consideram que a última coisa que devem fazer por um usuário de drogas é oferecer-lhe um tratamento para sair das drogas.

    Dai dizerem que a guerra às drogas tem como seus principais instrumentos o temor, às punições impostas pela lei e normas institucionais, e o constrangimento moral, enquanto a prevenção voltada à diminuição de riscos apostaria na capacidade de discernimento do cidadão bem-formado e informado.

    É claro que você não chega ao ponto de falar que a guerra às drogas tem como seus principais instrumentos o temor, e o constrangimento moral. Tão pouco diz a mesma coisa que um defensor da redução de danos, quando ele afirma que a missão que tem é garantir a liberdade de qualquer pessoa em poder consumir as drogas hoje consideradas ilícitas pela lei.

    Pelo menos os defensores da redução de danos dizem tudo o que pensam e não tem nenhum constrangimento disso porque embasam profundamente suas posições ainda que seja para cometerem os mesmo erros e excessos dos proibicionistas. Quando aqui dirão que os jovens tem que se libertar o mais cedo possível da influência dos pais e das instituições, que seriam manipulados pelo establishment.

    Não estou colocando palavras na sua boca, mas esta visão do problema das drogas segundo a luta de classes conduz a isso: nos EUA o alcool era reprimido por causa da opressão aos trabalhadores, que se reuniam em saloons para tratar de assuntos trabalhistas. Os chineses que foram construir estradas de ferro oprimidos por causa do ópio. Os negros oprimidos por que consumiriam cocaína e colocariam em perigo a juventude e mulheres brancas. O combate as substâncias que alterassem a consciência seria assim mero pretexto para o capitalismo melhor explorar os oprimidos. E se não fosse esse o motivo mais sim a herança cristã então novamente iria se lastimar aqueles que acham que podem decidir pelos outros o que acham certo ( pais em relação a filhos, autoridades e estado em relação ao cidadaão ).

    Pois estes que se acham isentos de ideologia querem fazer campanha de esclarecimentos sobre drogas nas escolas, alegando que deve-se resgatar e contar esta história. Acrescida, claro, da reprovação aos pais por quererem dizer aos seus filhos menores o que podem ou não fazer, oprimindo-lhes a livre consciência de por si mesmo chegarem as suas conclusões.

    Eles que propõe esta questão:

    ” Por que há um intensa onda de movimentos organizados socialmente para convencer as pessoas a mudar seus hábitos de consumo de drogas? ”

    E a resposta é a de que se fala tanto em epidemia de uso e repressão as drogas porque assim evitam-se outros temas de maior impacto na saúde da nossa população.

    Explicam que existe uma veiculação exagerada e caricatural de alguns fenômenos ligados a droga (drogados que cometem crimes ), quando omite-se outros de maior impacto para a saúde da coletividade, como o papel muito maior que o alcool tem como motivador de condutas criminosas e anti-sociais.

    A guerras às drogas serviria na verdade para abafar a conscientização de outros problemas.

    Culpa que atribuirão aos processos neoliberais, que passaram a investir menos em ações de assistência social.

    Diz Beatriz CARLINI-COTRIM no seu artigo ” Drogas na escola: prevenção, tolerância e pluralidade.”

    ” O processo de exclusão do neoliberalismo gera revolta e constestação entre determinados grupos sociais, sejam eles minorias étnicas, desempregados, jovens de periferia, setores de classe média depauperados. Do ponto de vista do sistema, é preciso legitimar a repressão e o controle a esses grupos. ”

    A prevenção ao abuso de drogas assim seria um álibi para fins de controle político. E para se opor a tudo isso só mesmo os especialistas em redução de danos com sua proposta preventiva, pluralista, e afeita a aceitação do diferente, que propõe metas ditas realistas que ofereceriam melhora efetiva da situação.

    Estes técnicos em redução de danos consideram que são anti-éticas as campanhas de guerra contra as drogas. Porque ditam normas de comportamento e controle dos indivíduos e grupos sociais, muito além do que é direito do Estado e das instituições. Denunciam que os opositores ao uso de drogas acham que sabem aquilo que os usuários deveriam pensar, sentir e fazer, e por isso pretendem impor seu próprio conjunto de regras para todas as outras pessoas.

    Veja que o seu discurso do tapa na cara dos pobres lembra muito este autor:

    “A histeria envolvida na guerra às drogas cria uma mentalidade orwelliana, em que perversas técnicas do tipo Grande Irmão são apresentadas como sendo medidas patrióticas para salvar a alma americana. De acordo com a minha própria formação, feita a partir de uma educação tradicional da Nova Inglaterra, seria considerado indigno, pouco americano, e mesmo perverso o fato de que oficiais do governo obriguem funcionárias da Marinha a se despirem e urinarem em vasos sanitários na sua frente, submetidas a uma observação direta” (Trebach, 1990, p.516  sobre os exames de urina compulsórios para detecção de uso de drogas na Marinha).

    Ativistas da redução de danos, que assim também se sentem aptos a reduzir o dano educacional e vão jurar que eles não fazem a cabeça de ninguém, assim como não tiveram suas cabeças feitas, e de que por isso não estão comprometidos com jogos de poder e discursos manipuladores.

    É claro que você não disse nada disso, e seus comentários sobre luta de classes se justificam pela própria realidade, mas que parece a ponta de um iceberg ideológico isso parece, embora você lembre que maconha hoje em dia não é mais droga leve, 16 vezes mais potencializada; consideração que faria com que você cometesse uma heresia frente aos adeptos da teoria de redução de danos.

    Bem, já que você tem um blogue para falar de assuntos atuais estou curioso para sabe o que você acha sobre a teoria das janelas quebradas, ou respostas a este tipo de questão:

    Pode o Estado proibir o consumo de drogas? Tem o Estado o direito de impor à sociedade e aos cidadãos a interdição da droga? Procede o princípio de soberania do consumidor?

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    • carlos amorim disse:

      Roberto,
      seu comentário é impressionante, dos mais instigantes que já recebi. Mas você trata de muitas questões ao mesmo tempo. Vou tentar responder sinteticamente:
      1. A luta de classes nao é uma questão ideológica, não foi inventada pela esquerda ou pela direita. É um dado histórico, verificado pela economia política há mais de dois séculos. Não se dá mais, em termos modernos, no mundo globalizado, como uma luta entre burgueses e proletários (como nas antigas teses comunistas). Agora ela se insere no cenário das desigualdades e suas consequências sociais e políticas. Quando trato desse tema, é sob essa ótica. Não estou desenterrando velhas polêmicas.
      2. Na minha trilogia sobre a matéria, procurei o distanciamento e a opinião pluralista. Apenas no terceiro volume (O Assalto ao Poder) expressei opiniões pessoais, mas informando ao leitor que eram a minha visão dos acontecimentos. Após 27 anos de pesquisas, me considero uma fonte de informações.
      3. Sobre a “liberalização de drogas leves”, acho que há um equívoco nessa discussão. O que se trata, em termos brasileiros, é “descriminalizar o uso de drogas” – e não a liberação. Como faríamos com a maconha liberada? Vamos comprar por atacado as lavouras do crime organizado no Paraguai? Vamos fazer as nossas próprias plantações, inclusive para exportação, criando um cartel da Souza Cruz? É uma questão complexa, para a qual não se deve arriscar soluções apressadas. O consumo de drogas em larga escala provocaria um aumento da violência em geral – e não eliminaria o traficante, que entraria numa concorrência clandestina baseada em baixos preços e baixa qualidade. Fico devendo um aprofundamento
      4. Não sou contra as UPPs. Trata-se da melhor iniciativa de segurança pública da última década. Só não comcordo que se transforme num pequeno estado de sítiio, com ocupação militar, sobre comunidades juridicamente indefesas. Além do mais, não adianta criar UPPs sem reformar o aparelho de segurança, corrompido até as raízes. Só no Alemão foram afastados 30 militares do Exército e 22 da PM, porque estava, saqueando os moradores. Houve um tenente que levou para casa um aparelho de ar condicionado. Logo em seguida, toda a cúpula da polícia civil carioca veio abaixo: uma investigação dos federais revelou que eles vendiam informações para criminosos e protegiam chefes do tráfico. Não adianta fazer UPPs sem sanear a polícia.
      5. Sobre a mídia, acho que se comportou muito mal em 2010, como jamais tinha visto. O interesse político das empresas, face às eleições gerais, se transformou em “notícia”. No caso do Rio, na semana que antecedeu a invasão “pacífica” do Alemão, 33 pessoas morreram em confrontos com a polícia. Esses incidentes foram “diminuídos” pela mídia – e quase ninguém se lembra dessas mortes, supostamente de bandidos.
      Depois falamos mais.
      Abs
      Camorim

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  3. Roberto Santos de Carvalho disse:

    Prezado Carlos Amorim

    A luta de classes não se dá mais como uma luta entre burgueses e proletários ( mas como você diz ” num cenário das desigualdades e suas consequências sociais e políticas” ), mas a maneira de demonizar e procurar bodes expiatórios continua a mesma:

    Porque se a intenção da polícia é garantir a ordem, e isso pedir que atue com mais rigor, em bairros com população mais pobres, já vão dizer que isso é forma de exclusão social.

    Se o foco da polícia se der em cima da repressão aos pequenos delitos, para desencorajar outros maiores, virá a crítica à polícia dizer que se está discriminando o cidadão por achar que o ser humano tem uma propensão para cometer crimes.

    Tudo que contrarie a tese – de que o problema da criminalidade se deve principalmente à exclusão social – passa a ser criticável:

    Porque pretensamente o Estado só se interessaria em controlar os inadaptáveis ao forçá-los cumprir as regras sociais vigentes sem lhes reconhecer as diferenças.

    Da mesma maneira se a polícia procura tornar-se mais eficiente vão dizer que foi implantada a ” delegacia empresa ” e se houver maior controle dos índice de criminalidade vão dizer que a diminuição de crimes é questão de marqueting.

    Por sua vez se o crime graça solto e a polícia vai lá debelá-lo com fimeza aí dirão que é a retórica da guerra, e demonstração de força, quando até a revista pessoal que a polícia faz atentará contra a dignidade do cidadão.

    Só acho que estes grupos que criticam este tipo de polícia e política criminal, é incapaz de fazer a auto-crítica, quanto ao que fizeram quando estavam no poder.

    O seu livro sobre o Comando Vermelho mostra em detalhes como governos mais voltados para o social, ou grupos como da igreja católica ( comunidades de base ) eram bem recebidos e o que resultou disso em termos se relacionamento promíscuo entre criminosos e representantes do povo.

    att

    Roberto

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    • carlos amorim disse:

      Caro Roberto.:
      obrigado pelo novo comentário.
      Nos últimos 76 anos, o país teve apenas duas políticas de segurança (o Estado Novo e a LSN), ambas voltadas para a proteção do regime vigente (a ditadura Vargas e o modelo militar de 1964). A proteção do cidadão comum era relevada em ambas – até porque os índices de criminalidade eram baixíssimos e porque a violência do regime inibia o crime avulso.
      A partir de 1985, com a redemocratização, os governos civis não tiveram apetite para enfrentar o problema: nenhum interesse político, deixando de se antecipar à onda de criminalidade – verdadweira epidemia – que iria se instalar nos anos 1990, com o tráfico, matanças e a corrupção desenfreados.

      Assim estamos até agora. As UPPs não podem ser chamadas de política de segurança, porque são localizadas e ainda não produziram os resultados pretendidos e muito menos uma cultura específica. São um bom caminho? Podem ser, mas é necessária uma ampla reflexão sobre a matéria, inclusive com a participação do meio acadêmico. Talvez nos próximos anos surjam os elementos de uma nova política a partir dessa experiência. Mas é cedo para garantir que isso vá acontecer.
      Como autor dedicado ao tema, procuro observar os desdobramentos da questão.
      Gostaria de dizer a você que sou um pesquisador independente, apartidário e não movido por dogmas ideológicos. Não recebo nenhum tipo de financiamento e minha única relação comercial é com a Editora Record, que me paga direitos autorais e mais nada. Sobrevivo da atividade jornalística e não de literatura. Você sabe: somos um país de poucos leitores.

      Espero que o nosso diálogo prossiga.
      Grande abraço,
      Camorim

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  4. roberto disse:

    “bem vindos pelos líderes do crime ” ( faltou especificar )

    quando tiver um tempinho conheça um conto que escrevi sobre a cracolândia em sampa com várias informações :

    http://66.228.120.252/contos/2186359

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