Um cheiro de pólvora.

O general Santos Crus. Imagem de divulgação.

Mais uma vez o presidente Jair Bolsonaro conseguiu tocar fogo no parquinho. Arrumou a maior barafunda com os militares de alta patente, quando nomeou o general de brigada Eduardo Pazuello para um cargo civil (Secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência) e mandou avisar que não aceitaria qualquer tipo de punição contra o seu ex-ministro da Saúde por razões políticas. Como sabemos, o general subiu num carro de som e discursou durante uma manifestação a favor do presidente no Rio de Janeiro. Aliás, foi um discurso muito ruim.

                                   O ato, no domingo 23 de maio, é considerado pelo Alo Comando do Exército como uma quebra de disciplina insuportável. Dos 7 generais que integram o órgão, 4 se manifestaram pela prisão do general. Mas o capitão Bolsonaro mandou dizer: na qualidade de comandante-em-chefe das Forças Armadas, vetaria a punição. Seria uma desmoralização completa. A opção foi olhar para o outro lado e absolver o Pazuello das várias violações do código militar que ele cometeu.

                                   Mas a coisa não ficou por isso mesmo. O generalato subiu nas tamancas. O general Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, demitido por Bolsonaro, escreveu a seus pares em tom de revolta. Disse sentir vergonha da situação a que o Exército havia sido submetido. Opiniões semelhantes ecoam nos quartéis. Comandantes de tropas querem fazer comunicados internos informando que hierarquia e disciplina serão cobradas a ferro e a fogo. Algumas fontes que usam uniformes já me informaram que esta orientação circula na caserna.

                                   O presidente Jair Messias Bolsonaro já disse, ameaçando Joe Biden: quanto as palavras acabam, é hora da pólvora. E há um cheiro de pólvora no ar!

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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2 respostas para Um cheiro de pólvora.

  1. Margarete disse:

    Você é o Carlos Amorim mesmo?
    Você está bem?
    Ficou um bom tempo sem postar…

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  2. alexander vladvoska rosanoff disse:

    Eu sou pro presidente portanto essa postagem não me interessa, mas mesmo assim obrigado por expôr seu ponto de vista

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