Potências ocidentais abandonam Ucrânia à própria sorte. Mas a guerra já envolve quase o mundo todo com armas econômicas e financeiras.  

Inicialmente, a reação das potências ocidentais à brutal invasão da Ucrânia pela poderosa Rússia de Vladimir Putin foi não só covarde, como pífia. Os potentados a oeste da bussola abandonaram a antiga república soviética ao Deus dará. Afinal, quem se interessa por esse país de 40 milhões de habitantes que esteve no rol dos comunistas, com estátuas de Lênin, Stalin e tudo? Assim, na madrugada de 24 de fevereiro, 170 mil homens do exército russo, com 42 brigadas de tanques e blindados, além de centenas de aviões de caça e bombardeios, iniciaram o ataque contra a Ucrânia.   

Depois, os países ligados à OTAN, bloco político-militar liderado pelos Estados Unidos, mostraram as garras para Putin, rasgando o pescoço dele com restrições econômicas jamais vistas. A Rússia dispõe de 600 bilhões de dólares em reservas, mas esse dinheiro está em moedas estrangeiras e em bancos estrangeiros. Foi tudo bloqueado. Há também 100 bilhões de dólares em ouro – e estes valores estariam na China, até agora um território amigo, apesar de que não necessariamente aliado.

Das guerras mundiais recentes – e esta é uma guerra que já envolve boa parte do mundo – nunca as armas econômicas e financeiras foram empregadas com tanto sucesso.          

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Bolsonaro e os temporais!

O presidente sobrevoa Petrópolis. Foto PR

As quase 650 mil mortes causadas pelo Covide-19 não foram capazes de comover o presidente Jair Bolsonaro. No entanto, ele foi ver de perto a tragédia das chuvas em Petrópolis, sobrevoando a cidade a bordo de um helicóptero militar (18 fev). Aliás, o capitão trajava uma espécie de uniforme preto, incluindo pesados coturnos, como se fosse descer na cidade destruída, o que não aconteceu. O momento foi registrado pelo fotógrafo da Presidência da República. A Folha, diário paulista que não gosta de Bolsonaro, estampou a foto na primeira página, amplificando a ironia.

Por que Bolsonaro subiu aos céus para visitar Petrópolis? Em primei o lugar, porque a insensibilidade do presidente já está lhe custando caro nas pesquisas eleitorais; em segundo lugar, porque o Estado do Rio de Janeiro é a principal base eleitoral do presidente. Na eleição de 2018, Bolsonaro venceu em terras fluminenses com quase 69% dos votos válidos no 2º turno, cerca de 5,5 milhões em números absolutos. Ele não poderia deixar de dar uma satisfação a este eleitorado. Obviamente, não se trata de compaixão pelos 170 mortos e 130 desaparecidos no temporal do último dia 15. Bolsonaro, aparentemente, também não teve pena das vítimas da chuva na Bahia, onde 26 pessoas perderam a vida e 31 mil ficaram desabrigadas. Ele foi derrotado na Bahia.

Em Petrópolis, ao que tudo indica, tratou-se de não perder os pontinhos mágicos do IBOPE.   

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Um cheiro de pólvora.

O general Santos Crus. Imagem de divulgação.

Mais uma vez o presidente Jair Bolsonaro conseguiu tocar fogo no parquinho. Arrumou a maior barafunda com os militares de alta patente, quando nomeou o general de brigada Eduardo Pazuello para um cargo civil (Secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência) e mandou avisar que não aceitaria qualquer tipo de punição contra o seu ex-ministro da Saúde por razões políticas. Como sabemos, o general subiu num carro de som e discursou durante uma manifestação a favor do presidente no Rio de Janeiro. Aliás, foi um discurso muito ruim.

                                   O ato, no domingo 23 de maio, é considerado pelo Alo Comando do Exército como uma quebra de disciplina insuportável. Dos 7 generais que integram o órgão, 4 se manifestaram pela prisão do general. Mas o capitão Bolsonaro mandou dizer: na qualidade de comandante-em-chefe das Forças Armadas, vetaria a punição. Seria uma desmoralização completa. A opção foi olhar para o outro lado e absolver o Pazuello das várias violações do código militar que ele cometeu.

                                   Mas a coisa não ficou por isso mesmo. O generalato subiu nas tamancas. O general Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, demitido por Bolsonaro, escreveu a seus pares em tom de revolta. Disse sentir vergonha da situação a que o Exército havia sido submetido. Opiniões semelhantes ecoam nos quartéis. Comandantes de tropas querem fazer comunicados internos informando que hierarquia e disciplina serão cobradas a ferro e a fogo. Algumas fontes que usam uniformes já me informaram que esta orientação circula na caserna.

                                   O presidente Jair Messias Bolsonaro já disse, ameaçando Joe Biden: quanto as palavras acabam, é hora da pólvora. E há um cheiro de pólvora no ar!

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STF manda prender Roberto Jefferson, suspeito de conspirar contra a democracia e pregar a luta armada no país.

Jefferson com arma de guerra. Imagem divulgada por ele.

                              A Polícia Federal prendeu, na manhã desta sexta-feira (13 ago), o presidente nacional do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson. Ele é suspeito de atividades contra as instituições democráticas e é investigado em inquérito do Supremo Tribunal. O ministro Alexandre de Moraes mandou prender Roberto Jefferson por acreditar que ele oferece perigo para a investigação. Nas redes sociais, o ex-deputado, segundo a PF, propaga fake news a favor do presidente Jair Bolsonaro, espalhando ódio e pregando a luta armada contra o que chama de “ditadura do judiciário”.  

                              O STF afirma que este homem é inimigo da democracia.

                              Aqui no site já mostramos o ex-deputado exibindo um fuzil AR15A2, calibre 5.56mm, uma arma de guerra de origem norte-americana, que só pode ter chegado até ele por contrabando. Ele insinua que haverá um confronto de grandes proporções no Brasil, supostamente para dar a Bolsonaro poderes discricionários, com o fechamento do STF e do Congresso. O ministro Alexandre de Moraes afirma que Jefferson faz parte de uma organização criminosa que opera na Internet e que deseja  “a destruição das instituições republicanas”. No mandado de prisão, o ministro ordena buscas no sítio dele, no interior do Estado do Rio, onde estava ao ser detido, para encontrar armas. O resultado ainda não foi divulgado.

                              Roberto Jeferson fez parte da base aliada de Lula e foi autor da primeira denuncia do esquema de corrupção conhecido como “mensalão”, passando a ser considerado um traidor pelo PT. A denúncia de Jefferson provocou a demissão do ministro José Dirceu, homem forte do governo petista, e resultou no maior processo criminal já visto no STF, no qual o próprio Jefferson foi condenado.

Esbanjando valentia.

                              O presidente nacional do PTB, partido do “centrão” que dá sustentação política ao atua governo, agora é visto como extremista de ultradireita.

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Negociar, o grande dilema do capitão que quer comandar generais. Agora é o chefe do Centrão.

Bolsonaro muda de estratégia. Foto de divulgação

Bolsonaro, representante maior da direita dita cristã no Brasil, está perto de concluir o projeto de país que sempre sonhou: governado por militares, rompendo os direitos civis e trabalhistas e favorecendo o grande capital. Vende cargos no governo e compra apoio no Congresso. Já tem maioria parlamentar. É capaz de rechaçar qualquer tentativa de impedimento legal. Mentiu para os eleitores quando anunciou uma “nova política”, sem o famoso toma-lá-dá-cá. Agora é o líder do Centrão. Só falta domar a Suprema Corte.  A última resistência contra os desmandos.

Recentemente, mudou de estratégia. Ao invés da agressividade golpista, que poderia não se concretizar por falta de apoio popular e do próprio ambiente militar, redescobriu um substantivo chamado negociação. Quer salvar os filhos acusados de falcatruas e outros abusos, quando a justiça estica os dedos para pegá-los. Sabe que o generalato não sairia em defesa da família por crimes comuns, sob pena de desmoralizar-se para o resto dos tempos.

Bolsonaro, tomado por um surto de lucidez (?), ou por efeito de seus conselheiros, após as fracassadas ameaças de fechar o Congresso e o STF, mira-se no exemplo daqueles que sobreviveram negociando, como José Sarney, Michel Temer e o próprio Lula. Até Fernando Collor sobreviveu na política, apesar de renunciar ao governo. Ainda é senador da República, eleito livremente pelo povo de Alagoas. Os amplos acordos que firmaram na vida pública os salvaram, assim como às suas famílias. É bom ressaltar que as acusações contra Lula e Lulinha, além de Dona Marisa, nunca se comprovaram. E agora a Suprema Corte pode desautorizar o ex-juiz Sérgio Moro e absolvê-lo no caso do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. As provas nos processos seriam muito fracas ou inexistentes.  

Dilma Rousseff, que não sabia negociar e tinha comportamento arrogante, sofreu uma derrota arrasadora por conta de falsos crimes de responsabilidade, as pedaladas fiscais, mais tarde absolvidos pela justiça. Contra ela se ergueu o que havia de pior na política brasileira, o chamado Centrão, comandado por Eduardo Cunha. E não é que o capitão Bolsonaro se socorre justamente com o Centrão? É ou não é um estelionato eleitoral? Quem votou achando que o capitão representava a luta contra o PT e a corrupção no país, o maior câncer da brasilidade, enganou-se redondamente. Ele não só não tem nenhum projeto contra a corrupção, como tenta salvar o 01, acusado de uma forma pequena de corrupção chamada ‘rachadinha’, quando o parlamentar recebe de volta uma parte do salário dos auxiliares. É como roubar o dinheiro do estacionamento.  Medíocre até para bandidos. Um crime vagabundo em um país onde as elites surrupiam bilhões de reais por ano a olhos vistos.

Naquela reunião ministerial, que mais parecia uma conversa de botequim, Bolsonaro só mostrava preocupação com a família e amigos indeterminados, enquanto a pandemia ceifava vidas em massa. A divulgação do vídeo da reunião, autorizada pelo ministro Celso de Mello, do STF, foi o mais grandioso gesto de oposição visto até agora. A Corte é uma trincheira democrática que precisa, aos olhos da extrema direita, ser desmontada a qualquer preço. Mas não há como mandar prender os ministros sem rasgar todo o ordenamento jurídico do país. E isto o país e o mundo não aceitam, porque representaria romper todos os contratos vigentes e anular milhões de decisões judiciais.

Portanto, cabe negociar. Ou comprar todos os compráveis.    

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Bolsonaro e o golpe militar lembram a fábula de “Pedro e o Lobo”. “Chega, porra!”, vocifera o presidente, como se os tanques fossem sair às ruas no dia seguinte. E nada acontece.

                                  Pedro e o Lobo é uma história infantil, baseada em conto popular, contada através da música. Foi composta por Serge Prokofiev em 1936, com o objetivo pedagógico de mostrar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos. Cada personagem da história (o Pedro, o lobo, o avô, o passarinho, o pato, o gato e os caçadores) é representado por um instrumento diferente. Mas a fábula também tem significado objetivo, a respeito da verdade, da mentira e suas consequências. Pedro é um garoto, pastor de ovelhas. Quando se sentia muito entediado, costumava gritar: “Olha o lobo!”. Os camponeses se armavam com pás, enxadas e picaretas. Mas não tinha lobo nenhum. E Pedro ria.

                                   Um dia, o lobo apareceu, mas ninguém acreditava mais na ameaça. E Pedro foi gravemente ameaçado pelo predador.

                                   Jair Bolsonaro faz o mesmo. Toda vez em que é contrariado em sua brincadeira de governo, ameaça com o golpe militar, o fechamento do Congresso e do STF. Costuma dizer: “Já basta!” e “Chega, porra!”, como se os militares fossem sair imediatamente à ruas para proteger o governo e garantir a impunidade de seus filhos, acusados de inúmeros mau-feitos, de corrupção pura e simples (a rachadinha) ou de fake news e fraude eleitoral. Mas não acontece nada. A caserna continua em silêncio. A esteira dos blindados não rola sobe o país.

                                   O Congresso Nacional decreta luto oficial no país pelos mortos da Covid-19 à revelia do presidente. O Judiciário quebra o sigilo bancário e fiscal de 11 parlamentares, incluindo um senador, envolvidos com o governo, e mete na cadeia extremistas bolsonaristas. E o lobo não aparece. A grande mídia desanca o presidente e o governo. E nada acontece. A oposição pede a prisão do Ministro da (des)Educação e fica por isso mesmo, sendo que no STF há uma forte inclinação para mandar às barras o Sr. Weintraub, que chamou os ministros da Suprema Corte de “vagabundos”. E o lobo continua dormindo.

                                   É bom lembrar que o lobo quase come o Pedro na fábula. E que ele não teve nenhuma ajuda. Quem garante que um golpe militar manteria o capitão no poder?     

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Família Bolsonaro insufla golpe militar: “Acabou, porra!” – diz o presidente, sinalizando que está na hora de agir contra o Congresso e o STF. Generais respondem: “não vai haver golpe nenhum!”.

 

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Bolsonaro prega golpe. Militares respondem .Imagem do portal Amazonas. 

                                  O general Santos Cruz, que já integrou o governo Bolsonaro e é considerado uma das vozes mais ativas na caserna, declara na primeira página de O Estado de S. Paulo: “As Forças Armadas são permanentes e não se confundem com governos, que são passageiros”. O general Hamilton Mourão, vice-presidente, também na capa do  jornalão paulista, diz que golpe militar “está fora de cogitação”. Os comandantes-em-chefe das três armas seguem em silêncio.

                                   Enquanto isso, Jair Bolsonaro vocifera contra os poderes constituídos. Como o Supremo Tribunal decidiu que vai continuar com o inquérito que apura o esquema das fake news no país, supostamente coordenado por um “Gabinete do Ódio”, instalado com sala e tudo no próprio Palácio do Planalto e comandado pelo filho 03, Carlos Bolsonaro, o Carluxo, o capitão perdeu as estribeiras mais uma vez. Agora diz que “chega”, como se tivesse perdido a paciência. “Acabou, porra!”, como na iminência de um autogolpe. Tudo parece só mais um delírio do presidente, porque a realidade do país, castigado pela pandemia, não indica nada disso.

                                   Não há multidões nas ruas apoiando o presidente-capitão, a não ser pequenas manifestações de alguns militantes radicais. Aliás, trata-se de um ex-capitão paraquedista do Exército, já que foi processado pela Justiça Militar em 1987, supostamente acusado de terrorismo, e deu baixa. Tecnicamente, não é mais militar. Mas gosta da assim se definir. Aliás, de novo: na campanha eleitoral de 2018, apropriou-se do slogan da Brigada Paraquedista do Exército: “Brasil acima de tudo – Deus acima de todos”.

                                   No ambiente militar, Jair Messias Bolsonaro faz sucesso na baixa oficialidade e entre cabos e sargentos. Mas é visto com extrema desconfiança nos altos comandos. O discurso vociferante do presidente preocupa o generalato, porque o Brasil, uma das dez maiores economias do mundo (pelo menos até a pandemia), tem compromissos internacionais. Os ataques do chanceler Ernesto Araújo contra a China, maior parceiro comercial do país, assusta todo mundo e ameaça colocar o agronegócio brasileiro na oposição. As falas estapafúrdias de Abraham Weintraub, ministro da Educação, estão a ponto de criar uma crise diplomática com Israel. Ele já disse que o nazismo era de esquerda e pediu a prisão “daqueles vagabundos do STF”.

                                   Outra voz ativa do governo, a ministra Damares Alves, dos Direitos Humanos, na famosa gravação da reunião ministerial de 22 de abril, pergunta idiotamente: “não dá para prender governadores e prefeitos?”. Eduardo Bolsonaro, o filho 02, chegou a pregar uma reedição do AI-5 no país, caso a esquerda decida radicalizar. Qual esquerda iria radicalizar? Apoiadores do presidente afirmam que estamos na iminência da “tomada do poder pelos comunistas”. Quais? Onde? Para responder à última pergunta, radicais apoiadores de Jair Messias garantem que os russos vão invadir o Brasil a partir da Venezuela. E Vladimir Putin pode ser considerado comunista? É tudo uma sandice total!

                                   No entanto, o discurso do ódio segue mantendo apoiadores. Os institutos de pesquisa de opinião informam que a rejeição ao presidente aumenta. Mas também afirmam que a base de apoio continua firme em torno dos 33%. Historicamente, o PT tinha 34% de apoio. E elegeu Lula na quarta tentativa à presidência. Não é de espanar que Jair Messias Bolsonaro chegue à eleição presidencial de 2022 com grandes chances de vencer.

                                   Quem viver verá!

                                                          

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Extremista de direita, alvo de operação da Polícia Federal, ameaça ministro do STF. Sara Winter comanda o grupo “Os 300 do Brasil”, considerado milícia armada.

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A líder do grupo “Os 300 do Brasil”. Foto do arquivo pessoal de Sara Winter.

                                     O nome dela é Sara Fernanda Giromini. Tem 27 anos e se denomina blogueira e escritora. Já foi ativista feminista, contra o cristianismo e a favor da homossexualidade e do aborto. Fundou o Femen Brasil, réplica tupiniquim do famoso movimento radical de mulheres ucranianas. Depois de sofrer um aborto, como escreveu em um livro, converteu-se ao bolsonarismo e tentou uma candidatura a deputada (Dem-RJ). Não foi eleita. Nome de guerra: Sara Winter.

                                   Na manhã desta quarta-feira (27 maio), ela foi um dos 29 alvos da Polícia Federal no inquérito que investiga as fake news no país. O mandado de busca e apreensão contra Sara foi assinado pelo ministro Alexandre de Morais, do STF, que apura o funcionamento do chamado “Gabinete do Ódio”, uma “organização criminosa”, segundo o ministro, que seria responsável pela divulgação de mensagens falsas contra opositores do governo Bolsonaro. A PF apreendeu o celular e um notebook da militante de extrema direita.

                                   Indignada com a ação policial, xingou o Ministro Alexandre de Morais de “esse filho da puta de arrombado”. Acrescentou que gostaria de “trocar uns socos com ele”. E ameaçou: “O senhor não terá mais paz. Vamos descobrir os lugares que o senhor frequenta”. Até agora, seis e meia da tarde, não foi presa por ameaçar um ministro da Suprema Corte.

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                                   Sara Winter aparece em fotos abraçada com o presidente Jair Bolsonaro e com a ministra Damares Alves. É tida como importante líder ultraconservadora e comanda o acampamento “Os 300 do Brasil”, instalado no centro de Brasília. O Ministério Público do DF classificou o acampamento como “grupo armado paramilitar” e pediu à justiça que revistasse e interditasse o local. Mas o caso caiu nas mãos de uma juíza da Vara da Fazenda Pública. A meritíssima disse que não era com ela. Provavelmente, não era mesmo. E ficou assim.          

                                    Sara declarou a jornalistas da Folha de S. Paulo que havia armas no acampamento, “apenas para proteção do pessoal”. E foi isso que desencadeou a ação do MPDF. Em várias entrevistas, a militante explicou os motivos da sua luta: contra o comunismo, a ditadura do Judiciário, contra o aborto e as drogas. O grupo “Os 300 do Brasil” realiza treinamentos paramilitares e tem um programa de recrutamento. Não se sabe quem financia o movimento, mas Sara Winter trabalhou no ministério de Damares Alves.   

 

 

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A tubaína e o novo milagre brasileiro.

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A construção da Transamazônica. Imagem do Portal R7.

                        A performance pública do presidente Jair Messias Bolsonaro arrepia o mundo civilizado. Já foi considerado o maior inimigo do combate à pandemia, entre todas as Nações. Aqui ele faz piadas sobre a mortandade, diz que “a direita toma cloroquina, e a esquerda… toma tubaína”. Na verdade, nos acampamentos bolsonaristas, as pessoas tomam até remédio contra piolhos. Já vimos isso nos Estados Unidos, quando Donald Trump, o Bolsonaro do Norte, mandou tomar detergente e houve um elevado índice de intoxicação no estado de Nova York.

                        A tubaína, além de um refrigerante muito popular no interior, era o apelido de um método de interrogatório durante a ditadura, quando uma mangueira era enfiada pela boca do preso e provocava afogamento. “A direita toma cloroquina e a esquerda… toma tubaína”, disse o presidente entre gargalhadas. (Não custa repetir.) Não é a primeira vez que ele elogia a tortura. Coisas como essa correm o mundo, saem na primeira página dos jornais. Bolsonaro é o chefe de Estado mais citado do mundo, por motivos negativos. Agora colocou o Exército Brasileiro no vergonhoso papel de polícia contra ambientalistas – e até contra o Ibama – favorecendo grileiros, madeireiros e garimpeiros clandestinos.

                        Em todo o planeta, com a quarentena, diminuiu a emissão de carbono, o principal poluente. Menos no Brasil, por causa de um aumento de 51% nas queimadas e desmatamentos em áreas de proteção ambiental. Lá em 1969, o general-presidente Arthur da Costa e Silva tinha afirmado que a Amazônia seria “domada” pelas patas do gado. O sonho do regime militar de um Brasil Grande incluía rasgar a floresta com enormes rodovias, como a Transamazônica e a Perimetral Norte, pontos de partida para um projeto de assentamento de sitiantes e fazendeiros. Foram distribuídos dezenas de milhares de títulos de terra. Depois os pequenos proprietários foram engolidos, às vezes a bala, por grandes latifundiários associados aos bancos. Até o asfalto da minha rua sabe que a emenda saiu pior que o soneto.

                        Agora, décadas depois, o projeto ganha novo fôlego com a autocracia do capitão Messias. Um Messias que já sabemos, de voz própria, que não faz milagres.                  

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Quem com golpe vence, com golpe será vencido: general Hamilton Mourão começa a se descolar de Bolsonaro, cuja atuação caótica desmoraliza as Forças Armadas.

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O general Mourão, fiel da balança?

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, ainda discretamente, começa a se afastar da figura pública de Jair Bolsonaro. Ele atende, com isso, aos reclamos da alta oficialidade das Forças Armadas, insatisfeita com os rumos e desacertos do governo. Além da tragédia do coronavírus, desdenhada pelo capitão, o desastre econômico é evidente. Antes da pandemia, a previsão oficial de crescimento do PIB 2020 era de ínfimos 0,02%. Ou seja: nada! Agora, a previsão dos mercados nacional e internacional é de um PIB negativo entre 5% e 10%, com consequências arrasadoras para o capital e o trabalho.

                        Alheio a tudo isso, Jair Bolsonaro continua a promover espetáculos diante do cercadinho de jornalistas em frete ao Palácio da Alvorada, conquistando manchetes a cada dia mais desfavoráveis ao governo. Sob aplausos de apoiadores, talvez uns dez indivíduos, vocifera contra a imprensa e manda os repórteres calarem a boca. Demonstrações claras de intolerância (possivelmente ideológica) e de ignorância política. Os diários impressos e os telejornais babam de alegria a cada tropeço do “mito”. Insensível, JMB releva a mortandade no país e pede que todos voltem ao trabalho, seja como for. “Vai morrer gente mesmo”. São Paulo já previu 100 mil mortes no estado até o fim do ano. Isto foi dito ao Jornal da Cultura pelo coordenador do núcleo de emergência em São Paulo, Dimas Covas, em depoimento estarrecedor.

                        O presidente acredita que está em guerra e que “precisamos jogar pesado contra os governadores”, que se recusaram a seguir orientações de um ministro da Saúde catatônico, agora substituído por um general. A base político-empresarial do capitão, incluindo a grande indústria, as redes de varejo e os bancos e financeiras, começa a derreter. O agronegócio, apoiador de primeira hora, morre de medo da política externa que esculhamba a China, o maior parceiro comercial do Brasil. O governo chinês já resolveu comprar 1 milhão de toneladas de soja dos EUA, produto que saia do campo brasileiro até o ano passado.

                                   Além do mais, o generalato está preocupado com a paralisia econômica, que joga milhões e milhões de cidadãos no desemprego e na miséria. Já se pode dizer que, em dois meses, mais de 30% da população perderam a renda e beiram a pobreza, com a ameaça soturna da fome. O ministro Paulo Guedes já disse que a partir de julho há a possibilidade de conflitos sociais motivados pelas crises sanitária e econômica. Os analistas em uniformes enxergam ainda mais longe: podem ocorrer convulsões sociais com significado político. Isto quer dizer: roubos armados, saques e violência generalizada, com enfrentamentos contra as forças de segurança. Vale lembrar: aqui a criminalidade já mata 60 mi por ano, no qual ocorrem também 35 mil desaparecimentos de pessoas e 40 mil vítimas do trânsito.

                                   O Brasil não é uma ilha de tranquilidade. Aqui temos matéria explosiva, especialmente causada pelas desigualdades sociais e econômicas.

                                   Os generais estão vendo tudo isso. O Ministro da Educação, em reunião gravada do Conselho de Ministros da República, classifica a Suprema Corte de “aqueles 11 filhos da puta”. A ministra Damares Alves, dos Direitos Humanos, uma fundamentalista evangélica (“terrivelmente evangélica”, como se define) pergunta se não dá para prender os governadores rebeldes. Os militares, que se consideram os guardiães na Pátria, estão espantados. Após três décadas de afastamento da política, devem se perguntar: o que estamos fazendo aqui? Há dezenas de uniformes no governo.

                                   É neste tabuleiro que Mourão de movimenta. Publicou artigo no Estado de S. Paulo onde apresenta um programa de governo baseado em quatro pontos: a mídia é canalha e não dá espaço para opiniões divergentes, ou seja, a favor do regime; o Supremo atropela o Executivo e quer governar, desconhecendo a harmonia entre os Poderes estabelecida pela Constituição; Legislativo e Judiciário fazem o mesmo, criando o caos. Resumo: precisamos de um governo forte para que o Brasil encontre grande destino entre as Nações. É típico dos discursos dos generais-presidentes do regime militar (1964-85), que tinha apoio quase integral das elites e do grande capital, com uma diferença: sem o Bozo.

                                   Além do artigo no Estadão, Hamilton Mourão teria preparado uma lista do que poderia ser o ministério dele. Um ministério de conciliação nacional, para pacificar o país. Até aqui, é tudo boato. É claro que pode ser apenas fantasia, mas a lista teria, especialmente porque abria espaço para as esquerdas, um caráter consiliador. Na pasta da Economia, nada mais, nada menos do que Bresser Pereira, o economista dos bancos e do grande capital. Notável pela participação nos governos do PSDB e amigo de Fernando Henrique Cardoso. Na Defesa poderiam estar Aldo Rebello ou Raul Jungmann, este último já elogiado por Bolsonaro. Somos nós os loucos – ou o general pirou?

                                   Bolsonaro deve estar se perguntando: “Até tu, Mourão?”

 

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