Nem o massacre em Las Vegas (até agora 59 mortos e 517 feridos) consegue convencer os americanos a rever as leis de acesso às armas. Trump foi à TV chorar pelas vítimas, mas não tocou no problema.

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Pânico em Las Vegas. Imagem CNN.

                                    Os Estados Unidos têm uma longa história de atentados a tiros. Em escolas, bares, empresas, universidades. Tudo em plena luz do dia. Nada se compara ao que aconteceu em Las Vegas: um terrorista solitário, de 64 anos de idade, do alto de um hotel na capital dos cassinos, abriu fogo de fuzis automáticos contra uma multidão de mais de 20 mil pessoas que assistia a um show de música sertaneja americana. Matou dezenas e feriu centenas. Quando a polícia chegou ao quarto de onde ele disparava, foi recebida com rajadas de balas. O cara se matou antes de ser apanhado.

                                   O atirado, que não tinha antecedentes criminais, mas era filho de um famoso ladrão de bancos, tinha em seu poder 16 armas de guerra e farta munição, além de explosivos. A polícia local supõe que ele disparou 300 tiros. Ninguém sabe como entrou em um dos hotéis mais luxuosos de Las Vegas com tamanho arsenal. O topetudo Donald Trump, na manhã seguinte, foi à TV lamentar o massacre. Nem uma única palavra sobre o controle da venda de armas. Nos Estados Unidos, 300 milhões de armas estão nas mãos de civis. Dá para comprar até em supermercados. Dez por cento da força de trabalho americana está empregada na indústria de defesa e na produção de armamentos. O interesse econômico, como aqui no Patropi, compra a maioria dos congressistas. E la nave va.

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As forças de segurança agiram em minutos.

                                   O FBI e a CIA se apressaram em afirmar que o atirador de Las Vegas não tinha ligação com grupos terroristas. Nem precisava: esse tipo de atentado é corriqueiro na América. Trata-se de gente alucinada – e armada até os dentes. Na casa do assassino em massa foi encontrado outro arsenal. E o lobby da indústria armamentista vai impedir uma discussão mais séria sobre o tema.

                                   Alguma semelhança com o Brasil?    

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Tributo ao repórter: Marcelo Rezende foi um bom companheiro e um jornalista preocupado com o sentido social da profissão. Depois fez outras escolhas. Na minha memória, é o velho Tela Cheia de sempre.

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O repórter Marcelo Rezende. Imagem Record TV.

 

                                   Esta semana publiquei um artigo em Notícias da TV, no portal do UOL dirigido por Daniel Castro. Contei duas histórias que compartilhei com Marcelo Rezende na TV Globo. Reproduzo, a seguir, o texto original.    

“Marcelo Rezende gostava de aventuras e de correr perigo.

 Marcelo Rezende era um tanto gordo, até barrigudo. O rosto redondo e os cabelos ralos justificavam o apelido que demos a ele: Tela Cheia. Era um repórter agressivo, de voz rouca, em português rústico. Mas a aparência, um tanto grosseira, escondia um jornalista determinado e consciente do papel social da profissão.

Nos conhecemos em O Globo, onde ele cuidava de assuntos ligados ao esporte. No diário carioca, ele desenvolveu uma linguagem simples, mas sempre focada em notícias explosivas. Marcelo tinha esta mania de exclusividade nas coisas que fazia. Anos depois, nos reencontramos na TV Globo.

Fui diretor de jornalismo da emissora no Rio de Janeiro, no início dos anos de 1990, quando ele trabalhava diretamente comigo em reportagens especiais. Por ocasião do sequestro do empresário Roberto Medina, dono da Artplan e criador do Rock in Rio, Marcelo protagonizou uma caçada implacável aos sequestradores.

Certo dia, após a exibição do JN, o repórter sentou-se na minha frente, na Editoria Rio, e me contou uma história extraordinária: havia descoberto o paradeiro dos sequestradores de Medina. Os detalhes da investigação eram extremamente complexos e não cabe detalhar aqui todos as ranhuras da investigação, por que a história seria longa demais.

Marcelo, me olhando fixamente, como era de seu estilo, me disse: “Os sequestradores estão em Assunção do Paraguai e eu tenho o endereço. Quero ir até lá com uma equipe de policiais e um cinegrafista. Preciso de um avião fretado e que tudo fique em segredo absoluto”. Eu peguei o telefone e liguei para o diretor da Central Globo de Jornalismo, à época, Alberico de Souza Cruz. Disse ao nosso chefe maior que sabíamos onde estavam os sequestradores, em busca de autorização para gastar uma boa grana e realizar uma operação clandestina, não reconhecida pelos governos brasileiro ou paraguaio.

Era mesmo uma aventura, que poderia ter resultados desastrosos, como de fato teve. Mesmo assim, fui autorizado a prosseguir na empreitada. Marcelo Rezende e o cinegrafista, além dos policiais civis do Rio, chegaram em um voo fretado. A falta de uma justificativa para a viagem, despertou o interesse das autoridades paraguaias.

Quando ele e a equipe chegaram ao aeroporto de Assunção, faziam de conta que não se conheciam. Andavam separados. Mas o destino conspirou contra eles: a primeira pessoa que Marcelo Rezende viu no saguão de desembarque foi exatamente um dos sequestradores. E o cara disse para ele: “Eu conheço você. É um daqueles repórteres da TV Globo”. Ele desconversou e disse que estava de férias. O encontro se desfez rapidamente.

Marcelo, o cinegrafista e os policiais se hospedaram em um pequeno hotel próximo ao endereço conhecido dos criminosos, num bairro residencial de Assunção. Combinaram que o ataque seria no dia seguinte, pela manhã. Deu tudo certo. Aparentemente.

A equipe da polícia do Rio, totalmente desarmada, invadiu o endereço dos sequestradores e deteve três deles. No grito. Os homens não ofereceram nenhuma resistência. Mas o projeto estava totalmente prejudicado. A guarda nacional paraguaia, comandada pelo General Sanches, já havia apreendido o avião no aeroporto, prendido o piloto da TAM e seguia discretamente o grupo de brasileiros.

Quando todos eles voltavam para o aeroporto, foram cercados por um enorme grupo de policiais paraguaios. Receberam voz de prisão e foram levados para uma instalação militar desconhecida do grande público, onde a ditadura do governo de Alfredo Strossner, já havia cometido muitas atrocidades. No quartel, o General Sanches, os acusou de terrorismo, pirataria aérea e sequestro.

A partir deste momento, criou-se um enorme impasse diplomático entre Brasília e Assunção: uma equipe da TV Globo, acompanhada de policiais, desaparecera na capital do Paraguai. Um jato da TAM estava arrestado e a tripulação presa. Quando soube do desaparecimento de todos eles, entrei em contato com a alta direção da Globo para tentar algumas providências.

A emissora falou com o então presidente Fernando Collor sobre o incidente e eu fiz contato com o governador do Paraná, Álvaro Dias, para iniciar uma negociação que trouxesse de volta nossos repórteres e os policiais cariocas. O governador Álvaro Dias, até pela proximidade das fronteiras, mantinha estreitas relações com o governo paraguaio. Toda esta gestão diplomática resultou na liberação dos brasileiros, na permissão de que os presos fossem libertados e que os sequestradores fossem repatriados ao Brasil, sem nenhum processo de extradição. Foi um acordo entre governos.

Mas o general Sanches, comandante da Guarda Nacional, não ficou nada satisfeito. Mandou apreender todas as fitas gravadas, desde a saída no Rio de Janeiro, até a prisão dos criminosos. Só que no Paraguai não havia, naquela época, equipamentos de reprodução de áudio e vídeo Sony Beta. Então a polícia aceitou a entrega de algumas fitas sem saber o que havia dentro delas. Marcelo Resende entregou ao general Sanches alguns shows da Xuxa e arquivos sem nenhum valor. Todas as gravações daquela aventura sobreviveram.

Marcelo Resende, câmera, os policiais e os presos chegaram ao Rio de Janeiro na madrugada de sábado para domingo, a bordo do jatinho da TAM, também liberado. O meu problema era editar o extenso material gravado e colocar no ar no Fantástico daquele domingo. Ninguém dormiu naquela noite.

O material, com 26 minutos de duração, foi exibido. Mas só ficou pronto quando o Fantástico já estava indo ao ar. Foi uma das maiores audiências já registradas, além de um furo de reportagem notável. O trabalho exigiu nervos de aço, como diria Lupicínio Rodrigues na música famosa.

Mas esta não foi a única vez que eu e Marcelo Rezende tivemos aventuras na TV Globo. Em 1991, quando participei da direção do Rock in Rio II, tive a ideia de abrir a cobertura do festival com uma imagem aérea do Maracanã, onde havia um anel de luzes de neon azul sobre o estádio. A imagem seria mostrando de helicóptero, justamente com o repórter Marcelo Rezende, que diria no ar: “Vai começar o maior show de rock do planeta”. Alguns minutos antes da transmissão, onde eu fazia o controle mestre do evento, com o Roberto Talma e Boninho, encarregados do corte do show, o repórter Marcelo Rezende me informou pelo rádio que havia uma pane hidráulica no helicóptero. Respondi: “Só preciso que vocês fiquem aí por mais 30 segundos”.

E Marcelo acrescentou, num tom dramático: “Nós vamos cair”. Naquela eletricidade de abertura do festival, eu disse a ele: “Se cair, caia gravando”. Deu tudo certo na abertura do Rock in Rio II. Mas o helicóptero fez um pouse de emergência no aeroporto Santos Dumont. De fato, havia o risco de um desastre.

Esse foi o Marcelo Rezende que conheci. O cara gostava do perigo. Foi autor de reportagens notáveis na Globo. Depois fez escolhas diferentes. Mas, na minha memória, é o velho Tela Cheia de sempre”.   

 

 

 

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Gilmar Mendes toma goleada no STF: por 10 votos a favor e 1 contra (do Gilmar), Suprema Corte manda seguir denúncia de Janot contra Michel Temer. Acusação: obstrução à justiça e crime organizado. É a primeira vez que o chefe do governo é acusado de comandar uma facção criminosa.

 

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O general Augusto Heleno.

Quando publiquei “Assalto ao Poder” (Editora Record, 2010), afirmei que o crime organizado pretende a tomada do poder. Fui chamado de exagerado. Agora a Procuradoria-Geral da República diz que Michel Temer, presidente do Brasil, comanda uma organização criminosa. A decisão do STF, tomada na tarde de hoje (21 set), dá prosseguimento à denúncia feita por Rodrigo Janot. E dá a entender que faz sentido e merece ser investigada. Ou seja: o crime organizado pode já ter  chegado ao poder na terra brasilis.

                                   A decisão da Suprema Corte, quase unânime, se não fosse pelo voto de Gilmar Mendes, será enviada ainda hoje para a Câmara dos Deputados. Pela Constituição Federal, os deputados têm que autorizar o processo criminal contra Temer. O mais provável é que não autorizem, porque a maioria temerista na Câmara deve rejeitar as acusações, sem investigá-las. Só que isso aumenta o desgaste político do governo e a rejeição da opinião pública. E muitos deputados governistas temem a reação dos eleitores no ano que vem. Precisam do mandato para estar protegidos da justiça.

                                   E já começou a barganha de cargos e vantagens para rejeitar a segunda denúncia da PGR. É o famoso toma-lá-dá-cá. Confirmando a tese de que é dando que se recebe. Atestando o total apodrecimento do sistema político. Um presidente postiço, que fez aquele discurso patético na ONU, sobre um país das maravilhas que não existe no mundo real, vai sobreviver às novas acusações. Em troca da liberação do dinheiro público para uma classe política que nos envergonha.

                                   Enquanto isso, cresce a agitação no meio militar. Os generais Antônio Mourão e Augusto Heleno, que representam o pensamento das casernas, fizeram pronunciamentos públicos ameaçando uma intervenção das Forças Armadas se o judiciário não for capaz de lidar com os corruptos. O próprio comandante-em-chefe do Exército, o general Villas-Bôas, em entrevista a Pedro Bial, na TV-Globo, disse que não haveria punições para esse tipo de manifestação de opinião política. De forma lateral, endossou tais opiniões.

                                   E qual seria o projeto golpista dos militares? Na minha opinião, seria o seguinte: afastam Temer, Rodrigo Maia e Eunício de Oliveira; dão posse à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Carmem Lúcia. Em seis meses, ela convocaria eleições diretas. Mas este parece ser um cenário de ficção. Na realidade, Michel Temer deve concluir o mandato. Só que não governa nem mesmo a própria base aliada.   

 

       

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Raquel Dodge toma posse na PGR. Na plateia, muitos políticos investigados na Lava Jato. Na mesa diretora da solenidade, só uma pessoa não está sendo investigada: a ministra Carmem Lúcia, presidente do STF.

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Raquel Dodge, a nova chefe da PGR. Imagem Agência Brasil.

Como é de seu estilo, ao tomar possa como a primeira mulher a ocupar a Procuradoria-Geral da República, Raquel Dodge foi econômica nas palavras e discreta na aparência. No breve discurso, citou sete vezes o combate à corrupção, diante de plateia duvidosa. Rodrigo Janot não apareceu para a transmissão do cargo. Disse que não foi convidado. Além da nova procuradora, o único a discursar foi o presidente Michel Temer. Denunciado por corrupção, obstrução de justiça e organização criminosa, Temer falou sobre abuso de poder, insinuando que o Ministério Público, sob Janot, havia passado da conta.
Dodge e Janot representam posições diferentes na PGR. Ele era agressivo e divulgava amplamente o trabalho dos procuradores. Ela é avessa ao espalhafato da mídia e considerada uma técnica do direito, com mestrado em Harvard. Foi escolhida pelo presidente por ser uma opositora de Janot. Mas observadores mais próximos da procuradora garantem que ela não vai dar nenhuma colher de chá para os corruptos em geral. A ver! Raquel Dodge montou um grupo técnico à frente das investigações da PGR, gente ligada ao processo do “mensalão” e outras operações contra políticos.
Mas a pedra de toque da nova procuradora será em relação às denúncias de Janot contra Temer e vários de seus apoiadores. Vai refrescar? Apoia a tese de que Temer precisa prosseguir para garantir as “reformas” apoiadas pelo mercado e o grande capital? Ela já disse que dará ênfase aos direitos humanos, especialmente à questão indígena. É uma mudança de foco em relação à corrupção generalizada que devasta o país? Janot afirmou que partidos políticos se tornaram facções criminosas. Ela concorda?
Vai passar algum tempo até que entendamos os rumos que a PGR vai assumir daqui para a frente. O que explicaria a alegria do PMDB com a indicação de Dodge? Estiveram em massa na posse, incluindo os angorás investigados. Aliás, Rodrigo Maia, outro dos suspeitos, nesse momento é o presidente do Brasil.

Quem viver, verá!

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Artigo publicado neste site em março do ano passado provoca explosão de leitores agora. Foi um texto tentando explicar o que poderia ter acontecido com Lula ao sofrer a famosa condução coercitiva por ordem de Sérgio Moro.

                                   A matéria é do dia 12 de março de 2016. As informações, que apurei com fonte em uniforme, nunca foram questionadas. Muito menos desmentidas. Não houve notas oficiais de nenhuma das partes envolvidas: o judiciário, a Aeronáutica, o PT ou a Polícia Federal. A crise política brasileira tem acirrado o interesse do público virtual, talvez porque vivamos sob um governo chamado de ilegítimo e enxovalhado por centenas de acusação graves. As mídias alternativas brasileiras estão se transformando em importante massa crítica. Há entre os leitores uma sensação de que os grandes jornais, a televisão e o rádio servem a interesses políticos e comerciais. Daí a importância de meios de informação independentes, como este site. Aqui praticamos um jornalismo pluralista e apartidário. Com o impedimento da presidente Dilma Rousseff, defendemos a convocação de eleições gerais. Com as acusações contra Temer, defendemos a renúncia dele.

                                   Aproveitamos o interesse para republicar, abaixo, o artigo em questão.

O mistério de 4 de março: tropa da Aeronáutica impediu que Lula fosse levado para Curitiba. Coronel assumiu o controle do aeroporto de Congonhas e não deixou avião da PF decolar.

O mistério, cuidadosamente evitado pela grande mídia, cerca o noticiário em torno da detenção do ex-presidente Lula. Na sexta-feira 4 de março, quando ele foi levado de sua casa, em São Bernardo do Campo, para o Aeroporto de Congonhas, sob custódia da Polícia Federal e com mandado de condução expedido pelo juiz Sérgio Moro, o plano era embarcar o petista em um jatinho dos federais e levá-lo a Curitiba? Uma espécie de sequestro? Até agora – uma semana mais tarde – ninguém sabe explicar que aconteceu.

Entre os grandes jornais do país, aparentemente só a Folha de S. Paulo tocou no assunto. Foi na coluna de Jânio de Freitas, com o título de “O plano obscuro” (edição online de 10 de março). Parece incrível que algo assim, se de fato aconteceu, tenha escapado às primeiras páginas e aos telejornais. Nas redes sociais e na blogosfera pululam as informações a respeito desse episódio misterioso. O que de fato teria acontecido?

Com base no texto da Folha e no noticiário da Web, reconstituo o que teria ocorrido:

Depois de Lula ser apanhado em casa, os agentes da PF percorreram de carro os 25 quilômetros entre São Bernardo do Campo e o Aeroporto de Congonhas, onde um jatinho esperava o grupo na área destinada a autoridades. Eram mais de 10 policiais e procuradores. Alguns dizem que eram mais de 20, incluindo uma força de operações especiais uniformizada e fortemente armada. Todo esse pessoal, levando o ex-presidente, se dirigiu à área reservada do aeroporto, considerada zona militar por questões de segurança. Uma área controlada pela Aeronáutica. Os militares estranharam a movimentação de gente armada e bloquearam a passagem dos agentes. O coronel comandante da base, cujo nome não foi revelado, foi chamado às pressas. Todo o efetivo da Aeronáutica em Congonhas foi mobilizado.

Ao saber que os federais estavam conduzindo um ex-presidente da República, quis saber onde estava o mandado de prisão e o plano de voo do jatinho. Não havia nenhum dos dois. Resultado: cercou com tropa armada os policiais e promotores federais e mandou bloquear a pista. O coronel teria avisado a administração de Congonhas que estava assumindo, naquele momento, o controle do aeroporto. Também teria comunicado ao grupo que detinha Lula: “Vocês sabem o que estão fazendo com um ex-presidente? Daqui vocês não passam!”.

Impedidos pelo comandante da base, os homens da Lava-Jato não tiveram alternativa: interrogaram Lula ali mesmo, numa sala VIP (durante três horas) e o libertaram a seguir. No entanto, a Aeronáutica não confirma essa versão dos fatos. Mas também não desmente. A PF e os promotores também não. E o próprio Lula não citou o episódio na coletiva que deu após ser libertado. Houve um acordo? Por que Lula foi levado ao aeroporto e não à sede da PF, no bairro paulista da Lapa? E o juiz Sérgio Moro, disse alguma coisa? Não.

Ao que tudo indica, o episódio vai ficar para os historiadores. Talvez daqui a dez anos se saiba o que de fato aconteceu naquela manhã de sexta-feira.

 

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Janot denuncia Temer pela 2ª vez: organização criminosa e obstrução de justiça. O procurador deixa o cargo no domingo. O “quadrilhão” de Temer teria desviado 587 milhões dos cofres públicos.

                                   A três dias de deixar a Procuradoria-Geral da República, Rodrigo Janot denuncia o presidente Michel Temer mais uma vez. A acusação: é líder de uma organização criminosa instalada no governo e teria tentado comprar o silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, por meio o dono da Friboi. Joesley Batista e Ricardo Saud também foram denunciados. Janot pede ao STF que esses dois sejam entregues ao juiz Sérgio Moro. No que parece ser o último ato do procurador à frente da PGR, Janot aproveitou para denunciar aqueles que seriam cúmplices de Michel Temer no crime organizado: os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretária-geral), além de políticos íntimos do presidente, como Eduardo Cunha, Henrique Alves, Gedel Vieira Lima (o homem de 51 milhões de reais) e Rodrigo Loures (o home da mala de 500 mil reais).

                                   A flecha de prata de Janot não terá efeitos práticos contra Temer, ao menos até o dia 1º de janeiro de 2019, quando ele volta a ser um cidadão comum e poderá enfrentar a primeira instância do judiciário. Talvez nas mãos de Moro. A denúncia, que poderia afastar o presidente do cargo, deve ser rejeitada pela maioria governista na Câmara dos Deputados. Mas aumenta o desgaste político do mandatário, que amarga rejeição pela maioria absoluta da população brasileira. É o presidente com pior avaliação nos últimos 50 anos. Só que deve sobreviver e terminar o mandato, com apoio dos aproveitadores que o cercam.

                                   De acordo com o Ministério Público Federal, a organização criminosa comandada por Temer teria desviado 587 milhões de reais dos cofres públicos, por meio de propinas. As vítimas: Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, Ministério da Integração e a Câmara dos Deputados. O grupo criminoso, em relatório da Polícia Federal, é chamado de “quadrilhão do PMDB”. Perdemos todos nós, o populacho em geral. Aquela gentinha que paga tributos para ser roubada.

                                   Perto dessa gente, Fernandinho Beira-Mar e Marcola são reles ladrões de galinha.     

                                  

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STF autoriza abertura de inquérito criminal contra Michel Temer. Polícia Federal apresenta relatório informando que há indícios de crime organizado contra o presidente. Temer seria o líder de uma facção criminosa.

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O ministro Luís Roberto Barroso autoriza abertura de inquérito contra Temer. Imagem TV Justiça.

 

                      O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou hoje (12 set) a abertura de inquérito criminal contra o presidente Michel Temer. O mandatário da República teria beneficiado empresas que atuam no porto de Santos. Caso clássico de corrupção. Para piorar: relatório da Polícia Federal diz que Temer está ligado ao “quadrilhão”, organização criminosa ligada à cúpula do PMDB, que saqueou o país durante os últimos 20 anos. Crime continuado. Serial killer. O governo Temer reúne a maior quantidade de suspeitos de crime em toda a história do país. Gedel Vieira Lima, amigo e companheiro do presidente, foi flagrado com 51 milhões de reais escondidos em um apartamento em Salvador. Diga-se: já estava preso em condição domiciliar – e sem tornozeleira. O tesouro estava a apenas 1 quilômetro da casa dele. Ou seja: continuava cometendo crimes. Outros de seus ministros, aparentemente, estão na mesma situação.

                      Eduardo Cunha e Michel Temer, com apoio de Gedel, Moreira Franco e Eliseu Padilha, comandaram a rebelião do “centrão”, no ano passado, que resultou no golpe parlamentar que derrubou a presidente Dilma Rousseff. O “centrão”, também conhecido como “baixo clero” no Congresso, é um grupo de cerca de 300 parlamentares que vive de abusos do mandato. Legislam em causa própria, defendem interesses regionais escusos. Sobrevive à custa de coligações partidária para apoiar candidatos em troca de tempo de propaganda eleitoral e uso abusivo do funda partidário, que reúne quase 1 bilhão de reais. O “centrão” está sempre à venda, especialmente com a obtenção de cargos no governo e por meio de liberações das “emendas parlamentares ao orçamento da União”, as maiores fontes de corrupção no país.

                      É claro que Dilma e o PT cometeram todos os erros que poderiam cometer. Não estavam à salvo das negociatas políticas. Erraram demais. O partido da ética na política se confundiu com a porcaria ao redor. Achou que, para governar, deveria aderir ao lamaçal. Resultado: o PT foi quase destruído. Nas eleições municipais de 2016, caiu da segunda para a décima posição. Mesmo assim, o Partido dos Trabalhadores não se alinha às forças que querem a deposição de Michel Temer. Não apoiou a convocação  de eleições diretas. Quer esperar o fim desse governo calamitoso para tentar eleger Lula em 2018, porque o eterno candidato do partido ainda é o melhor avaliado nas pesquisas de opinião pública. Se escapar da Lava Jato, Lula vence a eleição. Mas essa perspectiva é quase remota.

                      O plano B de Lula é com Fernando Haddad.  

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