Donald Trump acende um rastilho de pólvora no Oriente Médio. Acaba de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. E – risos – diz que vai erguer ali uma embaixada americana como monumento à paz.

 

                      Em um rápido pronunciamento pela televisão, na Casa Branca, o presidente americano rasgou 70 anos de política externa dos Estados Unidos. Anunciou, sem dar direito a perguntas dos jornalistas, que vai transferir a embaixada do país dele: de Tel-Aviv para Jerusalém. Tornou-se o único país do mundo a reconhecer a Cidade Santa como capital do Estado Judeu. Desde 1947, após a Segunda Guerra Mundial, Jerusalém havia sido declarada “cidade internacional” pelas Nações Unidas, porque abriga as relíquias das três maiores religiões do mundo: cristãos, judeus e muçulmanos.

                             Com tal declaração estapafúrdia, desconhecendo os alertas de perigo dos aliados na região, o topetudo Trump acendeu o pavio de novos (e graves) conflitos no Oriente Médio. A reação palestina foi decretar “três dias de fúria” contra a medida unilateral. Vem por aí mais violência e mais terrorismo. Dois dos mais tradicionais aliados americanos, a Arábia Saudita e a Turquia, fizeram pronunciamentos públicos avisando que a decisão de Trump atravessava uma linha vermelha no mundo muçulmano. Com certeza, o Hamas e o Hezbollah, grupos islâmicos radicais, afiam as armas. Sem falar da Al Qaeda e do ISIS.

                      E por que Donald Trump fez isso, justamente agora, sem qualquer motivo aparente? Porque a colônia judaico-americana exerce enorme influência na política e na economia do país. E boa parte do segmento se identifica com o Partido Democrata, opositor de Trump no Parlamento americano. Ao dizer que Jerusalém é a capital de Israel, atende a esse segmento da vida nos Estados Unidos. E ele não está nem aí para a violência que vai provocar. É só um populacho do Oriente Médio.

                      E o resto é bobagem!

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Michel Temer está nu: base de apoio do governo se recusa a votar a impopular reforma da Previdência. É medo do eleitorado no ano que vem. Pode morrer na praia.

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Temer comemora vitórias esperada, porém duvidosa.

 

                                   Enquanto Dilma Rousseff amargava forte reação da classe média contra o governo dela, o PT e a corrupção, o vice Michel Temer cuidava de preparar um programa de poder chamado “Uma ponte para o futuro”, adjetivado de “pinguela” por Fernando Henrique Cardoso. O conteúdo político do manifesto de rompimento com Dilma, uma senha para a rebelião dos setores conservadores no Congresso, resultou no impedimento da primeira mulher presidente do país. Era coisa velha. Desde os tempos da oposição de direita a Getúlio Vargas, depois que o caudilho voltou pelo voto popular.

                                   No entanto, por trás daquelas mal traçadas linhas da “ponte”, havia um projeto rigorosamente alinhado com o grande capital, nacional e estrangeiro, cuja intenção era realizar “reformas” na Constituição de 1988 e superar as defesas criadas pela CLT aos trabalhadores. Esses direitos custavam caro ao governo e ao patronato. A Constituição do Doutor Ulisses Guimarães chegou a tabelar os juros bancários em 1% ao mês. Imaginem tamanha heresia! A CLT defendia o 13º salário, férias remuneradas, multas para demissões sem justa causa etc. Coisas inéditas em boa parte do planeta.

                                   Temer acenou com reformas para romper a barreira da legislação, com base na maioria parlamentar que tinha, superando a etapa “dilmista” de baixa comunicação com o Brasil real e quase total incapacidade de se relacionar com a política prática – ou seja: um Congresso abastardado. Michel foi na contramão do PT, oferecendo benesses e formas indiretas de financiamento ao empresariado, como a redução das obrigações trabalhistas, que custam demais para as empresas, e perdão fiscal para vários setores. A tese envolvia uma reforma fiscal, que nunca saiu do papel; reforma política, impossível com tal Congresso; reforma trabalhista, aprovada com danos apenas para o campo do trabalho; limitação dos gastos públicos por 20 anos, aprovada, atingindo o investimento público em educação, saúde, tecnologia, pesquisas, ciência e segurança pública. Enquanto isso, Temer aprovava a liberação de bilhões de reais para as famosas emendas parlamentares ao orçamento da União, uma das mais notórias formas de corrupção política no Patropi.

                                   Mas o grande nó surgiu quando a Lava Jato e a PGR acusaram diretamente o núcleo do poder. Temer, ministros, apoiadores, aliados. Malas de dinheiro foram expostas na TV. A Globo rompeu com o regime, coisa que não vi em nenhum momento da alardeada Nova República. Temer reagiu cortando verbas públicas de publicidade. E – pela primeira vez, salvo engano – o controle da verba de propaganda foi alocado na sala ao lado do trono. Moreira Franco, ministro acusado de formação de quadrilha (salvo engano), agora controla a divisão do bolo publicitário.

                                   A reforma da Previdência. Esta atinge diretamente milhões de brasileiros e muitos mais de seus parentes. Aí a cobra enrola o rabo. A base de apoio de Temer, fora o trocadilho, teme o julgamento popular nas urnas de 2018. Quem ficar a favor, pode perder votos decisivos. Sem votos, perde o privilégio de foro para serem julgados na justiça comum. E há um número incontável de políticos acusados na faina do Ministério Público e da polícia contra eles. Temer pode ser abandonado na reta final de seu projeto de alinhamento com o patronado. Há quem diga que já era. Falha ao avistar a praia. A típica morte ao chegar.           

 

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Charles Manson, líder de uma seita assassina, morre na cadeia. Ficou quase meio século preso. Não teve progressão de pena – nem saidinha de feriado.

 

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Manson mandava matar celebridades para provocar um guerra racial nos EUA;

                                   Em 2011, aos 79 de idade, Charles Manson pediu liberdade condicional à Suprema Corte dos Estados Unidos. Alegou idade avançada e doenças. Pedido negado. Os ministros de lá consideraram que era uma ameaça para a sociedade e para o gênero humano em geral. Agora, aos 85 anos, faleceu de causas naturais. Preso. A decisão da corte foi corroborada por laudos psiquiátricos e avaliações psicológicas, que atestaram que o homem continuava perigoso.

                                   Aqui no Patropi soltamos criminosos reincidentes sem qualquer tipo de avaliação. Mera burocracia. Especialmente, quando são brancos e ricos. Os sequestradores chilenos do publicitário Washington Olivertto foram libertados no Dia das Mães. Eram órfãos. Sumiram. Quando são criminosos de colarinho branco, sequer ficam na cadeia. É coisa rara. E vários integrantes da Suprema Corte brasileira acham que prisão sem “trânsito em julgado” – ou seja: julgamento do último recurso aos tribunais superiores – é ilegal. Funciona particularmente para brancos e ricos. É o que explica o sentimento de impunidade no país.

                                   As leis brasileiras assentam que o tempo máximo de confinamento é de 30 anos, em regime fechado. Essa é a pena máxima para homicídio. Mas se o sujeito matar 10 pessoas, 9 dos crimes ficarão impunes. Sou favorável à progressão de pena para criminosos primários, inclusive com a saidinha de feriados. Mas, para quem cometeu crimes repetidamente, não deveria ser possível. E não há qualquer avaliação técnica. Simples burocracia, que serve também para reduzir a ocupação carcerária, já que esse país não dá a menor bola para seus prisioneiros.   

                                   Reproduzo, a seguir, um artigo que publiquei aqui no site em 2013, sobre Charles Manson. Acompanhe:   

“Esse é Charles Manson, aos 79 anos de idade. Fundador de uma seita de fanáticos em Spahn Ranch, na Califórnia (EUA), pregava o ódio contra a humanidade, no final dos anos 60, advertindo para o fim do mundo iminente. Os seguidores de Manson, todos muito jovens e de famílias ricas, achavam que ele era “a reencarnação de Jesus Cristo”. Obedeciam cegamente às orientações dele, inclusive o ódio racial e religioso. A “Família Manson”, como o grupo ficou conhecido, assassinou cruelmente sete pessoas, escrevendo com o sangue das vítimas palavras de ordem da seita nas paredes das casas onde os crimes ocorreram.
A primeira residência invadida pela “Família Manson”, na noite de 6 de agosto de 1969, foi a do cineasta Roman Polansky, em Cielo Drive, Los Ângeles. A mulher dele, a atriz e modelo Sharon Tate, grávida de sete meses, foi morta em companhia de quatro amigos do casal. Polansky não estava em casa. Aparentemente, ele seria o alvo principal, por causa do filme que acabara de produzir, “O bebê de Rosemary”, que tratava de satanismo. Na noite seguinte, os fanáticos invadiram outra casa milionária e mataram o casal Rosemary e Leno LaBianca. Charles Manson, o “líder espiritual” do grupo, não esteve presente nos homicídios.
Os assassinatos brutais renderam manchetes em todo o mundo, especialmente porque os fanáticos haviam escrito com sangue as palavras “Pigs” (porco) e “Rise” (ergam-se) na casa de Polansky. Na residência do casal LaBianca, escreveram “Helter Skelter”, título de uma música dos Beatles. Charles Manson declarou à polícia que a letra de Lennon & McCartney continha instruções subliminares para iniciar uma guerra de negros contra brancos nos Estados Unidos, que daria origem ao fim dos tempos. A “Família Manson” foi presa em poucos dias, porque seus integrantes, usuários de drogas, comentavam publicamente (e com orgulho) os crimes que haviam cometido. Foram condenados à pena de morte, convertida, em 1972, para prisão perpétua.
Charles Manson está na cadeia até hoje, já tendo cumprido 44 anos da pena. O endereço dele é numa cela individual de segurança máxima na Penitenciária Estadual da Califórnia. De tempos em tempos é submetido a uma série de exames e testes psicológicos para determinar se pode ou não voltar ao convívio social. Até agora, foi reprovado sempre. O próximo exame está marcado para 2027, quando já terá 92 anos.
As leis brasileiras afirmam que ninguém pode passar mais de 30 anos em regime fechado, não importando a gravidade dos crimes que cometeu. Se fosse aqui, Manson já estaria solto há muito tempo”

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61.689: este é o número de homicídios cometidos no país no ano passado. Um recorde histórico. Motivos: redução do investimento público em segurança; aumento das desigualdades; desemprego.

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Ocupação policial-militar das comunidades pobres. Imagem da TV Globo.

                                   O número de assassinatos, divulgado hoje (30 out) pelo Anuário Estatístico da Violência no país, revela que batemos um recorde histórico, disputado apenas por nós mesmos. Este é o país que mais mata no mundo. O número corresponde ao ataque nuclear americano contra a cidade de Nagasaki, no Japão, que pôs fim à Segunda Guerra Mundial. É bem maior do que os americanos mortos no Vietnã (57 mil). Mais do que um Vietnã por ano! E ainda dizem que o brasileiro é um povo pacífico e ordeiro. Só se for em relação aos políticos e governantes.

                                   São cerca de 170 homicídios por dia. Algo como 29 crimes fatais para cada grupo de 100 mil habitantes, três vezes o que é recomendado pela ONU. É um país bandido. Os números divulgados hoje também revelam que o governo federal deixou de investir 1 bilhão de reais na segurança pública, enquanto Temer gasta mais de 10 bilhões em emendas parlamentares para continuar no cargo. Ele mesmo, que é acusado pela PGR de comandar uma organização criminosa e de obstruir a justiça. A imensa maioria dos mortos na estatística são jovens entre 17 e 29 anos. São pretos, pobres e favelados. Mas só a violência contra a classe média e as elites sai nos jornais e na TV. E só esses crimes são investigados. No meio jurídico, há que diga que apenas 1% dos crimes resulta em condenação. E as prisões estão lotadas.

                                   A sociedade brasileira está criminalizada de alto a baixo: vai da “cervejinha” para o guarda de trânsito ao caixa 2 das grandes empresas e à sonegação de impostos dos bancos, montadoras e emissoras de TV. Na reforma da previdência pretendida pelo governo Temer, não há uma linha a respeito dos sonegadores. Estes somam bilhões e bilhões de reais descontados dos empregados e não pagos ao governo. Em um país que não constrói escolas e hospitais, como queremos estar seguros nas ruas?

                                   E o exemplo vem de cima. Da casa grande. Se as elites políticas e econômicas são o mau exemplo, roubando e espoliando o patrimônio público, como imaginar a redução da violência entre os pobres? E são justamente os pobres as maiores vítimas da violência.         

                                    

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Espetáculo vergonhoso na Câmara: deputados rejeitam segunda denúncia da PGR contra Temer em meio a chantagens, barganhas e outras patifarias.

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Oposição protesta na Câmara. Imagem do portal da Veja.

 

                                   As oposições e os dissidentes precisavam de 342 votos para derrubar o governo mais impopular da história recente do país. Só conseguiram 233. Para se livrar das acusações de obstrução de justiça e crime organizado, Michel Temer deveria merecer apenas 172 votos, coisa fácil de obter em razão da maioria de que dispõe na Câmara. Mesmo assim, ficou com uma votação inferior àquela que teve na primeira denúncia: 263, na primeira; 251, na segunda. O governo, de novo, sai desgastado pelos discursos virulentos da oposição, transmitidos ao vivo pela TV e o rádio.

                                   Durante toda a quarta-feira (25 out), parlamentares do “centrão” fizeram todo tipo de chantagens contra Temer, recusando-se a dar quórum à sessão na Câmara. Queriam mais dinheiro, mais cargos. O preço deles subiu. E ficou patete que o governo é refém do grupo de 12 partidos mais desqualificado do país. Com as oposições obstruindo os trabalhos, ao que se soma a rebelião dos oportunistas da ala conservadora, a votação só começou à noite, obrigando a TV Globo a cancelar o capítulo da novela “O outro lado do paraíso”. Prejuízo milionário para a emissora.

                                  As barganhas e patifarias foram de tal ordem, que Temer, sem dormir direito nos últimos dias, passou mal e teve que ser hospitalizado com uma crise renal. E foi justamente para o hospital do Exército, onde o generalato o vê como um grave problema para o país. Muitos desses oficiais-comandantes desejam o fim deste governo. Mas Temer saiu do hospital a tempo de aparecer no Jornal Nacional, acompanhado da bela Marcela, a primeira-dama.

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Temer comemora vitória esperada, porém duvidosa.

                                   Tudo mostra que o governo, apesar das gravíssimas acusações, formuladas pelo procurador Rodrigo Janot, vai até o fim. À custa de mais benesses – e talvez alguma corrupção adicional em favor do “centrão”. O dinheiro jogado fora para manter o mandato daria para construir centenas de escolas, postos de saúde, creches e aprimorar a segurança pública. O episódio confirma, pela enésima vez, que esses mandatários da República desejam firmemente que o povo se dane. E há – também – alguns deputados com vocação para palhaços de circo. Fazem discursos capazes de envergonhar as pedras do calçamento. (Me perdoem os verdadeiros palhaços, que levam alegria ao povo.) Os comediantes da Câmara representam o pior que há na história do Parlamento brasileiro. Nunca se viu uma legislatura tão vagabunda. 

                                   Não há nada mais espantoso do que a conduta dessa maioria parlamentar, formada a partir do impedimento de Dilma Rousseff. Quer impor ao Brasil um retrocesso de 50 anos. Ou mais!               

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Tropa de choque da PM mata turista espanhola e reabre crise na Rocinha. O Rio tem um tiroteio a cada duas horas. Prefeito Crivella pede ação das Forças Armadas. Inútil!

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Forças Armadas na Rocinha. Imagem Agência Brasil.

   

                                   Na manhã desta segunda-feira (23 out), a turista espanhola Maria Esperanza Gimenez, 67 anos, resolveu visitar a favela da Rocinha, campo de batalha entre facções criminosas. Aparentemente, contratou o tour em uma agência de viagens. Estava em um carro particular, sem qualquer sinal de que se tratava de um veículo de turismo. O motorista, supostamente, teria se recusou a parar em um bloqueio da tropa de choque da PM, no Largo do Boiadeiro, localidade movimentada da favela. E o que fizeram os policiais? Abriram fogo de fuzis automáticos contra o carro. Esperanza morreu a caminho do hospital.  

                                   Meia hora antes do incidente, que ganhou repercussão mundial, já tinha havido um violento enfrentamento entre policiais e traficantes, que resultou em dois PMs e um suspeito feridos. Quase ao mesmo tempo, dois outros tiroteios sacudiam o Morro do Chapadão e o Vidigal. Cenas da guerra civil no Rio de Janeiro, onde ocorre um enfrentamento armado a cada duas horas. O próprio ministro da Defesa, sem medir as palavras, já disse que tiroteio em favela é coisa do cotidiano das comunidades pobres. Como se a conflagração armada na segunda maior cidade do país não tivesse qualquer relevância. Raul Jugmann (PPS-PE, partido originário do antigo Partido Comunista Brasileiro, o PCB, hoje aliado de Temer) quer nos fazer acreditar que essas coisas são “normais”.  

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Violência nas ruas. Um país em guerra civil não declarada. Imagem da TV Brasil. ,

                                   A política de segurança no Rio afundou de modo espetacular. As Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), criadas há quase uma década, e que pretendiam recuperar os territórios ocupados pelo narcotráfico, fracassaram redondamente. Não passaram de um pequeno Estado de Sítio sobre as comunidades, no qual direitos civis básicos foram violados. Em 70% dos casos, houve denúncias de corrupção e maus tratos contra moradores. Os casos mais emblemáticos foram o sequestro, a tortura e o desaparecimento de Amarildo, na Rocinha, e o de um tenente do Exército que decidiu levar para casa dois aparelhos de ar-condicionado de um morador do Complexo do Alemão. Ou seja: não adiantava ocupar o quintal dos traficantes com uma polícia bandida. Não que a instituição seja criminosa, mas está povoada por maus elementos. Com o dedo leve no gatilho. 

                                   Há no Rio de Janeiro cerca de 1.300 favelas e bairros muito pobres. Segundo o ministro Jugmann, 850 deles são dominados pelo crime organizado. Uma população de 1.3 milhão de pessoas estaria sob o jugo do narcotráfico. Só este ano, mais de 100 policiais militares foram assassinados no Rio. Não sei o número exato de “civis” tombados no conflito, mas são centenas e centenas. Só em 2017, 632 pessoas foram atingidas por balas perdidas, de acordo com a Folha de S., Paulo, incluindo mulheres e crianças. Além do mais, pesquisas de opinião pública revelam que os pobres têm mais medo das forças da lei do que dos bandidos. É o caos!

                                   Com os incidentes de hoje, o prefeito do Rio, o bispo evangélico Marcelo Crivella, voltou a pedir ações das Forças Armadas contra a violência que assola a cidade. Os políticos acham que os militares estão aí para dar uma desculpa pública para o desgoverno. Isto não só desagrada a caserna, como não tem tido resultados. Na verdade, os militares estão de saco cheio de agir para salvar a aparência de políticos pouco cofiáveis, que comprometem a imagem pública das Forças Armadas, especialmente o Exército e a Marinha.

                                   É bom lembrar que o ex-governador Sérgio Cabral está preso por deslavada corrupção e que o Estado deve salários aos funcionários públicos. Se não construímos escolas e hospitais, seremos capazes de cuidar de quartéis e de tropas? O que falta mesmo são políticas de bem-estar social e redução das desigualdades. Sem isso, não há segurança que aguente, particularmente em um país onde o presidente e alguns ministros são acusados – justamente – de formação de quadrilha.    

     

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Temer usa todos os recursos (alguns bem sujos) para se manter no poder. Abre o cofre aos aliados e publica decretos duvidosos para obter votos que garantam o mandato.

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Temer e Gedel caiu. As mesmas acusações. Foto Agência Brasil.

                                    O governo Temer está em liquidação. Faz qualquer negócio para sobreviver. Tentou extinguir a reserva do Renca, na Amazônia, em troca de votos da bancada do Norte. Está liberando bilhões de reais em emendas parlamentares ao orçamento da União, de modo a beneficiar aliados. Em edição madrugal do Diário Oficial, publicou decreto alterando a legislação de combate ao trabalho escravo, provocando a grita de instituições nacionais e internacionais. Troca integrantes da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara a seu bel prazer. Chega ao cúmulo de aceitar rever o plano de privatizações para alegrar a festa de um partido amigo, contrariando a equipe econômica. E se conforma com o programa de refinanciamento de dívidas com a Receita Federal, facilitando a vida de dezenas de deputados devedores.

                                   Agora está exonerando ministros que têm mandato parlamentar para que voltem à Câmara e garantam mais 8 votos para salvar a pele do presidente. É um escândalo sem tamanho. E o nome disso é corrupção pura e simples. Trata-se de um governo que não governa. Os aliados de Temer arrotam uma tal de recuperação econômica, quando o crescimento do PIB deste ano está estimado em 0,3% e há 13 milhões de desempregados. A inflação caiu, forçada pela estagnação econômica: pouca gente vende e menos gente ainda compra. Com ela, caíram os juros oficiais, a Selic. Mas a taxa regula apenas a dívida pública, não tendo quase nada a ver com a economia real, onde os bancos cobram até 300% ao ano. Ou mais.

                                   A “recuperação” é usada como marketing do governo: por que tirar um presidente que está dando certo? Certo para quem, cara pálida? Outro arrufo de Temer é o saldo na balança comercial, modestamente positivo. Este é outro sinal da crise, uma má notícia. O saldo comercial está positivo porque o empresariado parou de importar bens de capital, como máquinas e motores. É assim o blefe de Temer, que só os tolos engolem.

                                   Parece claro que Michel vai ter os votos na CCJ que o livrem das acusações de obstrução da justiça e de chefiar uma organização criminosa. Esse governo, sem governar, pode ir até o fim, produzindo danos cada vez maiores ao país. Enquanto seus aliados acumulam fortunas, como os 51 milhões encontrados no apartamento usado por Gedel Vieira Lima, homem de confiança de Temer. A descoberta foi tão emblemática, que virou cena do penúltimo capítulo da novela de Glória Perez, “A Força do Querer”, exibida na TV Globo.

                                   Trata-se de um país habitado por um povo paciente, muito paciente!       

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