Prendam Lula! Caso contrário, ele vence as eleições de 2018. É para isso que serve a Lava-Jato. Não percam mais tempo!

 

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Predam logo o Lula. Se não…

                                  

O juiz Sérgio Moro mandou prender Guido Mantega, homem forte do PT e amigo de Lula. Horas depois, mandou soltar. É que pegou muito mal. Mantega estava em um hospital, mais exatamente dentro do centro cirúrgico, acompanhado a mulher, que passava por uma séria intervenção, provocada por um câncer. O xerife da Lava-Jato se arrependeu da prisão do economista, que sequer fora intimado. Pegou mesmo muito mal. Supostamente, o Ministro da Fazenda de Lula e Dilma tem bons antecedentes e residência fixa. Aparentemente, não estava em fuga. Parece que a medida de força faz parte do show.

                                   Dizem as más línguas que Moro vai mandar prender também o Antonio Palocci, outro ex-ministro e amigo de Lula. E o bravo juiz de Curitiba deve continuar apertando o cerco até apanhar o próprio Lula, coisa que deve acontecer lá por abril do ano que vem, após rápida condenação do petista no tribunal federal da capital paranaense. Este parece ser o projeto do Moro. E quando pegar o Lula, não será mais nenhuma surpresa.

                                   A onda conservadora que se ergueu no mar da política brasileira, após a reeleição de Dilma Rousseff, em 2014, tem objetivos claros, fartamente declarados por seus integrantes: derrubar o governo petista, prender Lula e cassar o registro eleitoral do PT. No caminho, foi preciso “sacrificar” Eduardo cunha. Talvez seja necessário “sacrificar” Renan Calheiros. O processo conservador precisa continuar, para impor um novo modelo político ao país, no qual predomina o neoliberalismo econômico e a restrição de direitos. O resto é bobagem. Nas próximas eleições municipais, em outubro deste ano, o PT vai sofrer a maior derrota de sua história.

                                   Combalido, após abandonar os movimentos sociais e cometer todos os erros possíveis na política formal, renegando as suas origens, o PT só tem uma saída: eleger Lula em 2018. Apesar de tudo o que se fez contra ele – e de tudo que ele fez contra si mesmo – Lula ainda é uma potência eleitoral. É o último grande líder popular do país, na tradição de Getúlio Vargas, JK, Jânio e Jango. Se deixarem ele prosseguir, ganha qualquer eleição. Mas a Lava-Jato está aí para bloquear a passagem de Lula.

                                   Se condenado em primeira instancia, como será, pelas mãos de Sérgio Moro, e se tiver a sentença confirmada pelo Tribunal Regional Federal, Lula fica inelegível por oito anos. É o que basta.   

 

                                  

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Lula em campanha: o ex-presidente percorre o nordeste em busca de apoio popular e votos. Moro aceitou a denúncia contra o petista, mas se esquivou da acusação mais grave. Só que a trama continua.

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Lula em campanha, busca apoio e votos no nordeste.

 

                                   Dito e feito. O juiz Sérgio Moro aceitou a denúncia de corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra Lula e a mulher dele, Marisa Letícia, além de outros seis acusados. Mas passou batido em relação às denúncias de associação criminosa e outras cositas levantadas pelos procuradores e agentes federais da força-tarefa da Lava-Jato. Em um espetáculo televisivo, transmitido para todo o país, chamaram Lula de “o maestro da orquestra criminosa que saqueou o país”. E por que isto não aparece na ação penal aberta pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba? É simples: não há proas. Apenas o desejo dos acusadores.

                                   A ausência da acusação de associação criminosa, que envolve penas gravíssimas, revela que o MPF, ao vilipendiar o ex-presidente, estava empenhado em um ato político. Trata-se de destruir a imagem pública de Lula e de impedir a candidatura dele em 2018. Quero esclarecer aos leitores que não sou um eleitor do PT – nem filiado a qualquer partido. O que se trata aqui é de mostrar o Brasil como ele é. A onda conservadora que se ergueu no mar da política brasileira, após a reeleição de Dilma Rousseff, tem objetivos claros, fartamente declarados por seus integrantes: derrubar o governo petista, prender Lula e cassar o registro eleitoral do PT. No caminho, foi preciso “sacrificar” Eduardo cunha. Talvez seja necessário “sacrificar” Renan Calheiros. O processo conservador precisa continuar, para impor um novo modelo político e econômico ao país, no qual predomina o fundamentalismo evangélico e o neoliberalismo econômico. O resto é bobagem.

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Eduardo Cunha: todos contra ele.

                                   E tem mais uma coisa importante: pôr freios à Lava-Jato, sob pena de não sobrar ninguém para realizar os sonhos do grande capital. Vimos uma tentativa frustrada de aprovar anistia ao caixa 2 de campanhas políticas, na calada da noite. Uma ação quase clandestina de lideranças políticas, reunindo os extremos: do PSDB ao PT. Sabemos que o Congresso vem cozinhado lentamente um projeto de lei para pôr fim à autonomia investigatória do Ministério Público, chamada de “lei do abuso de poder”. Parece que os jovens procuradores e agentes da Lava-Jato não percebem a tempestade que se arma sobre as suas cabeças.

                                   Como disse o poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht, “dessas cidades vai sobrar o vento que passa através delas”.

 

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Lula volta ao centro do palco: vai encarar a Lava-Jato e pode ter prisão decretada esta semana pelo juiz Sérgio Moro.

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Sergio Moro decide se aceita acusações contra Lula.

 

                                   Dilma já foi esquecida. Até pelo PT. Tanto que o partido não quis erguer a última bandeira da presidente cassada: a convocação de novas eleições. Quem está de volta ao centro do picadeiro político brasileiro é Lula. Esta semana, todas as atenções estarão voltadas para o ex-presidente. Lula terá de encarar a denúncia feita contra ele pela força-tarefa da Lava-Jato. São duas acusações: teria recebido 3,7 milhões de reais desviados da Petrobras e seria o comandante da “organização criminosa que saqueou o país” nos últimos anos.

                                   Dizer que Lula chefia uma facção criminosa formada por políticos, partidos, empresários, operadores financeiros e empreiteiros parece ser apenas um desejo dos seus acusadores, que admitem não ter provas. Mas em relação aos tais 3,7 milhões a coisa é mais complicada: este seria o valor do triplex no Guarujá, da reforma no imóvel e das despesas pagas à Granero por ter armazenado os bens pessoais de Lula ao deixar o Planalto. Aí aparecem notas fiscais, depoimentos de delatores, o envolvimento de pelo menos duas grades empreiteiras e até fotos do casal Lula da Silva no apartamento de cobertura.

                                   O juiz Sérgio Moro, que comanda os inquéritos da Lava-Jato, já recebeu a denúncia. Ainda esta semana vai decidir se aceita ou não as acusações. Pode, inclusive, decretar a prisão de Lula. Curioso: os procuradores e agentes federais da força-tarefa se recusaram a dizer se fizeram ou não o pedido de prisão a Moro. Passaram duas horas ao vivo na TV, na última quarta-feira, verdadeira fogueira de vaidades, e não deram a notícia mais importante: Lula vai ser preso ou não? Talvez a coletiva espalhafatosa tenha sido um teste para medir a reação a uma provável prisão de Lula.

                                   Seja como for, parece certo que Sérgio Moro vai aceitar a parte das acusações que trata dos 3,7 milhões. Sobre a história de Lula comandar o mundo do crime, Moro, que não é bobo, deve ficar ao largo dessas fantasias. Muitos observadores da cena política acreditam que o juiz vai decretar prisão temporária de Lula.                                   

                                  

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Força-tarefa da Lava-Jato acusa Lula: “Foi o maestro de uma orquestra criminosa” que saqueou o país. Os acusadores fizeram um show para a grande mídia, um discurso eminentemente político para destruir o candidato do PT em 2018. Tudo transmitido ao vivo. Mas se recusaram a dizer se pediram a prisão do ex-presidente.

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Lula acusado de corrupção e lavagem de dinheiro na Lava-Jato. Foto de divulgação.

                                   Procuradores federais, agentes da Receita e da Polícia Federal deram entrevista coletiva nesta quarta-feira (14 set), em Curitiba, para formalizar acusações contra Lula e a mulher dele, Marisa Letícia: corrupção e lavagem de dinheiro no valor de 3,7 milhões de reais. Foi um longuíssimo discurso, fazendo crer que iriam revelar todas as mazelas políticas do país. Um palanque eletrônico, com projeção de imagens em um telão e transmissão ao vivo pelo rádio, na TV e na Internet. Parecia que o MPF estava criando um partido político para disputar eleições.

                                   Após mais de uma hora de explicações, a força-tarefa da Lava-Jato, retomando inclusive o processo do “mensalão”, já julgado pelo STF, afirmou que era tudo a mesma coisa, uma “propinocracia” instalada no país. Concluiu apresentando duas denúncias: Lula e Marisa Letícia receberam 3,7 milhões de reais da Construtora OAS, disfarçados na compra de um apartamento triplex no Guarujá (SP) e em pagamento de um depósito da Granero, onde foram abrigados os bens do ex-presidente ao deixar o Planalto. Mais nada. No entanto, nesse quesito, as provas parecem robustas. Aparentemente, Lula e Marisa Letícia esconderam a propriedade do tal apartamento do Guarujá. No proto, algo estranho aconteceu.

                                   Mas é surpreendente que o MPF tenha se recusado a informar aos jornalistas se pediu ou não a prisão do casal. Um dos coordenadores da Lava-Jato disse que o Ministério Público fala sobre o que fez, mas não sobre o que fará. Que mistério é esse? Teme uma reação popular? No ambiente político, o que se espera é o pedido de prisão  contra Lula e a mulher.  

                                   Já escrevi aqui, mais de uma vez, que o projeto conservador que está no poder tem três metas: derrubar o governo de Dilma Rousseff, prender Lula e cassar o registro eleitoral do PT. A primeira fase foi cumprida. Agora, tenta-se a segunda. Cassar o PT vai ser um pouco mais difícil. O Planalto de Michel Temer quer evitar uma confrontação nas ruas. Tanto que adiou para o ano que vem a discussão da reforma trabalhista.

 

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Eduardo Cunha já era! Por 450 votos a favor, 10 contra e 9 abstenções, o deputado foi defenestrado da vida pública brasileira. Em Brasília não se fala outra coisa: Cunha vai tentar a delação premiada para escapar da prisão.

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Cunha e Renan, ambos acusados na Lava-Jato. Foto Agência Brasil.

 

                                   Nem os mais otimistas acreditavam que Eduardo Cunha pudesse sofrer uma derrota tão acachapante. O deputado foi abandoado até por seus apoiadores mais próximos. Ficou quase sozinho no plenário da Câmara, ouvindo discursos que o caracterizavam como um bandido da pior espécie. E ainda teve de aturar a narrativa do golpe contra Dilma, na qual é apontado como mentor. Um desastre completo. Juntamente com Cunha, afunda o setor ultraconservador na Câmara, que garantiu inúmeras vitorias ao parlamentar carioca – e que ele liderou.

                                   Abre-se o espaço político para os partidos de centro, como o PSDB de Aécio Neves, que anseiam por se afastar do fundamentalismo evangélico e da ultradireita. Cunha era o ícone da direita radical e militante. É dono de uma empresa chamada “Jesus.com”, ligada a segmentos religiosos. Com a votação na Câmara (esmagadores 450 a 10), mais do que o mandato de Cunha, revogou-se a carta branca dos amigos dele, que faziam gato e sapato na pauta da Câmara. Agora o “baixo clero” oportunista vai se realinhar com o governo Temer (a maior parte) e com o bloco que une PSDB, PPS e DEM. Aliás, os tucanos vão tentar uma proeza, com vistas a 2018: afastar-se dos radicais e ficar indiferente a Michel Temer. O tucanato prevê o fracasso da política econômica no curto prazo. E sabe que mexer nos direitos trabalhistas vai laçar centenas de milhares de pessoas às ruas.

                                   O projeto conservador não se encerra com o impeachment de Dilma e o “sacrifício” de Cunha. Falta prender Lula e cassar o registro eleitoral do PT. Note-se: a decisão da Câmara cria um dilema para o juiz Sérgio Moro. Ele vai mandar prender Eduardo Cunha, forçando a delação premiada que o Ministério Público pretende conseguir? Ou a Lava-Jato só serve para o pessoal ligado ao PT? Na noite da cassação, Cunha deu entrevista coletiva dizendo que vai escrever um livro de memórias e revelar os podres do Congresso e do governo.

                                   Mas, se quiser se livrar da cadeia, livro de memórias é pouco. Não tem força jurídica. Vai ter que dedurar seus antigos parceiros no crime.

                                  

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Acordo de partidos assegura quórum para cassar Eduardo Cunha. Mas o “centrão” conservador conspira: quer evitar a perda dos direitos políticos do deputado. Teremos uma segunda-feira agitada.

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Cláudia e Cunha: o casal acusado de ter contas secretas na Suíça. Foto de divulgação.

                                    Pela primeira vez nos últimos anos, partidos políticos opostos, como o PSDB e o PCdoB, ou o PSOL e o PDT, se unem para garantir a cassação de Eduardo Cunha na próxima segunda-feira. Ao todo são 9 legendas, que devem assegurar 216 dos 257 votos necessários à condenação definitiva do ex-presidente da Câmara dos Deputados. O PT já fechou questão – é claro.  Outros partidos, mais oportunistas, como o PMDB de Michel Temer, decidiram liberar suas bancadas. Cada um vota como bem entender. Isso significa: pode fazer acordo com Cunha; pode faltar à sessão de julgamento; pode fazer o que achar melhor. É uma demonstração clara de que cassar Dilma foi diferente de cassar Cunha. No caso da ex-presidente, o verbo aplicado foi “caçar”, com cedilha, que significa abater.

                                   Para consumar a derrubada de Cunha,  faltam 41 votos. Dá-se como certo que ele não vai escapar. Nem  o  próprio deputado acredita que vá sobreviver. Como todo carrasco após a execução (de Dilma, no caso), Cunha deve cumprir o destino dos carrascos: o lixo da história. Ele não interessa a mais ninguém. Muitos dos aliados de ocasião já se afastaram, incluindo Temer. Ficaram apenas os cúmplices. No entanto, a política brasileira é feita de surpresas. Grandes surpresas!

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STF não deve mudar decisão do Senado sobre Dilma. Não vai revogar o impeachment, nem cassar os direitos políticos dela. Movimento “Fora Temer” cresce em todo o país. E Eduardo Cunha pode cair de vez já na segunda-feira.

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São Paulo – Manifestantes no central da capital paulista protesta contra o governo(Rovena Rosa/Agência Brasil)

 

O presidente Michel Temer não vai ter descanso. Passa por constantes contrariedades. Teve que afastar três de seus ministros, acusados de corrupção. Enfrentou um racha na base aliada, no episódio da preservação dos direitos políticos de Dilma. Países vizinhos mandaram chamar seus embaixadores, o que é uma forma de protesto. O Parlamento europeu ameaçou adotar sanções contra o novo governo. Foi recebido friamente na reunião do G-20, na China (foi chamado de “líder brasileiro” – e não de presidente do Brasil). A lista de dissabores é enorme, incluindo uma campanha contra a mulher dele nas redes sociais.

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O presidente Michel Temer e a primeira-dama Marcela Temer sob vaias durante desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

                                    O presidente vê o movimento do “Fora Temer” crescer diante de seus olhos. No feriado do 7 de Setembro, foi vaiado durante a parada militar da Independência e anotou grades protestos em 25 capitais brasileiras. Houve uma vaia estrondosa na abertura da Paraolimpíada, à qual compareceu. O governo agora tem dúvidas se conseguirá aprovar quaisquer das medidas econômicas neste ano de eleições. São todas impopulares. Aliás, o famigerado slogan das “Diretas-Já” contamina setores importantes da política que é feita nas ruas. E o cenário vai piorar muito quando o Planalto começar a mexer em direitos históricos dos trabalhadores, como a previdência, a desindexação do salário-mínio e das aposentadorias, a flexibilização da CLT e outras cositas.

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Os mascarados estão de volta às ruas. (Rovena Rosa/Agência Brasil)

                                   O que hoje é um movimento de estudantes e militantes políticos, amanhã será engrossado por sindicatos e categorias sociais inteiras. Inclusive o funcionalismo público. A barra vai pesar. E Temer ainda tem pela frente outras ameaças: um pedido de impeachment contra ele na Câmara dos Deputados; um processo de cassação da chapa Dilma-Temer no TSE, referente a irregularidades no financiamento da campanha presidencial de 2014; e as decisões do STF acerca do julgamento de Dilma no Senado.

                                   Do outro lado da Praça dos Três Poderes, começa a se firmar no STF uma pequena maioria no sentido de que a Suprem Corte não deve modificar as decisões do Senado. Vários ministros acreditam que o impeachment da ex-presidente é definitivo, até porque uma mudança laçaria o país em uma tremenda confusão. No entanto, os magistrados também estão firmando posição no sentido de que não podem cassar os direitos políticos de Dilma, uma vez que o julgamento do Senado é soberano, como diz a Constituição. Além do mais, há um problema grave: foi o STF que determinou o rito do impeachment nos mesmos moldes do ocorrido contra Fernando Collor, em 1992.

                                   Como a história registra, Collor renunciou na manhã do julgamento. Com o gesto extremo, interrompeu o impeachment. Deveria ter interrompido todo o processo. Mas os senadores resolveram que iriam votar a cassação dos direitos políticos dele, fatiando o ato jurídico. E o STF referendou aquela decisão. Como mudar agora? Esta poderá ser a derrota mais dolorida para Michel Temer. E ainda tem o problema da cassação de Cunha, antigo aliado, que a partir de segunda-feira começa a subir no cadafalso.

                                   Que viver, vera!

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