Polícia investiga movimento neonazista em São Paulos. Três grupos, reunindo mais de 100 militantes, já foram identificados.

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Cresce movimento neonazista no Brasil. Imagem da Internet.

O clima geral de intolerância no país, a crise econômica, o desemprego e a postura ultradireitista do governo têm criado um cenário propício ao surgimento de grupos radicais. Na região metropolitana de São Paulo, observamos o surgimento de simpatizantes do extremismo islâmico e a expansão do neonazismo. O fenômeno é visto especialmente na baixa classe média, duramente atingida pela falta de oportunidades de emprego, e nos setores pauperizados, onde a escolaridade é muito baixa e a atividade profissional é o “bico”, o improviso e até os pequenos delitos.

Em 2016, com ajuda do governo americano, foram identificados ao menos dois grupos de simpatizantes do ISIS (Estado Islâmico) no país, um deles na Grande São Paulo. Foram aproximadamente 16 presos. Processados pela nova lei antiterrorismo do governo Dilma, foram sentenciados em tempo recorde pela justiça. Um desses jovens, Valdir Pereira da Rocha, 36 anos, foi linchado e morto por outros detentos na Cadeia Pública de Vargem Grande (MS), em 14 de outubro daquele ano.

Poucos meses depois, policiais da Delegacia de Repressão a Crimes Raciais e Delitos de Intolerância de São Paulo anunciavam forte crescimento dos grupos neonazistas na região. Três estavam identificados: Kombat Rac, o maior deles; o Front 88; e Impacto Hooligan. A delegacia especializada fez buscas, apreendeu material de propaganda nazista e antissemita. Cento e dez integrantes das organizações extremistas foram fichados pela polícia e seus nomes estão agora no Infocrime.

Outros grupos, conhecidos como Carecas do ABC e Carecas do Subúrbio, reunindo centenas de adeptos, existem há mais de 30 anos e já se envolveram em centenas de episódios de violência. As vítimas preferenciais são da comunidade LGBT.

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Simpatizante do ISIS morto na prisão. Imagem da polícia civil de MS.

As investigações continuam até hoje. A polícia acredita que tais grupos, movidos pelo ódio racial e a intolerância, tenham crescido anda mais. Esses jovens desajustados da periferia agora encontram interlocutores nos altos escalões da República.

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Bolsonaro rejeita opinião dos militares e apoia ataque americano que matou o general Suleimani. Ao aprovar ação de Trump, pôs em risco uma das maiores parcerias comerciais do país e a segurança nacional.

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Morte do general provoca protestos em todo Oriente Médio;

 

                                   O presidente Jair Bolsonaro, para agradar Donald Trump, abandona décadas de neutralidade em relação aos conflitos no Oriente Médio e apoia o ataque americano que matou o general Qassim Suleimani, líder militar do Irã. Bolsonaro rejeitou os conselhos dos generais que compõem o governo, que manifestaram preocupação acerca do tom a ser empregado pelo presidente. O Brasil tem fortes laços comerciais com o Irã, para onde vende carne e grãos. Na balança comercial entre os dois países, o superávit é favorável ao Brasil: mais de 8 bilhões de reais.

                                   Bolsonaro disse que o assassinato do general iraniano deve ser entendido no contexto da luta mundial contra o terrorismo. E que o Brasil é aliado de qualquer país envolvido no combate ao terrorismo. Chegou a afirmar que Suleimani esteve envolvido nos grandes atentados ocorridos na Argentina, durante os anos 1990, resultando em 114 mortos e 500 feridos. Com isso, concorda com as suspeitas nunca conformadas da justiça argentina. De uma só tacada, Bolsonaro pôs em risco uma das maiores parcerias comerciais do país (para desespero do agronegócio) e ainda lançou o Brasil no rol dos alvos do terror islâmico.

                                   Não custa lembrar: o líder religioso do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse que a morte de Suleimani terá “vingança avassaladora”. Não é fácil realizar um grande atentado nos Estados Unidos, Israel ou Reino Unido. Mas n Brasil é sopa.  

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Sequestrador de Washington Olivetto é extraditado em operação secreta e sem cobertura da grande mídia. Líder chileno do PCC, Maurício Hernandez Norambuena esta em cadeia de segurança máxima em Santiago.

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Norambuena, preso pela Divisão Antissequestro em São Paulo.

Na madrugada de 20 de agosto de 2019, em operação secreta organizada pela Polícia Federal, o ex-guerrilheiro chileno Maurício Norambuena foi extraditado para o país de origem. A ordem de expulsão partiu do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal. Poucas horas depois, Norambuena, 61 anos, aterrissava em Santiago, a bordo de um avião da Força Aérea do Chile. Imediatamente, foi levado para o presídio de segurança da capital. O ministro Sérgio Moro confirmou a extradição com um comentário jocoso: “mais um bandido que vai embora”. O ex-xerife da Lava Jato parece desconhecer a importância histórica desse personagem na cena política e o envolvimento dele no crime organizado.

O episódio quase passou em branco na grande mídia brasileira. No entanto, Norambuena teve um papel destacado na resistência armada contra a ditadura do general Augusto Pinochet, em seu país, antes de se envolver no mundo do crime. De orientação marxista-leninista, foi um dos comandantes da Frente Patriótica Manuel Rodrigues, braço armado do Movimenta de Esquerda Revolucionária, o famoso MIR chileno. Foi autor de um atentado contra o próprio general-presidente Pinochet. Disparou um projétil de RPG (Rocket Propulsed Granade, de fabricação russa) contra o carro d0 general. A acertou o alvo. Mas cometeu um erro técnico: o RPG precisa de determinada distância para que a resistência do ar acione os detonadores. Errou por pouco.

Com o fim da ditadura chilena, Norambuena organizou um grupo dos seus seguidores e passou a se dedicar a atividades criminosas, como o sequestro de personalidades na América do Sul. Um deles foi o vice-presidente do Bradesco, Antônio Beltran Martinez, que teve a vida trocada por um resgate de 4 milhões de dólares. Houve outros, como Abílio Diniz (Grupo Pão de Açúcar) e Geraldo Alonso ((Norton Publicidade),  No caso de Washington Olivetto, cuja vida também esteve por um fio durante 53 dias, os bandidos foram apanhados pela polícia. Norambuena, após ser preso na região metropolitana de São Paulo, em uma chácara em  Serra Negra, demonstrou enorme frieza ao propor aos policiais: “liberto o Olivetto se vocês me deixarem dar um telefonema”. Ligou para o cativeiro, avisando  dois dos companheiros que a casa tinha caído.

Do ponto de vista das autoridades brasileiras, Norambuena teve um papel decisivo na organização interna da facção criminosa paulista. Assim como na fundação do Comando Vermelho, baseada na convivência de presos comuns e políticos na Ilha Grande, durante os anos 1960/70, os governos paulistas cometeram o mesmo erro, reunindo revolucionários com bandidos comuns. Parece que o país não aprende com as experiências históricas.

Entre os 6 presos havia mais dois chilenos e argentinos, além de um casal de canadenses. Nas cadeias paulistas, entraram em contato com a liderança do PCC. Ensinaram técnicas de guerrilha à facção. Ensinaram, inclusive, como montar centrais telefônicas que não podiam ser rastreadas. Os dois chilenos presos, após anos de cadeia, foram incluídos em uma “saidinha” temporária: sumiram. O casal de canadenses foi beneficiado por uma campanha mundial pela libertação deles, considerados presos políticos. A dupla fez 46 dias de greve de fome. Com medo de um desfecho trágico, o governo Lula extraditou o casal para o Canadá. Norambuena ficou em cana por 17 anos, 14 dos quais em cela solitária no presídio federal de Campo Grande. Alegava ser um preso político.

No Chile, deverá cumprir mais 30 anos atrás das grades.

 

 

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Mapa da violência: assassinatos no Brasil atingem recorde mundial: 65,6 mil no ano de 2017. Além do mais, no mesmo ano, houve mais de 35 mil desaparecimentos de pessoas, indicando que podem ser em parte homicídios cujos corpos não foram encontrados.

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17,5 milhões de armas em poder de civis no Brasil.

                                    A epidemia de violência letal no país, em números absolutos, finalmente assume um recorde global. Matamos mais do que qualquer outro país no mundo. A maior parte das vítimas, segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, são jovens negros e pardos, mulheres e integrantes da comunidade homoafetiva. Matamos 31,6% em cada grupo de 100 mil habitantes. O assassinato de mulheres aumentou mais de 30% em uma década. Se não me engano, são 13 crimes por dia.

                                   Sete em cada 10 homicídios são produzidos por armas de fogo (47,5 mil). Uma parte das mortes é por motivos fúteis (como uma briga no bar); outra parte são crimes passionais (feminicídios, ciúmes, disputas familiares); e guerras de gangues ligadas ao tráfico e drogas e disputas entre facções criminosas, inclusive dentro dos presídios. O fato é que a epidemia de homicídios nos torna um país matador. Os dados são de 2017, porque leva um bom tempo para compilar o total de mortos. E o número encontrado é maior do que o divulgado pelos órgãos da segurança pública.

                                   Em um cenário como esse, o governo Bolsonaro insiste em facilitar a compra e o porte de armas. Há contradições entre os próprios pesquisadores. O presidente do IPEA diz acreditar que o cidadão tem direito de possuir uma arma em casa, como qualquer outro bem durável, uma geladeira ou um fogão. O coordenador da pesquisa ressalta, no entanto, que o Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003, salvou 35 mil vidas, porque manteve restrições à compra e ao porte de armas. Nem eles se entendem sobre a pesquisa que fizeram juntos.

                                   No Brasil existem 17,5 milhões de armas nas mãos de civis. O dado é da Small Arms Survey, organização internacional ligada à ONU, com sede na Suíça. Do total, perto de 9 milhões são clandestinas. Estamos entre os 10 maiores arsenais do mundo. O decreto de Jair Bolsonaro pode resultar, de acordo com especialistas, na duplicação do número de armas disponíveis para os brasileiros.           

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Racha na FDN, a maior organização criminosa do norte do país, é o motivo do massacre de presos em Manaus. A disputa é pelo controle do tráfico de drogas na famosa “Conexão Solimões”, uma das mais importantes rotas do tráfico.

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Presos armados dentro de presídio em Manaus. Como? Corrupção.

 

Em apenas dois dias, 55 presos foram executados nos presídios de Manaus. Dois anos antes, 56 mortes já haviam ocorrido nas mesmas condições. Isto soma um Carandiru, o maior massacre de presos já ocorrido no mundo em apenas um dia (2 de outubro de 1992). Preso no Brasil não vale nada. Além da superlotação (faltam 270 mil vagas nos presídios), 40% dos detentos estão atrás das grades sem julgamento. São chamados de “provisórios”, como provisória é a vida deles sob a guarda do Estado . Boa parte deles nunca viu um juiz. Trata-se de um dos sistemas penais mais injustos do planeta, especialmente em um país onde a justiça tem enorme dissimetria de classe: pobre vai preso, rico tem recursos infinitos, a ponto de prescrevem as penas.

Para quem pode pagar bons advogados, a justiça brasileira tem quatro instâncias de julgamento. Fato único no mundo. Na verdade, quem ocupa o cárcere é pobre, preto e favelado. O famoso PPF do jargão policial. Para enfrentar as duras condições carcerárias, surgem as facções criminosas. Os presos se juntam, criam uma organização, dão um nome a ela e se erguem contra o sistema. Depois disso, é fácil: controlam as visitas, corrompem os guardas, intimidam os vizinhos de cela. Todas as organizações criminosas brasileiras surgiram dentro da cadeia, seguindo o exemplo pioneiro do Comando Vermelho (CV) na década de 1970. Elas se expandem para fora por meio de familiares, advogados e celulares clandestinos. Não é à toa que as facções envolvem a própria família dos apenados.

A Família do Norte (FDN) surgiu já nos anos 2000, associada ao Comando Vermelho. Logo depois foi possível detectar a presença do PCC paulista na região, recebido como sócio no empreendimento da “Conexão Solimões”. Mas diferenças comerciais quebraram a antiga sociedade entre CV-PCC, iniciada em 1993, quando o grupo paulista foi criado, no presídio de Taubaté, jurando lealdade aos vermelhos. A FDN, ao longo do tempo, desenvolveu fortes laços com as FARCs colombianas, a última guerrilha das Américas, negociando drogas e armas na fronteira, um negócio milionário iniciado pelo megatraficante Fernandinho Beira-Mar (CV).

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Armas da FDN apreendidas às margens do Solimões. Imagem da Polícia Civil do Amazonas.

 

A partir do grande racha, começou a violência nos presídios do Amazonas, especialmente em Manaus. A FDN agora opera como uma organização independente e ataca os integrantes do PCC. A independência do grupo também derramou sangue. As duas maiores lideranças da facção criminosa estão em guerra, mesmo depois de terem sido transferidas para presídios federais de segurança máxima, onde supostamente estariam isoladas. Os massacres de Manaus, ordenados de trás das grades, revelam o total desinteresse dos governantes em relação à questão carcerária. Preso não dá voto. Construir presídios para diminuir o déficit de vagas custa caro demais para um país quebrado.  Os políticos não entendem que as deploráveis condições das cadeias têm relação direta com o aumento da violência nas ruas.

O Estado não consegue dar as respostas certas para o problema. E a matança vai continuar.

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O dia em que a TV Globo esteve na oposição. Em defesa da educação, ao vivo, emissora assume a convocação dos protestos de estudantes e professores e vira emissora de oposição. Ao menos por um dia?

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Bolsonaro no JN. Imagem de divulgação.

O fato mais notável da quarta-feira, 15 de maio, o dia em que dezenas de milhares de estudantes e professores saíram às ruas para protestar contra o corte de verbas na educação pública, foi que a TV Globo assumiu o papel de oposição ao governo Bolsonaro. Desde cedo, a partir do Hora 1, às quatro da manhã, passando pelo Bom Dia e por todos os demais telejornais, fez uma verdadeira convocação ao protesto. A ideia era uma greve de 24 horas nas universidades, colégios federais, escolas técnicas e que pudesse contar com apoio de instituições particulares de ensino. Fo o que aconteceu. As 200 maiores cidades brasileiras, inclusive todas as capitais, foram palco de reivindicações.
A partir do Jornal Hoje, a Globo passou a divulgar insistentemente, em todos os intervalos comerciais, que o presidente Jair Bolsonaro, em visita a Dallas, no Texas, havia chamado os estudantes de “imbecis úteis” e “massa de manobra”. Isto parece ter insuflado o movimento. Em algumas capitais, como Fortaleza e São Paulo, o número de manifestantes dobrou. A Globonews deu tratamento de “urgente” aos protestos, gerando ao vivo, simultaneamente, uma sessão da Câmara dos Deputados. Lá, o ministro da Educação era questionado pelos parlamentares.
O canal de notícias de maior audiência dividia a tela com o protesto na Avenida Paulista, mostrado a contradição entre o que dizia o ministro e a reação nas ruas. E foi assim o dia todo, em todos os veículos do grupo. Chegou até ao Jornal da Globo, depois da meia noite. E continuou no dia seguinte, repetindo as imagens.
Essa postura, apesar de surpreendente, não tem nada de novo. A TV Globo convocou as grandes manifestações dos “caras pintadas” contra o governo Collor. Também convocou a onda de protestos de 2013, um movimento que supostamente era contra a corrupção, mas cujo alvo era Dilma Rousseff, Lula e o PT. Evidentemente, a TV Globo não cria esses sentimentos. Ela os insufla conforme os interesses do grupo empresarial. Jair Bolsonaro já disse aos quatro ventos que “a Globo é inimiga”. E o que está em jogo?
O que está em jogo é a bilionária verba publicitária do governo e das empresas públicas. Tais verbas somam a maior parte do dinheiro que circula no mercado publicitário brasileiro. Do total investido em anúncios e patrocínios no ano de 2018, 61% ficaram com a TV aberta. E a Globo tem mais de 80% dessa fatia. Em números absolutos, no ano passado, a TV Globo faturou pouco mais de 10 bilhões de reais, resultado 10% abaixo do esperado. De acordo com o balanço oficial da emissora, só não deu prejuízo por causa dos investimentos bem-sucedidos no mercado financeiro. A emissora, aliás, sempre anunciou lucros moderados. Diz que gasta tudo na confecção da programação.
Por trás desse cenário está a razão de vermos a Globo passeando no campo oposicionista. Talvez porque queira derrubar o capitão, como fez com Collor e Dilma. Talvez porque queira ganhar mais para se comportar. A ver como será no dia 30.

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MPF: quadrilha chefiada por Michel Temer roubou 1,8 bilhão de reais dos cofres públicos. Temer, Moreira Franco e mais 6 foram presos hoje. A terra treme em Brasília.

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A prisão de Michel Temer. Imagem da Globonews.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal prenderam o ex-presidente Michel Temer e seus cúmplices em um esquema de desvio de dinheiro público que deixa o mensalão do PT no chinelo. Em entrevista coletiva, as autoridades afirmaram ter provas de que a organização criminosa comandada por Temer atuava há décadas. Cobrava em troca da aprovação de obras públicas tão grandiosas quanto as usinas nucleares de Angra dos Reis e as concessões de uso do porto de Santos. Em pronunciamento público, transmitido ao vivo pela TV e as rádios, durante uma hora e meia, os delegados federais e procuradores da República descreveram o show de horrores comandado pelo PMDB e por Temer e Moreira Franco.
As autoridades judiciárias afirmaram que a organização criminosa se infiltrou nas instituições públicas, ao menos nos últimos 30 anos, para trocar favores por dinheiro. Inclusive, as propinas por contratos de obras podiam ser pagas em prestações, ao longo de muitos anos. É – sem dúvida – o maior esquema criminoso já descoberto no país. Ao contrário do que disse o procurador Deltan Dallagnol, da Lava Jato, o chefe do crime organizado no país não era Lula. Era Michel Temer, que nunca foi atacado por ele. Isto, porém, não inocenta Lula. Mas dá ao ex-presidente um caráter criminoso menor.
A prisão de Temer, Moreira Franco e outros cúmplices, atinge Brasília como um terremoto. Quem está devendo à Lava Jato começa a fazer as malas, especialmente os políticos que perderam o foro especial nas últimas eleições. São muitos. Dezenas. Curioso: a ofensiva da PF e do MPF acontece logo após o Supremo Tribunal abrir inquérito criminal para apurar ameaças contra ministros da corte, cujo alvo, aparentemente, é o próprio Ministério Público. Dallagnol e seus pares em Curitiba tremem nas bases.
O xerife da Lava Jato, Sérgio Moro, pediu exoneração do cargo de juiz federal e virou ministro da Justiça e Segurança Pública de Bolsonaro. Abriu mão de um bom salário e de uma carreira vitalícia. Entrou na política. Pode ser o sucessor de Bolsonaro após a tentativa de reeleição do atua presidente (2022), em 2026. Se tudo der certo.

Mas a ofensiva do Ministério Público contra os políticos acusados de corrupção, que tem dezenas de alvos nos próximos dias, pode jogar água na fervura. Há algo de podre no ar.

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