Hamas executa 16 homens e 2 mulheres em Gaza. Acusados de colaborar com Israel, foram fuzilados em público. As vítimas estavam algemadas e com o rosto coberto por capuzes. A resistência islâmica disse que eram “traidores”. Sete foram mortos a tiros na praça central de Gaza, diante de uma multidão de fiéis que saia de uma mesquita, após as orações da sexta-feira.

A execução foi mostrada pelo site Al-Majd.

A execução foi mostrada pelo site Al-Majd.

                    Militantes das Brigadas de Al-Qassam, o braço armado do Hamas, vestindo uniformes pretos de combate e com os rostos cobertos, executaram 11 prisioneiros numa antiga delegacia de polícia, nos arredores da Cidade de Gaza, a capital do território palestino. Entre as vítimas estavam duas mulheres. Em seguida, na praça central da cidade, no momento em que se encerrava o culto muçulmano da sexta-feira e quando uma multidão de fiéis ocupava as ruas, novas execuções ocorreram. Foram sete homens, algemados e encapuzados, aparentando serem jovens. Os militantes do Hamas dispararam fuzis AK-74 (calibre 5.56mm) contra os prisioneiros.

                    No local dos assassinatos, um cartaz foi colocado. Informava que eram colaboradores de Israel e traidores, responsáveis por orientar ataques israelenses na Faixa de Gaza, que “resultaram na morte de inúmeros combatentes da resistência palestina”. Os mortos não foram identificados. Muito menos seus carrascos – é claro. As execuções foram um dia depois de ataques aéreos que mataram três dirigentes do grupo islâmico. Mais um espetáculo de horror na Terra Santa. A maior parte dos países ocidentais considera o Hamas uma organização terrorista. Outros, como o Brasil, a Rússia e o Irã, acreditam que se trata de um movimento político que chegou ao poder por meio de eleições livres.  

                    Numa tradução pouco ortodoxa do árabe, Hamas significa “entusiasmo” ou “zelo”, dedicação extremada. Nesse sentido, se aproxima da expressão “jihad”, que quer dizer “esforço” – e que no Ocidente ganhou a alcunha de “guerra santa”. O grupo fundamentalista muçulmano, de orientação sunita, foi criado em 1987 por um clérigo chamado Sheik Ahmed Yassin. E teve apoio de Israel para se contrapor a Yasser Arafat, líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Em 2006, o Hamas venceu eleições livres na Faixa de Gaza, conquistando 76 dos 132 assentos no Parlamento Palestino. Desde então, governa a região com mão de ferro. Execuções sumárias são comuns em Gaza.          

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Uma resposta para Hamas executa 16 homens e 2 mulheres em Gaza. Acusados de colaborar com Israel, foram fuzilados em público. As vítimas estavam algemadas e com o rosto coberto por capuzes. A resistência islâmica disse que eram “traidores”. Sete foram mortos a tiros na praça central de Gaza, diante de uma multidão de fiéis que saia de uma mesquita, após as orações da sexta-feira.

  1. José Antonio Severo disse:

    É muito significativo que os indigitados traidores palestinos de Gaza fossem executado à porta da mesquita. Este é um gesto ritual na tradição da seita dos Haxixin, a denominação dos monges vingadores que seguiam um Emir conhecido como Velho da Montanha, no tempo das cruzadas. Os Haxixim, ou fumadores de haxixe, foram os predecessores dos homens-bomba de nossos dias. Eram jovens fundamentalistas que executavam líderes religiosos acusados de traírem a fé muçulmana, degolando-os à frente da mesquita. Invariavelmente eram mortos pela segurança do potentado. Matar traidores da fé diante da mesquita é, portanto, muito significativo. Não é por nada que a seita dos haxixin gerou a palavra francesa assassins, que chegou ao português como assassinos. A foto distribuída pelo Hamas é de grande impacto no mundo islamita por seu significado histórico e força ritual.

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