“Faxina” de Beltrame derruba comando da PM

O Secretário Beltrame

A política de “tolerância zero” do Secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, derrubou o comandante-geral da Polícia Militar. A gota-dágua foi a prisão de um
tenente-coronel, Cláudio Luís de Oliveira, comandante de batalhão, acusado de
ser o mandante do assassinato da juíza criminal Patrícia Acioli, fuzilada com
21 tiros de pistola na madrugada do dia 12 de agosto, na região metropolitana
do Rio. Outros PMs, comandados pelo coronel Cláudio, também foram detidos. Os
policiais militares são acusados de homicídios, extorsão, formação de quadrilha
e coisas mais. A juíza, tida como linha dura e incorruptível, havia condenado
60 policiais e emitira mandado de prisão contra mais oito, justo no dia em que
foi emboscada.

Na tarde de 11 de agosto, a juíza Patrícia Acioli cancelou todos os seus compromissos para
entrevistar uma testemunha de crimes de um grupo de extermínio. A conversa se
estendeu até a meia-noite. Quando chegava em casa, por volta da uma da
madrugada do dia 12, a magistrada foi covardemente atacada. Sequer teve
oportunidade de sair de dentro do carro atingido por tantos tiros de calibre
P40 e 9mm. Mais tarde, a perícia descobriu que as capsulas de P40 pertenciam a
um lote de munição utilizado pelo 7º. Batalhão da PM, de São Gonçalo, na área de
atuação da juíza Patrícia Acioli. Tomados pelo sentimento de impunidade, os
assassinos nem pensaram em disfarçar a munição usada no crime, assim como
também não recolheram as capsulas.

Além da morte da magistrada, envolvendo agentes da lei, 84 policiais e militares das UPPs já foram afastados por abusos e corrupção. Resultado: o secretário Beltrame
aceitou o pedido de exoneração do tenente-coronel Mário Sérgio Duarte
(conhecido na corporação como “Caveira 37”) e nomeou o novo comandante, Erir
Ribeiro Costa Filho, que já esteve à frente do Batalhão de Choque, mas que
ultimamente ocupava funções internas na PM. Logo após assumir, o coronel Emir
afastou outros sete oficiais comandantes.

Parece que MC Beltrame ainda vai ter muito trabalho pela frente.

A juíza Patrícia Acioli

A cena do crime

 

 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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2 respostas para “Faxina” de Beltrame derruba comando da PM

  1. Rafael Petry disse:

    Apesar de toda bandalheira ainda temos outras pessoas como Patricia Acioli, inclusive dentro da PM. “Para que o mal prevaleça basta que o bem se cale”…

    Curtir

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