“Fabinho FB”, chefão do tráfico, na cadeia

 

FB, líder do Comando Vermelho

 

Fabiano Atanázio da Silva, o “Fabinho FB”, uma das principais lideranças do Comando Vermelho, 35 anos, foi preso na semana passada por um grupo de policiais do Rio de Janeiro, durante uma operação secreta em São Paulo. “FB” foi localizado numa casa alugada em Campos de Jordão, cidade de veraneio para gente muito rica a 173 quilômetros da capital paulista. Fabiano comandava um grupo de 500 homens armados no Complexo do Alemão onde era responsável pelo movimento de venda de drogas em três grandes favelas em torno da Vila Cruzeiro, com faturamento de muitos milhões de reais por ano. Segundo a polícia, o bando dispunha de 300 fuzis automáticos, metralhadoras, inclusive antiaéreas de calibre 30, granadas e foguetes. Foi “FB” que mandou derrubar um helicóptero da PM durante combates entre o CV e o Terceiro Comando, facções rivais, no Morro dos Macacos.

“Fabinho” era um entusiasta por tecnologias modernas. Falava com seus cúmplices através de Skype e havia montado um circuito fechado de câmeras para vigiar seu território no Alemão. Durante a ocupação militar no complexo, protagonizou aquela fuga espetacular por uma estrada de terra, mostrada ao vivo pelo helicóptero da TV Globo. Depois, sumiu. Assim como sumiram todos os demais traficantes do bando. Mas a polícia passou um ano seguindo o bandido e grampeando suas ligações telefônicas. Ao todo, foram mil horas de gravações. Num dos telefonias, “FB” aparece negociando com PMs a compra de “bicos” (fuzis): “se for AR-15 ou AK-47, pago 30 mil cada um”. Foram gravações como essa que levaram os policiais até o refúgio de Fabiano em Campos de Jordão.

“Fabinho FB” era um dos principais elementos de ligação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, o PCC paulista. As duas organizações criminosas negociam drogas e armas no exterior, por meio de um grande acordo comercial firmado por Fernandinho Beira-Mar. “FBM”, como é conhecido o maior traficante brasileiro, sonhava com a criação da Federação Brasileira do Crime Organizado, que unificaria todo o tráfico de drogas sob uma mesma bandeira, a exemplo do que tentou fazer na Colômbia o megatraficante Pablo Escobar. Se a “Febraco” virou realidade, ninguém sabe com certeza. Mas o fato é que hoje existe uma ampla articulação nacional do tráfico envolvendo o CV, o PCC, o Comando Vermelho Nordeste (nas áreas de lavoura de maconha) e a Organização Plataforma Armada (a OPA, de Salvador).

Ao ser preso em Campos de Jordão, “Fabinho FB”, que também tinha uma casa de praia em Peruíbe, estava acompanhado de Luís Cláudio Correa, o “CL”, chefe da segurança do traficante. E a surpresa: também estava na casa um homem chamado Elton Leonel Rumich, apontado como “do alto escalão do PCC”, confirmando a parceria entre as duas organizações. “FB” recebia ordens diretamente de Fernandinho Beira-Mar, através de bilhetes e telefonemas. Como e sabe, Fernandinho está preso em um presídio federal de segurança máxima.

E, agora, “FB” também.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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Uma resposta para “Fabinho FB”, chefão do tráfico, na cadeia

  1. Robson Silva disse:

    Mestre, apesar da distancia e da ausencia continuo acompanhando seus trabalhos. Continuo na Band, no Brasil urgente no interior do PR. Se tiver um tempo, assista e opine. http://www.taroba.com.br
    Sabe o quanto sua opiniao é importante para mim. Mande noticias! Esta na Band ainda? Abraços

    Curtir

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