Assassino chama a polícia para prender manifestantes

O Criminoso ligou para 190: reclamou de perturbação da ordem.

O Criminoso ligou para 190: reclamou de perturbação da ordem.

No domingo passado (20 out), parentes e amigos de Hiromi Sato, brutalmente assassinada há seis meses pelo próprio marido, o advogado Sérgio Brasil Gadelha, realizaram uma manifestação de protesto em frente ao prédio onde ocorreu o crime, na Rua Pará, em Higienópolis, São Paulo. Representantes de movimentos contra a impunidade também estiveram presentes. Sérgio Gadelha, apesar de ter sido preso em flagrante, depois de espancar e estrangular Hiromi, recebeu da justiça o benefício da prisão domiciliar. É o mesmo que deixá-lo em completa liberdade, porque não há nenhuma fiscalização ao cumprimento de semelhante sentença judicial. Por isso, uma vez por mês, manifestantes vão à porta do prédio para pedir a revogação da absurda decisão. O protesto, pacífico, conta sempre com adesão dos vizinhos e moradores do bairro.
Nesse último domingo, no entanto, um episódio insólito: o assassino confesso, incomodado com o protesto, chamou a polícia. Queria registrar queixa de “perturbação da ordem”. Queria que os policiais levassem os manifestantes para uma delegacia policial e que fosse registrado um boletim de ocorrência. Em poucos minutos, três viaturas da Polícia Militar chegaram à Rua Pará. Os policiais não interferiram na manifestação. Foram até o apartamento do criminoso e disseram a ele que esse tipo de protesto não viola a lei. O bom senso dos policiais impediu que algo desagradável pudesse acontecer. E o protesto continuou por mais uma meia hora.
Mas o episódio nos faz pensar. Três viaturas, com uns seis policiais, ou mais, atendem ao chamado do criminoso. Com certeza essa força policial fez falta em algum outro lugar, entre milhares de ocorrências diárias na capital paulista. E não deixa de ser uma situação absurda: a polícia atendendo a um criminoso confesso, que deveria estar na cadeia. E vale lembrar: quem é a maior ameaça à ordem pública? O assassino frio e covarde, ou os parentes e amigos da vítima?
Você, caro leitor, que sempre acompanha o nosso site, não deixe de se manifestar sobre esse assunto. E mande a sua opinião para o juiz Alberto Anderson Filho, da 1ª. Vara do Tribunal do Júri. Foi ele quem permitiu que Sérgio Gadelha cumprisse pena em casa.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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3 respostas para Assassino chama a polícia para prender manifestantes

  1. eu acho que era o juiz que devia ser encarcerado

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  2. Eu disse:

    Estava navegando quando li sobre o episodio deste assassinato. Não sei por que me aprofundei, pois tenho péssimas lembranças deste episodio.
    Vocês já ouviram falar em Dejavú/ foi o que aconteceu quando eu soube dos detalhes do assassinato desta pobre mulher. Contudo meu dejavú foi com outra real pessoa.
    O fato ocorrido a 35 anos atrás quando tinha 12 anos e vi minha mãe de quatro sendo estrangulada por este louco no hall do edf. Place L’Etoile. Corri para cima deste animal e o soquei com toda a minha força.
    Mas mesmo tendo uma força superior a muitos meninos da minha idade acho que não impediria que ele matasse minha mãe, contudo o mesmo a largou que desfalecida e com os olhos revirados puxou fortemente o ar de uma afogada.
    Lembro-me até hoje do sorriso diabólico desferido por este assassino logo após libertar minha mãe. Nunca esquecerei este sorriso, pois o vi por outras diversas vezes
    Não tenho dúvidas nenhuma que o ocorrido com esta pobre alma Hiromi teria acontecido com minha querida mãe a 35 anos atrás.
    Seu juiz tenho certeza que este homem vive seu inferno particular, mas bom seria se o mesmo pudesse sentir as dores que causou a todas as mulheres que se relacionou.
    Pude presenciar a agonia de 3 destas mulheres, minha mãe, um namorada chamada Márcia e, sobretudo o da minha querida irmã que criei por algum tempo logo após o falecimento da minha querida mãe.
    Esta minha única irmã nunca pôde entender a minha carga em relação ao seu pai, mas sem dúvidas ela entenderia se tivesse vivido os diversos infernos que a mãe dela e eu vivemos na rua Pará 269 apt 61.

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    • Carlos Amorim disse:

      Obrigado pelo comentário. Continue participando do nosso site.
      Essa pessoa a quem você se refere é o mesmo Sérgio Brasil Gadelha, assassino de Hiromi Sato?
      Se for ele mesmo, não gostaria de nos contar mais detalhes dessa sua história? Seria de extrema importância para o julgamento desse criminoso brutal e covarde.
      Se puder, ajude a fazer com que esse criminoso vá para o lugar que merece: a cadeia.
      Abs
      Camorim .

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