Governo brasileiro concede anistia política e reparação a índios da etnia Suruí, da região do Araguaia, que foram obrigados a servir de guias para o Exército no combate a guerrilheiros.

Aldeia dos índios Suruís. Foto Funai.

Aldeia dos índios Suruís. Foto Funai.

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu, nesta sexta-feira (19 set), anistia política a 16 indígenas da tribo Suruís, do sul do Pará (região norte do Brasil), que foram obrigados a servir de guias para as Forças Armadas durante a Guerrilha do Araguaia, entre 1971 e 1973. Os índios não tiveram contato com a civilização branca até os anos 1950 e não sabiam falar português. De tradição cultural milenar, viviam na floresta densa e a conheciam como ninguém. Por isso foram “recrutados” pelo Exército para perseguir a guerrilha comunista que se instalou naquela quadra remota do país, a partir de 1966.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abraão, pediu desculpas aos índios em nome do Estado brasileiro, afirmando que a medida repara danos morais e pessoais sofridos pelos indígenas. Durante a repressão ao movimento armado de resistência à ditadura militar no Brasil, organizado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB, que hoje faz parte da base política do governo), cinco aldeias suruís foram ocupadas por tropas federais. A comunidade indígena foi proibida de pescar e caçar, seus estoques de alimentos foram destruídos, porque os militares acreditavam que poderiam servir de apoio à guerrilha. E os homens das aldeias foram forçados a perseguir os comunistas. Eles viviam completamente nus e armados com arcos e flechas.

A etnia suruí, em foto da Funai.

A etnia suruí, em foto da Funai.

O contato dos suruís com a chamada civilização branca (ou quase branca, no caso brasileiro) só trouxe desgraças para a etnia. Abuso de mulheres e crianças, doenças, vícios, garimpo de ouro e pedras e – finalmente – uma guerra que não lhes pertencia. O combate à guerrilha representou um trauma que só agora o governo do país teve coragem de reparar. As terras suruís serão demarcadas em reservas, com um ganho de 11 mil hectares de área cultivável. Os índios suruís eram defensores da floresta amazônica, viviam dos recursos naturais. O envolvimento deles na luta armada foi um crime irreparável.

A região do rio Araguaia, cenário da luta armada contra a ditadura;

A região do rio Araguaia, cenário da luta armada contra a ditadura;

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