Tribunal de Justiça decide que o advogado Sérgio Brasil Gadelha, assassino de Hiromi Sato, vai a júri popular. Os desembargadores recusaram o recurso da defesa, que pretendia demonstrar que ele não teve a intenção de matar quando espancou e estrangulou a mulher no apartamento do casal.

Sérgio Gadelha.

Sérgio Gadelha.

A 6ª. Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu que o assassino confesso da secretária-executiva Hiromi Sato vai a júri popular. Por decisão unânime, para a qual não há recurso, os desembargadores rejeitaram a tese da defesa, que pretendia transformar a acusação de homicídio doloso, triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e incapacidade de defesa de vítima), em uma simples acusação de lesão corporal sem a intenção de matar. A sentença foi um alívio para a família e os amigos da vítima, além de um alento, uma esperança de que a violência contra a mulher no Brasil não fique impune. Aqui, no Patropi, uma mulher é estuprada a cada 15 minutos. O número de homicídios praticados pelo próprio companheiro soma dezenas de milhares por ano. Verdadeiro massacre.

Neste caso em particular, os desembargadores tiraram a venda dos olhos da Justiça. Que o criminoso enfrente seus pares, o júri, o cidadão comum. E que a sorte o desfavoreça, reunindo um conselho de sentença com maioria de mulheres. E que o martelo do juiz bata forte, para deixar bem claro que esse tipo de violência brutal não é admissível no mudo civilizado. Somos um país onde a violência é epidêmica, com mais de 56 mil assassinatos por ano. A estatística demonstra que as vítimas são jovens entre 12 e 29 anos, abatidos a tiros. É o futuro que desaba. Nesse holocausto brasileiro, os mortos são pretos e pardos, moradores das periferias, sem dentes e sem educação. Se quisermos mudar este país, temos que prestar atenção ao desastre da nossa juventude. Temos que exigir de nossos governantes, os grandes culpados, políticas públicas para lidar com o drama da violência.

Hiromi Sato, minha amiga, tinha um ou mais diplomas de ensino superior. Estava, supostamente, fora das estatísticas do crime. Isso não impediu que seu algoz estivesse dentro de casa. E o problema da violência doméstica também é subestimado no Brasil. Nosso código penal é de 1941 – e não é reformado porque o Congresso Nacional não aprova mudanças na lei que possam cair sobre as suas próprias cabeças. O Congresso legisla em causa própria. E nós, os cidadãos-vítimas, precisamos reagir contra eles. Eles são o inimigo.

Sérgio Brasil Gadelha, acusado de homicídio doloso, por ter diploma em Direito, está sob regime de prisão especial. Após matar a própria mulher com requintes de crueldade, passou apenas 31 horas na carceragem de um distrito policial. Um juiz conferiu a ele o direito de prisão domiciliar. E um movimento de protesto fez com que fosse, enfim, encarcerado. Agora cumpre prisão no Regimento 9 de Julho de Cavalaria da Policia Militar, no centro de São Paulo. Fica numa pequena sala, com cama e uma privada. Obedece ao regime militar, mas pode trabalhar: escovar cavalos, lavar viaturas da PM, varrer o quartel  etc. A Promotoria Pública e os advogados da família, que atuam como assistentes da acusação, acreditam que Sérgio Gadelha será julgado ainda este ano. Ele tem 75 aos de idade. Pode ser condenado a 24 ou 28 anos de prisão.

Anúncios
Esse post foi publicado em Politica e sociedade. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s