STJ manda de volta para casa o assassino de Hiromi Sato. Exatos dois anos após o crime brutal, a alta corte decide anular decisão da justiça paulista que resultou na prisão do criminoso.

A justiça é cega... e capenga.

A justiça é cega… e capenga.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão surpreendente, mandou de volta à “prisão domiciliar” o advogado Sérgio Brasil Gadelha. Em 20 de abril de 2013, o criminoso espancou e estrangulou a mulher, Hiromi Sato, com quem estava casado há três anos. Foi no próprio apartamento do casal. Preso em flagrante, confessou o homicídio. Quando a polícia chegou, ele estava sentado no sofá da sala vendo TV, como se nada tivesse acontecido. Agora o STJ o manda de volta à cena do crime, o apartamento da Rua Pará, em Higienópolis, centro de São Paulo, cenário da tragédia.

Após o crime, o advogado ficou apenas 36 horas na carceragem de uma delegacia. Um juiz decidiu que ele podia ficar em casa, porque era idoso e não representava uma ameaça à segurança pública. Depois de muita insistência da família da vítima, amigos, advogados e uma promotora do Tribunal do Júri, Gadelha foi encarcerado: “cela especial” de um quartel da PM paulista,  na verdade uma salinha com banheiro. A decisão de mandar o sujeito para a cadeia foi tomada por unanimidade na 6ª. Câmara Criminal do TJ paulista. Os desembargadores acharam que Gadelha era perigoso, sim, e representava uma ameaça para o prosseguimento da ação penal. Tinha até tentado constranger uma irmã de Hiromi Sato, por meio de e-mails agressivos.

Sérgio Gadelha.

Sérgio Gadelha.

Muito bem: agora o STJ mandou anular aquela decisão, aceitando o argumento de que a defesa de Sérgio Gadelha não tinha sido “intimada eficazmente” acerca da data do julgamento da questão (jan 2014). Pelas leis brasileiras, qualquer tipo de cerceamento do direito de defesa enseja anulação de decisão judicial. Mesmo que seja de instância superior e unânime. Um detalhe técnico que “liberou” o assassino. Digo “liberou” porque ninguém fiscaliza prisão domiciliar no Brasil.

Sérgio Brasil Gadelha é réu por homicídio doloso, triplamente qualificado: motivo torpe, meio cruel e incapacidade de defesa da vítima. Ainda tem o agravante de ter matado a própria mulher na residência do casal. Está sujeito a penas de 12 a 30 anos de prisão.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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Uma resposta para STJ manda de volta para casa o assassino de Hiromi Sato. Exatos dois anos após o crime brutal, a alta corte decide anular decisão da justiça paulista que resultou na prisão do criminoso.

  1. Regina Marie disse:

    “Está sujeito a penas de 12 a 30 anos de prisão”……a pergunta que não quer calar é : quem garante que ele irá cumprí-la ???

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