Congresso vota reforma política e consegue o que parecia impossível: não mudar nada. É a consagração de um Parlamento que legisla em causa própria.

Congresso vota reforma política. Nada resolvido.

Congresso vota reforma política. Nada resolvido.

De novo, quem passou o dia assistindo aos telejornais, no dia decisivo de votação da reforma política, não entendeu nada.

Com 20 anos de atraso – e em apenas uma semana -, o Congresso Nacional votou o texto básico de uma suposta reforma política. E ela não acrescenta quase nada ao quadro institucional brasileiro. Nem o “distritinho” – nem o “distritão”. Lista fechada de candidatos, nem pensar. Prevalece o modelo atual, no qual um cantor, jogador de futebol ou comediante arrasta centenas de milhares de votos para outros, simplesmente desconhecidos. E isto para os grandes centros urbanos, porque, no interior, continua valendo o velho “voto de cabresto”, típico da era pré-capitalista. Quando os “coronéis” e os latifundiários mandavam votar em amigos e parentes.

Em relação ao financiamento das campanhas milionárias, que excluem os pequenos que têm algo a dizer, ficou praticamente como estava. Aprovou-se que pessoas físicas ou jurídicas podem fazer doações de campanha aos partidos. E que os partidos podem dividir o bolo como bem entenderem. Esta questão do financiamento empresarial para os políticos é a maior fonte de corrupção no país. Vide o “mensalão” e o “petrolão”. Por que uma empresa doaria milhões de reais para um candidato? Porque considera que o dinheiro é um empréstimo, que será cobrado mais tarde, por meio de benefícios em licitações e superfaturamentos em obras públicas.

Reforma comandada pele Presidente da Câmara, Eduardo cunha.

Reforma comandada pele Presidente da Câmara, Eduardo cunha.

Agora: os limites de tais doações (se é que haverá limites) ficaram para ser decididos mais tarde, em lei ordinária, cujo título já dá uma ideia do conteúdo. Preferencialmente, longe dos holofotes da mídia, essa gente desagradável que critica tudo. Ou quase tudo. Ou mais ou menos, conforme o próprio interesse das empresas de comunicação, que também tiram as suas casquinhas dos esquemas de poder. Por exemplo: não se estabeleceram limites para as “doações” aos partidos, assim como não foram determinados limites de gastos para as próprias campanhas. Fica tudo por conta da tal “lei ordinária”. Deveriam ter votado a mudança do nome dessa Lei.

Sobre a representação política dos partidos: se existisse uma agremiação chamada “Partido Nacional das Putas” (e que as putas me perdoem), bastaria eleger uma única deputada, como a belíssima italiana Cicciolina, para assegurar direitos ao fundo partidário oficial (cerca de 800 milhões de reais no ano passado) e a tempo de rádio e televisão na propaganda gratuita. É assim que surgem as ditas “legendas de aluguel”, partidos que “vendem” tempo na mídia gratuita para sobreviver. Ou seja: fica tudo como está!

A comentarista de política da Globonews, a simpática e bem informada Cristiana Lobo, chegou a dizer, a respeito da reforma política, na edição das seis da tarde de hoje (28 maio): “A montanha pariu um rato”. E os ratos não faltam, certo? Agora vão decidir o “voto facultativo”, que na prática já existe. Se você não quiser votar, paga uma multa de 3,7 reais por turno, em qualquer cartório eleitoral do país.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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