Desvio de centenas de armas da PM do Rio é investigado por CPI: descontrole nos arsenais abastece o crime organizado.

Armas apreendidas na favela da Rocinha, no Rio.

Armas apreendidas na favela da Rocinha, no Rio.

Um número ainda não determinado de revólveres, pistolas, fuzis e granadas desapareceu dos arsenais da Polícia Militar do Rio de Janeiro. De início, a própria PM informou que foram 857 armas, Depois, o número baixou para 457, porque se descobriu que algumas dessas armas haviam sido transferidas de uma unidade policial para outra. A própria corporação admite que há “um certo descontrole” em relação aos seus suprimentos, porque os registros de entrada e saída são manuais. Simples anotações num livro.

desvio na PM 01

Fato estranhíssimo: em 2011, a PM inaugurou um moderno e caríssimo sistema informatizado de controle do armamento, que parou de funcionar no ano seguinte. E sem maiores explicações. Só na metade deste ano é que os computadores voltaram a funcionar, também se motivos aparentes. O sumiço das armas teria se iniciado em 1993 – e se intensificado nos anos mais recentes. Pior: algumas dessas armas foram apreendidas com traficantes. Além do mais, dezenas de milhares de munições também desapareceram.

 

Em setembro deste ano, só na Companhia Independente de Polícia Militar, responsável pela guarda do Palácio Guanabara, sede do governo, houve um desvio de 2,5 mil munições. Coisas assim levaram a Assembleia Legislativa do Rio a abriu uma CPI para investigar o destino de todo esse material. E os deputados descobriram mais de mil inquéritos internos na PM para apurar os fatos. Pelo menos 50 policiais estariam sendo investigados. Ao que tudo indica, a Justiça não ficou sabendo.

PM em ação nas favelas: armamento desviado.

PM em ação nas favelas: armamento desviado.

Trata-se de um escândalo sem precedentes. Parece que há uma quadrilha dentro da corporação, especializada em desviar o armamento. O comando da PM informou: boa parte das armas sumidas deveriam estar com as UPPs. Isto provavelmente quer dizer: roubar dos quartéis para vender ao crime organizado, que depois vai utilizar as armas para enfrentar a polícia. Ou para matar o cidadão comum com balas perdidas.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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