Dilma quer sair do impeachment com total controle político do governo. Só assim se livraria da herança lulista. Este é o projeto dela desde a reeleição.

 

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Dilma quer se livrar da herança de Lula. Foto do portal da Veja.

Informações de bastidores, postadas por um amigo jornalista de Brasília, na forma de um comentário aqui no site, revelam um ambiente curioso na capital. Na opinião do colega experiente, por estranho que pareça, a presidente Dilma pretende sobreviver ao impeachment e assumir o controle político total do governo. Quer se livrar da herança de Lula, que sempre marcou decisões importantes desde o primeiro mandato. Inclusive – e talvez principalmente – na formação do ministério. Análises palacianas dão conta de que a presidente tem 212 votos na Câmara, mais do que o suficiente para derrubar o processo de cassação.

O jornalista em questão é assessor direto de um dos ministros que integram o “núcleo duro” do governo, os homens de confiança da presidente. Pela relevância do texto, decidi publicar na forma de um pequeno artigo. Mas, infelizmente, não posso identificar o autor. Seria uma quebra de confiança imperdoável. Confira:

“Gostei muito do teu post sobre o impeachment. Só não comento porque, em minha posição, não posso falar nem escrever uma só vírgula sobre este tema. Você está bem situado, acho. Apenas acrescento que a formatação da luta anti-impeachment é muito singular. OU seja: Dilma chamou para ela o comando político do processo (elevadas chances de sair tudo errado), o que, em caso de vitória, lhe dará a autonomia diante de Lula que ela vem procurando desde a campanha eleitoral. Se vencer, o governo será só dela.

“Quanto a (Michel) Temer, se afastou de Dilma quando ela discordou de sua proposta de condução política. Temer disse-lhe que deveria fazer uma defesa institucional do mandato. Dilma preferiu um confronto direto, bate-boca contra Eduardo Cunha. Esta é a diferença real. A turma do núcleo duro da assessoria  acha que ela não devia levar o debate para o terreno do embate pessoal com Cunha, pois, tão logo o processo entre nos seus trâmites, desaparece a importância do deputado.

“Por outro lado, esses políticos acreditam que o confronto servirá para destravar o governo. Se vencer, Dilma poderá governar. Por enquanto, está tudo travado e a economia despencando. Aí estaria a questão: fazendo as contas, Dilma conta com 212 votos, ou seja, o suficiente para derrubar o processo no plenário da Câmara. Com essa segurança ela vai para o confronto. Interessante é que a luta na Câmara não é contra a oposição, mas dentro de sua própria base, que é a grande responsável pela paralisação da agenda do governo desde a posse. Atacar Temer pode ser um tiro no pé”.

Do texto, podemos extrair conclusões básicas: Eduardo Cunha some após a instalação da Comissão Especial do processo de impeachment, abandonado à própria sorte até pela oposição; se ela vencer, afasta Lula e o PT mais exigente; mas, como sabemos, Dilma não é nenhum primor em matéria de política e se comunica muito mal com o publico. Se ela tiver mesmo os 212 votos na Câmara, vence tranquilamente. Por isso a oposição quer deixar a votação para o ano que vem, mandando os deputados – de férias – para a praia e a fazenda. Quem sabe para Miami?

Cenas do próximo capítulo.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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Uma resposta para Dilma quer sair do impeachment com total controle político do governo. Só assim se livraria da herança lulista. Este é o projeto dela desde a reeleição.

  1. Diana disse:

    Gostei!! Acho interessante q a Dilma se afaste do PIxuleco e só tem a perder se o fizer então tô feliz!

    Agora é a Dilma q tá querendo mudar o calendário e não a oposição q quer adiar.

    Beijos

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