O povo sai às ruas contra Dilma, Lula e o PT. O protesto encurrala o governo e dá força ao impeachment da presidente. E o clima político se radicaliza: intolerância para todo lado.

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Brasília tomada por manifestantes.

                                   O dia nacional de protesto contra o governo, neste domingo (13 mar), é o divisor de águas na crise política brasileira. Enorme multidão saiu às ruas de todo o país pedindo o impeachment da presidente Dilma. Lula e o PT foram alvo de ironia e raiva. É a demonstração da falência de um governo anestesiado, incapaz de enfrentar as crises política e econômica, uma alimentando a outra. O número exato de participantes ainda não se sabe. Mas a estimativa é de que passe de 2 milhões de pessoas.

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Mais de 450 mil na Avenida Paulista.

                                   Só na Avenida Paulista, o coração da oposição, havia 450 mil, segundo avaliação do Datafolha às quatro da tarde. A pesquisa garante que foi o maior ato político da história de São Paulo.  No Rio, talvez mais de 200 mil. E outros 100 mil em Brasília. A dimensão do protesto marca o início do fim do governo Dilma: não se discute se ela deve sair, mas como deixará a presidência. A hipótese mais provável é mesmo a do impeachment, porque o apoio popular vai insuflar o Congresso em ano de eleições. Para tirar a presidente do cargo são necessários 342 votos na Câmara e 54 no Senado.  Há poucos dias parecia impossível. Agora não é mais.

                                   Como diz o ditado, os ratos abandonam o navio antes do naufrágio.

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Aloysio, Aécio e Alckmin a caminho da Av. Paulista: foram impedidos de falar pelas vaias.

O ato público é também uma condenação do modelo político, esse presidencialismo de coalizões a qualquer preço. Essa democracia precária, baseada no poder econômico e na corrupção generalizada. Retrata bem a desintegração do sistema partidário de alianças espúrias. Tanto isso é verdade, que políticos tentando se aproveitar das manifestações foram severamente hostilizados. Entre eles, Aécio Neves, Aloysio Nunes, Geraldo Alckmin, Marta Suplicy e muitos mais. As vaias os impediram de falar. O 13 de março foi uma festa popular, pacífica e com um toque de humor, sem qualquer incidente digno de nota. O povo rejeitou o oportunismo de última hora.

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Os prejuízos políticos atingem também a oposição.

                                   Outra consequência da mobilização: se alguém tinha esperança de botar um freio na Lava-Jato, pode esquecer. Especialmente os políticos citados. O protesto mostra o desejo de aprofundar as punições. Vai sobrar para todo mundo, aí incluindo os presidentes das casas legislativas do Congresso. Durante a manifestação, policiais e procuradores federais pediam assinaturas para uma emenda à Constituição, de modo a garantir a autonomia deles. Querem, aliás, estar ligados ao Ministério da Defesa e não à Justiça. É um absurdo completo, porque criaria um poder discricionário e acima da lei. Mas, em meio à crise, vale tudo. E eles conseguiram muitas assinaturas. Que Deus nos livre dessa!

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Marta Suplicy, ex-PT, teve que sair.

                                   O grande problema, no entanto, é o seguinte: estamos prontos para ver Michel Temer e o seu PMDB assumirem o poder por dois anos? Temos alternativa? Aécio e Alckmin foram vaiados. Marina Silva e Cirro Gomes ficaram em silêncio. Lula está mais desidratado que borboleta. Sem Dilma, vale qualquer coisa? Parece que não vai sobrar nada. E aí mora o perigo: em tempos de desesperança, qualquer aventureiro lança mão, como já nos aconteceu com Jânio e Collor. A jovem democracia brasileira, com apenas 31 anos de idade, deveria ter superado essas possibilidades desastrosas. Mas não superou.

                                   Apesar do caráter pacífico dos protestos de hoje, a radicalização se espalha no país. A polícia acabou com uma assembleia do sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em Diadema, onde se discutia uma mobilização a favor de Lula e do PT. A sede da UNE em São Paulo foi atacada. Nas redes sociais o ódio de parte a parte é contagiante. Na manifestação deste domingo um cartaz lamentava que Dilma não tenha sido enforcada no Doi-Codi, onde esteve presa, durante o regime militar. Para quem não sabe (ou não lembra), o Doi-Codi era o centro de coordenação da repressão política da ditadura. Coisas assim são preocupantes.

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Intolerância: manifestante lamenta que Dilma tenha sobrevivido.

                                   No domingo que vem, os apoiadores do governo, de Lula e do PT prometem ir às ruas. Obviamente, não será uma manifestação tão grande nem tão importante como a de hoje. Mas os sindicatos e os movimentos sociais estarão presentes. O novo protesto, por todas as razões, deve ser menor, dando margem a provocações e à consequente repressão policial. E isso também é muito preocupante.

                                   Não podemos pretender melhorar o Brasil sacrificando a democracia e o Estado de Direito.                                 

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