Tucanos articulam afastamento definitivo de Cunha. Dilma defende plebiscito e convocação de eleições. No exterior, imagem de Temer é a pior possível.

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Eduardo Cunha: todos contra ele.

 

A frente parlamentar que reúne PSDB, DEM e PPS declara guerra a Eduardo Cunha. É uma resposta às manobras de bastidores do presidente da Câmara dos Deputados, que tenta sobreviver a qualquer preço. O núcleo que comandou a oposição ao governo Dilma pretende, inclusive, procurar os adversários PT, PCdoB e Rede para derrubar Cunha de vez. A ideia é reforçar o Conselho de Ética, que não consegue julgar o deputado, e impedir um jogo regimental na CCJ que pode salvar o mandato de Cunha. Aliás, hoje (10 jun) pela manhã, o STF aceitou mais uma denúncia contra o deputado.

É curioso: esse mesmo grupo apoiou Eduardo Cunha quando se tratou de abrir o processo de impeachment contra Dilma. Resultou naquele espetáculo lamentável na Câmara, mas que serviu para revelar ao país a qualidade de nossos representantes e o real tamanho da oposição a Dilma, Lula e ao PT: de 513 deputados, 367 votaram pelo impedimento da presidente. Até aquele momento, o domingo 17 de abril, Eduardo Cunha servia aos interesses do grupo oposicionista. Agora não serve mais. Querem afastá-lo antes que o Supremo Tribunal mande prender o deputado, evitando enorme vexame para a classe política.

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Dilma dá entrevista à TV Brasil e fala em eleições diretas na emissora de Temer. Imagem TV Brasil.

Enquanto isso, a presidente afastada dá entrevista à TV Brasil, a rede pública do governo federal, fala em golpe e sugere a convocação de um plebiscito para decidir se o povo quer eleições diretas para presidente ainda este ano. Tudo isso na emissora agora controlada pela administração Temer. Parece piada: o novo governo não consiga cuidar do próprio quintal. E no exterior continua valendo a imagem de que Dilma foi derrubada por um golpe parlamentar e que Temer não apoia o combate à corrupção, já que tem acusados em seu gabinete.

O Planalto, segundo a edição online do Estadão de hoje, encomendou uma pesquisa que revelou a péssima imagem do governo no plano internacional. Essa mesma pesquisa mostra que apenas o ministro Henrique Meirelles é bem visto pela mídia mundial. E conclui: Temer deveria falar mais aos correspondentes estrangeiros, para ficar conhecido e equilibrar as informações negativas que contra ele circulam. Mas pode ser que piore, a depender do que diga o interino.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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