Pedido de prisão de Renan, Cunha, Jucá e Sarney é o naufrágio do modelo político brasileiro, destruído pela corrupção. É a falência da própria República.

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Sarney, Renan, Jucá e Cunha na cadeia? Imagem do portal O Globo.

Já não temos presidente eleito. Dilma foi afastada e não deve voltar. O vice Michel Temer virou interino e não tem substituto. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, está suspenso e também afastado. Agora a Procuradoria-Geral da República pede a prisão dele e do presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros. E do presidente do PMDB, Romero Jucá, que foi ministro por alguns dias e caiu por acusações de obstrução da justiça. E Janot, o procurador, também pede a prisão do ex-presidente José Sarney, 86 anos, cuja detenção seria substituída por medidas restritivas da liberdade, como o uso de tornozeleira eletrônica e confinamento domiciliar.

A cúpula do PMDB, partido do presidente interino Michel Temer, é acusada de receber 70 milhões de reais em propinas. A prisão dos líderes peemedebistas está nas mãos do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido da PGR chegou ao STF há duas semanas e estava sendo estudado pelo ministro com cuidado, dada a gravidade das consequências. O magistrado vinha, inclusive, consultando seus pares, para sentir o pulso da corte. Ontem (6 jun), estranhamente, o pedido de prisão “vazou” para o jornal O Globo. Foi manchete na edição de hoje. Pode ter sido uma forma de pressionar Teori Zavascki. Mas quem conhece o ministro sabe que ele não decide sob pressão. Teori deve levar o caso ao plenário do STF.

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O procurador Rodrigo Janot. Imagem TV Justiça.

Colocar essa gente na cadeia, ainda que por um dia, dará ao brasileiro uma alegria de final de campeonato. Algo para comemorar. Por outro lado, representa a falência do modelo político brasileiro, o presidencialismo de coalizão, submetido ao poder econômico e corroído pela corrupção. É tão grave, que seria preciso refundar a República e começar tudo de novo. O país não pode prosseguir com governantes e políticos dessa espécie.

O Congresso, apesar de eleito livremente, não presta contas ao país e legisla em causa própria. Não aprova nenhuma reforma que atenda ao interesse nacional. Principalmente, não aprova nada que possa resultar em ameaças aos privilégios da classe política. E os governantes eleitos? Não conseguem governar sem fazer acordos com esse Parlamento. E acordos significam: grana no bolso deles e mais privilégios. É um círculo viçoso e insolúvel. Se o país não romper esse impasse, não tem futuro.

O governo interino de Temer está afogado em acordos, loteando cargos e tentando apagar as marcas dos 13 anos do PT no governo. Demite 100 funções de confiança por dia. Isso não é para fazer economia. É para passar uma borracha na história petista e abrir espaço para a nova ordem conservadora. O governo do PT foi derrubado a propósito de combater a crise econômica e o desequilíbrio das contas públicas. Até agora Temer não apresentou uma proposta clara de mudança na política econômica – e continua dependendo do Congresso para aprovar as medidas necessárias, um dos motivos do fracasso de Dilma. Ou seja: depende de agradar esses políticos.

Deputados e senadores se beneficiam imediatamente das fraquezas do novo governo. Além de exigir participação no poder, para si ou para os apadrinhados, aproveitam o vácuo político para aprovar as chamadas pautas-bombas, todas contrárias ao interesse do país. Nas últimas semanas já aprovaram gastos que podem somar mais de 60 bilhões de reais. Isso é umm terço do rombo nas contas públicas. Abriram 14 mil novas vagas no funcionalismo. E tramam aumentos para os seus próprios vencimentos. São como hienas farejando sangue.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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