Governo paulista inicia transferência de líderes do PCC para presídio de segurança máxima. O grupo que comanda a organização criminosa, chamado de “Sintonia Geral”, ficará em isolamento total.

marcola

Marcola, supostamente líder do PCC. Ele comandaria 50 mil detentos no sistema penal.

                                   O núcleo dirigente do Primeiro Comando da Capital (PCC) começou a ser transferido para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes no último dia 14 deste mês. A medida foi aprovada pela justiça, a pedido do Ministério Público e da Secretaria de Assuntos Penitenciários. Motivo: as autoridades de segurança teriam descoberto um plano de fuga em massa e rebeliões carcerárias no período do Natal. A explicação é improvável, uma vez que o grupo de 14 integrantes da liderança do PCC, conhecido como “Sintonia Geral”, já estava em cadeias consideradas seguras, como Avaré e Presidente Wenceslau.

                                   Entre os presos transferidos está Marcos Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da   organização, pecha que ele refuta. O novo endereço da liderança criminosa, o Presídio de Presidente Bernardes, é conhecido pelo Regime Disciplina Diferenciado (RDD), no qual o sentenciado fica 23 horas por dia em total isolamento, em cela de quatro metros quadrados, tendo apenas uma hora de “banho de sol” sozinho. Só pode ser visitado por parentes diretos, mulher e filhos, e por advogados cadastrados no sistema penal. Isolados da massa carcerária, impedidos de realizar contatos com o exterior, o RDD é o que esses líderes criminosos mais temem. A última vez em que isso aconteceu, em maio de 2006, o PCC decretou um “salve geral” que resultou em semanas de violência nas ruas e no interior dos presídios.

                                   A “Revolta de Maio” foi causada pela transferência de 765 presos do PCC. As cadeias “viraram” em 74 instituições penais em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Segundo a Agência Brasil, portal de notícias do governo federal, em apenas 10 dias houve 564 mortos e 110 feridos em confrontos de rua e nas cadeias. Muitas das vítimas eram policiais e agentes penitenciários. O então governador de São Paulo, Cláudio Lembo, teria autorizado uma comissão de negociação para conversar com Marcola dentro da cadeia, com a intenção de pedir o fim das hostilidades. A matança ainda demorou a parar.  

                                   Na verdade, apesar das informações de motins e fugas, coisa rotineira no sistema penal, a transferência dos presos do PCC teria sido causada por dados obtidos na Operação Ethos. As autoridades investigaram dezenas de pessoas, durante mais de um ano, para fazer um mapa das conexões do PCC com o mundo das quadrilhas fora das celas. Cerca de 40 pessoas foram presas, entre elas 32 advogados que davam assistência à “Sintonia Geral”, o comando da organização. Esses advogados, de acordo com o Ministério Público, seriam integrantes da “Célula R” do PCC, também conhecida como “Sintonia das Gravatas”. Além de funcionar como advogados, cuidariam de estabelecer contatos externos, operar lavagem de dinheiro e produzir um dossiê sobre funcionários do sistema penal e suas famílias.

pcc-celila-r-01

O advogado Luís Carlos dos Santos. Reprodução da TV Globo.

                                   A Operação Ethos revelou um grau de organização do PCC que era apenas imaginado, mas não comprovado. Entre os advogados presos está o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria de Justiça paulista. Ao ser detido, o advogado Luiz Carlos dos Santos, presidente do Condepe, recebeu solidariedade de entidades ligadas aos direitos no Brasil e no exterior. No currículo dele há uma longa história de denúncias de violência policial e de grupos de extermínio. Poderia estar sendo vítima de vingança das forças públicas. Seja como for, as revelações acerca da capacidade de organização do PCC assustaram as autoridades da segurança pública. Isso é que pode justificar as transferências.

                                   O regime de isolamento total de presos sofre críticas no meio jurídico. Muitos autores afirmam que o confinamento é inconstitucional, porque o regime penal deveria recuperar o criminoso e não servir como um regime de castigo medieval. O líder Marcola, agora isolado, segundo a polícia, comandaria 50 mil dos 170 mil detentos paulistas. Do lado de fora das celas, não se sabe quantos atendem ao comando do PCC.

                                   Resta saber se teremos mesmo um Natal em paz.                   

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Politica e sociedade. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s