Pesadelo em Brasília: confissão de Marcelo Odebrecht ao TSE põe em risco o mandato de Michel Temer. Se não conseguir se descolar de Dilma na Justiça Eleitoral, a chance de ter o mandato cassado é muito grande. Vem mais um golpe por aí?

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Carmem Lúcia, do STF: a segunda mulher na presidência do Brasil? . Imagem TV Justiça.

                          O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após o depoimento do delator, tem fortes indícios de abuso de poder econômico e político na eleição da chapa Dilma-Temer em 2014. Isto é motivo para a cassação da dupla, anulando o resultado das urnas. A ação foi proposta pelo PSDB, hoje o principal aliado do governo, poucos meses após a derrota de Aécio Neves. Pior: a Odebrecht teria farta documentação (mantida secreta) para provar que deu dinheiro ilegal à dupla. Tais provas estariam em poder do Departamento de Operações Estruturadas da empreiteira, criado para administrar as contas da corrupção política. Era uma repartição clandestina na Odebrecht, que contabilizava as propinas e dava codinomes aos beneficiários do dinheiro sujo. Ou seja: pesadelo no Planalto.

                                   Com a possível impugnação da chapa Dilma-Temer, como fica o governo? Os sucessores naturais são Rodrigo Maia (Câmara) e Eunício de Oliveira (Senado), mas os dois são investigados na Lava-Jato e podem ser denunciados na semana que vem pela Procuradoria Geral da República (PGR). A nova “lista do Janot” vai diretamente para o STF. Quer dizer: podem terminar impedidos de assumir o Planalto ou de continuar no cargo se virarem réus. A terceira pessoa na linha de sucessão é a ministra Carmem Lúcia, presidente da Suprema Corte. O judiciário é a peça-chave na recuperação da moralidade pública brasileira. A menos que haja um “acordão” entre os poderes. Nessa terra de meu Deus, tudo pode!

                                   Em Brasília, a irresponsável bolsa de apostas políticas coloca Carmem Lúcia como a “pule de 10”, expressão antiga do turfe que indica o azarão que vai ganhar. Como se o páreo já estivesse decidido antes da corrida. Um desses apostadores, um amigo de longa data que acompanha de perto as estripulias planaltinas, me contou que haveria uma intervenção militar para garantir a posse da segunda mulher na Presidência da República. Tudo dentro da lei, com eleições diretas no ano seguinte.

                                   Em abril de 1964, quando assumiu o poder, o general Humberto de Alencar Castelo Branco fez um pronunciamento informando ao público que haveria eleições para presidente um ano depois. O regime militar durou 21 anos.

                                   É ver para crer!

                                     

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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