“The Economist”: em entrevista à revista inglesa, Michel Temer promete que vai “devolver o país aos eixos”. Em apenas um ano e pouco de mandato. Seria um prodígio de engenharia política e econômica. Nem as crianças do primário acreditam nisso.

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Há quem diga que Aécio e Temer estão na delação. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

                                    O presidente em exercício do Brasil, Michel Temer (PMDB-SP), disse à revista inglesa “The Economist”, uma das mais respeitáveis do mundo, que prefere ser “impopular do que populista”. Uma frase enigmática. Não é populista porque, de fato, amarga baixíssima aprovação nas pesquisas de opinião. E o populismo pressupõe farto reconhecimento popular, como era o caso de Getúlio, Jango e Lula. E se torna impopular na medida em que propõe reformas cujo peso econômico recai basicamente sobre salários e aposentadorias. Aprovou um congelamento do investimento público por 20 anos, atingindo basicamente a saúde, educação e segurança.

                                   Temer não será candidato em 2018. Não tem o perfil eleitoral para tamanho desafio. E não pode: está na ficha suja, condenado por tribunal colegiado de segunda instância, em razão de fraude eleitoral em São Paulo. O bloco ultraconservador que tomou o poder em Brasília, após o impedimento de Dilma Rousseff, não tem candidatos. Com a delação premiada da Odebrecht, não sobra nenhum deles. Desta forma, o que é chamado de “a nova direita’, terá que recorrer ao PSDB, que ganha cada vez mais espaço no governo Temer. Mas a social democracia brasileira vem ao páreo dividida entre Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Até as pedras do calçamento já descartaram José Serra. Aécio sofre acusações graves. Alckmin passa olímpico. Venceu com ampla vantagem as eleições municipais paulistas de 2016.

                                   Entre as pesquisas eleitorais espontâneas recentes, Lula é o nome mais afirmado pelos entrevistados. Mas o metalúrgico está sendo caçado pelo MPF, por Moro e pelo STF. Com a morte trágica de Marisa Letícia, a primeira dama petista, Lula obteve dividendos políticos. Queira-se ou não! Foi “vitimizado”, o que aumenta o cabedal eleitoral do operário do PT. Em um cenário como esse, Alckmin teria chances? Contra ele, dividindo o mesmo eleitorado da classe média dominante, há Marina Silva e Ciro Gomes. Sem falar na extrema-direita, onde despontam Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado. E sem falar em uma surpresa chamada Joaquim Barbosa, que comandou o processo do “mensalão”. Tudo isso tira votos do centro.  

                                   Uma análise prematura do quadro mostra que Lula bateria todos esses. Mas há pela frente o judiciário, que pretende destruir o Lula e o PT com ódio de classe. Resta saber se os menos beneficiados com o processo de desenvolvimento do país concordam com isso. Em Brasília, se repete a mania de achar que a política se diferencia do mundo real. É um erro. Um erro grave.   

                                                        

 

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