“The Economist”: em entrevista à revista inglesa, Michel Temer promete que vai “devolver o país aos eixos”. Em apenas um ano e pouco de mandato. Seria um prodígio de engenharia política e econômica. Nem as crianças do primário acreditam nisso.

impeachment 64

Há quem diga que Aécio e Temer estão na delação. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

                                    O presidente em exercício do Brasil, Michel Temer (PMDB-SP), disse à revista inglesa “The Economist”, uma das mais respeitáveis do mundo, que prefere ser “impopular do que populista”. Uma frase enigmática. Não é populista porque, de fato, amarga baixíssima aprovação nas pesquisas de opinião. E o populismo pressupõe farto reconhecimento popular, como era o caso de Getúlio, Jango e Lula. E se torna impopular na medida em que propõe reformas cujo peso econômico recai basicamente sobre salários e aposentadorias. Aprovou um congelamento do investimento público por 20 anos, atingindo basicamente a saúde, educação e segurança.

                                   Temer não será candidato em 2018. Não tem o perfil eleitoral para tamanho desafio. E não pode: está na ficha suja, condenado por tribunal colegiado de segunda instância, em razão de fraude eleitoral em São Paulo. O bloco ultraconservador que tomou o poder em Brasília, após o impedimento de Dilma Rousseff, não tem candidatos. Com a delação premiada da Odebrecht, não sobra nenhum deles. Desta forma, o que é chamado de “a nova direita’, terá que recorrer ao PSDB, que ganha cada vez mais espaço no governo Temer. Mas a social democracia brasileira vem ao páreo dividida entre Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Até as pedras do calçamento já descartaram José Serra. Aécio sofre acusações graves. Alckmin passa olímpico. Venceu com ampla vantagem as eleições municipais paulistas de 2016.

                                   Entre as pesquisas eleitorais espontâneas recentes, Lula é o nome mais afirmado pelos entrevistados. Mas o metalúrgico está sendo caçado pelo MPF, por Moro e pelo STF. Com a morte trágica de Marisa Letícia, a primeira dama petista, Lula obteve dividendos políticos. Queira-se ou não! Foi “vitimizado”, o que aumenta o cabedal eleitoral do operário do PT. Em um cenário como esse, Alckmin teria chances? Contra ele, dividindo o mesmo eleitorado da classe média dominante, há Marina Silva e Ciro Gomes. Sem falar na extrema-direita, onde despontam Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado. E sem falar em uma surpresa chamada Joaquim Barbosa, que comandou o processo do “mensalão”. Tudo isso tira votos do centro.  

                                   Uma análise prematura do quadro mostra que Lula bateria todos esses. Mas há pela frente o judiciário, que pretende destruir o Lula e o PT com ódio de classe. Resta saber se os menos beneficiados com o processo de desenvolvimento do país concordam com isso. Em Brasília, se repete a mania de achar que a política se diferencia do mundo real. É um erro. Um erro grave.   

                                                        

 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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2 respostas para “The Economist”: em entrevista à revista inglesa, Michel Temer promete que vai “devolver o país aos eixos”. Em apenas um ano e pouco de mandato. Seria um prodígio de engenharia política e econômica. Nem as crianças do primário acreditam nisso.

  1. gustavo_horta disse:

    THE ECONOMIST, CONVENHAMOS…

    “SERÁ QUE VAI TER JEITO? – ASSIM É. PAÍS SEM PUDOR!”
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2017/03/10/sera-que-vai-ter-jeito-assim-e-pais-sem-pudor/

    “…É claro que esta canalhada está tranquila e em orgasmos sucessivos e múltiplos na suruba. Um juiz de merda do PCCSDB que atua no original Supremo, hoje Mínimo ou Nenhum, Tribunal, grileiro e cheio de capangas na região centro-oeste proclama que o congresso de bandidos pode eleger novamente o Temeroso Acidente Pavoroso, caso o mesmo viesse a ser cassado pelo também superior tribunal eleitoral, presidido, diga-se de passagem, pelo próprio… Um outro concede for privilegiado para um ex-presidente que pertence à suruba e não ao outro que sempre se recusa a entrar neste bordel…

    Portanto, muitas e tantas vezes penso que não tem mais jeito……”

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