Batemos o recorde dos recordes: 63.880 homicídios no ano passado. Além do mais, registramos cerca de 40 mil pessoas desaparecidas. Parte delas pode não estar mais neste mundo. É o país que mais mata no mundo. E os nossos presidenciáveis não têm nenhum projeto para deter a epidemia de violência.

 

                                   Os números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, instituto independente, não têm o aval das autoridades. Nem poderia: nossos governantes se especializaram em esconder (ou dissimular) a realidade do país. Fazem de conta que as estatísticas não significam nada. Caso contrário, como explicariam que 40% dos parlamentares, em todos os níveis, respondem a ações judiciais. No executivo atual, conta-se a dedo quem não cometeu crimes, inclusive o próprio presidente Temer e seus ministros mais próximos, todos denunciados pela Procuradoria-Geral da República. E todos os processos foram impedidos pela base de apoio no Congresso. Mas quando se trata de matar pessoas comuns, o populacho pobre, preto e favelado, é melhor deixar para lá.

                                   O filósofo e escritor francês Michel Foucault (1926-1984), autor de “Vigiar e Punir”, já dizia: “A justiça insiste em demonstrar a sua dissimetria de classe”. Ou seja: punição e cadeia é para os pobres, justiça é para os abastados. Assim, os criminosos de colarinho brando são quase intocáveis, enquanto o populacho morre nas ruas, com base em uma justiça sumária feita a bala. Dos quase 64 mil homicídios no Brasil no ano passado, a imensa maioria foi de execuções sumárias. As vítimas eram pretas ou pardas, entre 19 e 25 anos de idade. Mas a estatística registra crianças e mulheres e idosos. Infelizmente, em números absolutos, este é o país que mais mata no mundo.

                                   Equivocadamente, o Fórum da Segurança Pública considera o número de homicídios conforme a população. Um crime a cada 100 mil habitantes. E se a população for maior do que a área examinada? Assim, pequenos estados do norte e nordeste lideram a estatística. Mas, se comparados com Rio e São Paulo, com populações imensamente maiores, o resultado seria completamente diferente. É preciso considerar o número absoluto de mortes – e não uma relação de 100 mil habitantes. É a velha média delfiniana: se um brasileiro comem dois frangos, mais a pesquisa é sobre dois, cada um comeu um frango. Pura mentira!

                                   O resultado está errado quanto à área dos crimes cometidos. Mas a tragédia é a mesma. Quase 64 mil homicídios em um ano.

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