O fracasso da intervenção federal no Rio: ao completar seis meses, não há o que comemorar. No período, foram registrados 2.185 homicídios (março a julho). A letalidade policial aumentou: 51% na Baixada Fluminense e 14% no resto do estado. Só hoje, a segunda-feira 20 de agosto, um soldado do Exército morreu e outro ficou ferido em confrontos com traficantes. O número geral de mortos varia entre 11 e 14 em apenas um dia.

intervençao militar no rio 02

As tropas e o equívoco da intervenção no Rio.

 

                                   É mesmo um fracasso retumbante. O narcotráfico no Rio de Janeiro, concentrado em favelas das zonas norte e oeste da capital, sequer foi arranhado. Houve mais de 300 operações conjuntas das Forças Armadas e das polícias. Mas os resultados, em termos de prisões e apreensões, ficam muito abaixo do esperado. Não se pode dizer que houve uma redução geral dos índices de criminalidade. Além do mais, há vazamentos de informações e cooperação entre bandidos e a velha polícia. Os militares, convocados por Michel Temer, não desejavam se envolver em operações de combate. Preferiam ficar na retaguarda, dando apoio logístico às polícias estaduais. Os interventores estavam mais dispostos a fazer reformas administrativas no aparato de segurança do que em apertar o gatilho. Até agora, a verba de 1,2 bilhão de reais liberada pelo Planalto não teve destinação.    

                                   E os militares estavam certos na opção. O governo Temer decretou a intervenção como uma forma de se livrar da prometida reforma da previdência. Uma reforma prometida ao empresariado e ao grande capital, coisa altamente impopular, que teria desastrosas consequências eleitorais. Com a intervenção, ficava constitucionalmente impossível realizar reformas constitucionais. Mesmo com um Congresso acadelado, Temer seria derrotado. Deputados e senadores precisam da reeleição para manter o foro privilegiado. Desta forma, a intervenção federal militar no Rio atendia a interesses políticos e não aos públicos.

                                   De um modo geral, a alta oficialidade das Forças Armadas detesta o governo Temer, assim como detestava os governos petistas. Talvez ainda mais. Considera todos um bando de ladrões e oportunistas. Aceitou a convocação de um pedido de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que é uma missão constitucional. Mas não estava nem um pouco disposta a derramar sangue por tal causa perdida. E já se manifestou no sentido que não aceitar a prorrogação da intervenção federal no Rio, que termina em dezembro deste ano.

                                   Os militares preferem esperar o resultado das eleições de outubro. Um governo eleito pelo voto popular terá mais condições de definir o rumo das coisas.     

 

                                  

Anúncios
Esse post foi publicado em Politica e sociedade. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s