Vitória de Bolsonaro foi menor do que se esperava. Obteve 57 milhões de votos válidos, mas 42,4 milhões de eleitores não apareceram para votar ou votaram branco e nulo. Somando os votos em Haddad, chega-se a 89,3 milhões que não aprovaram o candidato do PSL.

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Bolsonaro vitorioso. Imagem do Portal Tribuna do Ceará.

                             Jair Messias Bolsonaro venceu. É o novo presidente do Brasil. Ele conseguiu uma vitória quase inacreditável. Começou sozinho, não era apoiado por nenhum grande partido. Só tinha 8 segundos de tempo de TV no primeiro turno e teve que se virar nas redes sociais. Atravessou todas as dificuldades porque o discurso ultraconservador dele caiu no gosto de 34,6% dos 147,3 milhões de brasileiros e brasileiras aptos para votar. Pelo entusiasmo da campanha do PSL no segundo turno, arrastando multidões para as ruas mesmo sem a presença do candidato, tinha-se a impressão de que haveria uma vitória arrasadora. Não foi o que se deu.

                            O capitão ganhou, mas o resultado do pleito mostrou a ele e a seus auxiliares que é preciso baixar a bola, moderar o tom, porque ele não é uma unanimidade nacional. No discurso da vitória, que teve ares de culto evangélico, Bolsonaro mostrou a Bíblia, a Constituição e um livro que lembrava uma biografia de Winston Churchill. Uma curiosa combinação. Mas Bolsonaro assegurou ao país que será presidente de todos os brasileiros e que as leis e os direitos civis e políticos serão respeitados. Jurou por Deus: a Carta da República será cumprida e preservada. Muita gente respira aliviada.

                            O resultado da votação, ao contrário do que parecia, não teve nada muito diferente de outros embates recentes. Bolsonaro obteve cerca de 11 milhões de votos a mais do que o petista Fernando Haddad. Lula, em 2006, ficou mais de 20 milhões de votos à frente de seu desafiante do PSDB, Geraldo Alckmin (60,8% contra 39,1%). A história das eleições pós-regime militar mostram um cenário muito parecido: dois terços dos eleitores estiveram contra ou não se interessaram pelos vencedores. Portanto, a eleição de domingo, que teve 31 milhões de ausentes, não mostra nada muito diferente. A soma de brancos, nulos, ausentes e votos petistas no segundo turno (89,3 milhões) sinaliza o presidente eleito que ele tem muito trabalha pela frente para consolidar o apoio do povo. Hoje o capitão tem apenas um voto em cada três.

                                   De outro lado, é preciso dar uma olhada no campo do adversário. O PT não foi destroçado como se podia imaginar. As urnas deram ao partido, além do bom desempenho presidencial, a maior bancada na Câmara dos Deputados (56 cadeiras), seis senadores (o PSL fez 4) e 4 governadores (o PSL fez 3). O PT vai governar 30,6 milhões de pessoas. Mas apanhou feio no centro-oeste, no sudeste e no sul do país. As vitórias estão concentradas nas regiões norte e nordeste. Em termos econômicos, ficou ainda mais caracterizado como partido dos mais pobres. Além disso, os demais partidos do campo progressista também obtiveram resultados: outros 6 governadores eleitos pelo PSB, PDT e PCdoB; outros 9 senadores, dos quais 5 da REDE; outros 80 deputados. Tudo isso soma um bocado de votos.

                                   Jair Messias Bolsonaro não vai ter vida fácil.                                  

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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