CV e 3C disputam o controle da Rocinha

Mesmo sob ocupação policial desde o fim do ano passado – 650 homens da PM e do Batalhão de Choque estão na comunidade -, traficantes ligados ao Comando Vermelho e ao Terceiro Comando, organizações criminosas rivais, disputam o controle do tráfico de drogas na maior favela brasileira, localizada na zona oeste do Rio de Janeiro. A Rocinha é o maior entreposto de drogas da cidade, responsável pela distribuição de cocaína, maconha e crack para toda a zona sul abastada, onde a classe média e a elite consomem toneladas de drogas por ano. O faturamento do narcotráfico é avaliado em muitos milhões de reais na região. Nos últimos meses, sob ocupação – repito -, nove pessoas foram assassinadas, entre elas um cabo da PM e um líder comunitário, Vanderian Barros de Oliveira, executado a tiros.

A política das Unidades de Polícia Pacificadora do Rio (UPPs) tem trazido a sensação de segurança para a população carioca. Mas certamente não acaba com o tráfico. Este se torna mais discreto, evita aquele desfile acintoso de homens armados de fuzis e metralhadoras, mas continua existindo sorrateiramente. Novos métodos, como a venda de drogas através da Internet, prosperam. Jovens viciado da classe média estão agora envolvidos na distribuição de entorpecentes nos condomínios e nas baladas. As drogas sintéticas, laboratoriais, como o LSD, dominam o cenário. Ou seja: a batalha continua.

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2 respostas para CV e 3C disputam o controle da Rocinha

  1. Cássio disse:

    A questão é realmente muito complicada. A situação de violência nas favelas é só uma das consequências do tráfico de drogas, sendo a mais combatida pelo governo, que invade a favela quando quer dar uma resposta ao povo pelo aumento do poder do tráfico. Graças ao trabalho de bons jornalistas como Carlos Amorim sabemos que todas as camadas da sociedade estão envolvidas no tráfico, e se a atuação dos traficantes na favela é reprimida, eles utilizam os dependentes de outras áreas para fazer o trabalho de distribuição, entre outros. O combate deve ocorrer em várias áreas, mas infelizmente é mais fácil investir contra a parcela da sociedade mais vulnerável envolvida nesse problema, os habitantes das favelas.

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    • carlos amorim disse:

      Cássio,
      as UPPs são uma experiência interessante e inovadora. Mas não podemos ter ilusões a respeito de seus resultados. O tráfico continua atuando e há sinais de forte corrupção entre as forças de ocupação. Oitenta e quatro militares e policiais já foram afastados. Outros casos virão, mas o projeto deveria prosseguir. O governo do Rio poderia aproveitar essa experiência para fazer uma reforça no aparelho policial. A repressã, por si só, não resolve.
      Abs
      Camorim

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