Violência em São Paulo chega ao absurdo

 

A confrontação armada entre facções criminosas.  ligadas ao tráfico de drogas e associadas ao PCC, e as forças policiais de São Paulo atingiu níveis absurdos. Mais de cem agentes da lei (94 policiais militares, cinco civis e uma dezena e guardas penitenciários) foram abatidos só este ano, a maioria deles no segundo semestre. O número de pessoas mortalmente atingidas chegou à média inacreditável de dez a cada noite. E há um número ainda não contabilizado de “civis” liquidados sumariamente. De uma só vez, morreram sete. O governo paulista se recusa a admitir que há uma crise na segurança pública – e insiste na tese de que  PCC é fruto da glamorização da mídia.

                      No entanto, o governador Geraldo Alckmin aceitou apoio de forças federais, porque já estava impossível não aceitar socorro de Brasília, sob pena de desgaste político ainda maior. Ficou acertado que a Polícia Federal vai fornecer informações sobre o crime organizado e patrulhar as fronteiras estaduais, para tentar impedir a entrada de drogas e armas. Além do mais, o Ministério da Justiça ofereceu vagas em presídios federais fora de São Paulo, para transferir líderes da organização criminosa, o que já aconteceu em pelo menos dois casos.

                      O que não se consegue compreender é a falta de um plano de segurança pública, que permita enfrentar a situação com mais inteligência e menos truculência. Em várias das chacinas ocorridas há suspeitas de participação de policiais, que estariam promovendo um “acerto de contas”. E a maioria dos atentados praticados contra agentes da lei teria ocorrido como uma vingança dos bandidos contra danos sofridos pelo tráfico.  Ou seja: descontrole total.

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6 respostas para Violência em São Paulo chega ao absurdo

  1. Não entendi a proposta do Governo Federal em se criar uma agência integrada de inteligência. O que se espera dessa tal agência? Levantar informações que as inteligências militar e civil já possuem? Fazer um retrabalho?
    Mas e a ABIN? Me diz pra que que serve.

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  2. Não entendi a proposta do Governo Federa em se criar uma agência integrada de inteligência. Qual será o propósito dessa tal agência? Levantar informações que as inteligências militar e civil já possuem? Fazer um retrabalho?
    Mas e a ABIN? Me diz pra que ela serve.

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    • carlos amorim disse:

      Fernando,
      obrigado pelo comentário.
      A Abin está mais ligada a questões de Estado, atuando basicamente nas representações do país no exterior e no contato com agências memelhantes, como a CIA.
      A criação de uma interface entre as polícias estaduais e a PF é fundamental no combate ao crime. Por exemplo: não temos um cadastro nacional de prrocurados; mandados de prisão de um estado não conhecidos em outros etc.
      Essa troca de informações é básica. Não tenho ilusões quanto à redução imediata da violência com medidas tão simplórias. Mas podem ajudar.
      abs
      Camorim

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      • Carlos, primeiramente deixe-me parabenizá-lo pelo excelente trabalho de pesquisa e pelas obras sobre o crime organizado. Seus três livros são material obrigatório de leitura para todos os especialistas de segurança desse país.
        Bem, com relação à agencia integrada, entendo que possa servir de interface entre as polícias e isso é realmente um trabalho importante a se fazer. Sinto também que não há uma padronização de informações nos serviços das polícias, por exemplo: os boletins de ocorrência de cada Estado possui informações diferentes. O que é importante pra um não o é para outro. As pesquisas de histórico criminal pelo que tenho informação, se consultar-mos por exemplo, um individuo de outro Estado em São Paulo e o mesmo possuir histórico criminal em seu Estado de origem, essa informação não constará nos sistemas da policia paulista. Não há um sistema de consulta nacional.
        Quanto a ABIN, o item IV das Competências da Agência diz: “avaliar as ameaças, internas e externas, à ordem constitucional”.
        Tendo isso em mente, gostaria de lembrar Sun Tzu quando dizia: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”, ou seja, como podemos querer conhecer a ameaça externa sem nem ao menos a interna conhecemos?
        Bem, essa é a opinião de um leigo no assunto e vitima de toda a criminalidade e corrupção que sou.

        Sou fã do seu trabalho.
        Grande abraço!

        Fernando Maudonnet

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  3. Carlos, primeiramente deixe-me parabenizá-lo pelo excelente trabalho de pesquisa e pelas obras sobre o crime organizado. Seus três livros são material obrigatório de leitura para todos os especialistas de segurança desse país.
    Bem, com relação à agencia integrada, entendo que possa servir de interface entre as polícias e isso é realmente um trabalho importante a se fazer. Sinto também que não há uma padronização de informações nos serviços das polícias, por exemplo: os boletins de ocorrência de cada Estado possui informações diferentes. O que é importante pra um não o é para outro. As pesquisas de histórico criminal pelo que tenho informação, se consultar-mos por exemplo, um individuo de outro Estado em São Paulo e o mesmo possuir histórico criminal em seu Estado de origem, essa informação não constará nos sistemas da policia paulista. Não há um sistema de consulta nacional.
    Quanto a ABIN, o item IV das Competências da Agência diz: “avaliar as ameaças, internas e externas, à ordem constitucional”.
    Tendo isso em mente, gostaria de lembrar Sun Tzu quando dizia: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”, ou seja, como podemos querer conhecer a ameaça externa sem nem ao menos a interna conhecemos?
    Bem, essa é a opinião de um leigo no assunto e vitima de toda a criminalidade e corrupção que sou.

    Sou fã do seu trabalho.
    Grande abraço!

    Fernando Maudonnet

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  4. jose pinheiro disse:

    A criminalidade absurda que assola todo o país, assim como outras mazelas também absurdas,têm sua raiz na também absurda, histórica e gigantesca corrupção que revolta e estarrece as pessoas de bem, hoje quase bizarras por ainda cultivarem a dignidade. Não percamos a esperança, mas não nos iludamos: só uma grande reviravolta moral nas áreas pública e privada nos trará algo concreto e não os paliativos de sempre. Muito trabalho para a parcela ainda não contaminada.

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