PCC faz “conference call” na cadeia

 

A liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) realizou um encontro anual da organização, com criminosos presos e também com aqueles que estão em liberdade, para tomar decisões a respeito do futuro da facção criminosa. Foi uma “conference call” (conferência por telefone), prática muito usual em grandes empresas. Todos os participantes podem falar e todos escutam, através de um sistema de telefonia celular com um software que reúne todos os números numa mesma chamada.

A “Convenção do PCC” teve início às 16h31m no dia 2 de fevereiro de 2011 – e só terminou às duas e meia da manhã do dia seguinte. A operação telefônica, centralizada no Presídio 2 de Presidente Venceslau, penitenciária dita de segurança máxima, no interior de São Paulo, foi acompanhada – e possivelmente gravada – pela Polícia Federal, com a participação de agentes da polícia paulista.

Cinco criminosos da elite da facção estavam na “conference call”, dois encarcerados naquele presídio e três nas ruas. O tema dominante foram negócios ligados ao tráfico de drogas e aos investimentos da organização. A história fantástica desse episódio está publicada nos jornais “Folha de S. Paulo” e “Agora”, nas edições de hoje (5 dezembro 2012).  

A pergunta que não quer calar é a seguinte: como algo assim poderia ocorrer sem a conivência dos agentes penitenciários? De janeiro até outubro, foram apreendidos mais de 8 mil telefones celulares dentro das cadeias paulistas. Como entraram esses aparelhos? A resposta é simples: corrupção e mais corrupção! O governo paulista alardeou as 8 mil apreensões, mas isto só revela a dramática fragilidade do sistema penitenciário.

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6 respostas para PCC faz “conference call” na cadeia

  1. Henrique disse:

    Amorim,

    Acabei de ler seu último livro,Assalto ao Poder. Espetacular o trabalho de pesquisa que vc fez, não só sobre o crime organizado no Brasil mas como tb em outros países e regiões do mundo.

    Vc disse que não pretende mais escrever sobre isso.Mas espero que mude de ideia,pois já estou esperando o próximo!

    Henrique

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  2. Cássio Freitas disse:

    Realmente, não haveria como os celulares, assim como drogas, armas e outros produtos entrarem no presídio sem a corrupção, que envolve desde os advogados, parentes dos detentos e os agentes carcerários. Com a grande movimentação de dinheiro promovida pelo o crime organizado fica fácil financiar ações como essa com base em pagameto para que todos contribuam. Este é um problema que envolve vários fatores, desde os baixos salários dos agentes carcerários até a conivência de indivíduos do auto escalão, mostrando como tal problema é difícil de se resolver ao mesmo tempo que sua solução se mostra urgente para diminuir o poder do crime organizado.

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    • carlos amorim disse:

      Cássio,
      essas coisas são mesmo muito complicadas. O problema dos salários e da qualificação desses funcionários é muito grave, abrindo a porta da corrupção..
      abs
      Camorim

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  3. PCC quer 111 PMs mortos em 2012 para lembrar dos 20 anos do massacre do Carandiru

    http://noticiasriobrasil.com.br/?p=3232

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  4. HARRY disse:

    NÃO ADIANTA POLÍCIAS NAS RUAS, AUMENTO DE SALÁRIOS DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS. NADA DISSO VAI RESOLVER O PROBLEMA DA CRIMINALIDADE NO NOSSO PAÍS. A FÓRMULA É UMA SÓ, REFORMULAR NOSSO CÓDIGO PENAL COM LEIS MAIS DURAS, E POR QUE NÃO DIZER MAIS SEVERAS. MAIS ANTES, REFORMULE A CONSTITUIÇÃO, SENÃO TUDO SERÁ INCONSTITUCIONAL.FÁCIL, NÃO?

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