Congresso não quer mudar, com ou sem plebiscito

Dr. Éneas, padrão de politico brasileiro

Dr. Éneas, padrão de politico brasileiro

Era de se prever: o Congresso não quer reforma política. Esse assunto vem sendo engavetado pelos políticos há décadas. Agora, com a proposta da presidente Dilma de realizar um plebiscito, ficou ainda mais claro que não há interesse em mudar coisa nenhuma. Com exceção do PT e do PCdoB, toda a base aliada é contra a reforma. Curiosamente, a oposição também. Por que? Porque acabaria com grande parte da festa parlamentar. Vejamos:
O financiamento privado de campanha é uma das maiores fontes de corrupção no país. Me digam: qual o motivo para empresários e empreiteiros financiarem campanhas políticas? Só pode ser para se beneficiar depois da eleição. É como comprar os políticos – e dentro da lei. Além do mais, o financiamento privado de campanhas é o fator primário do caixa dois. Com financiamento público, que também é duvidoso, haveria maior controle. Aliás, para que serve esse tipo de ajuda de custo aos candidatos, se já existe um “fundo partidário”, que sustenta as agremiações políticas com o dinheiro do contribuinte? Só em 2012, os partidos receberam 286 milhões de reais desse fundo, conforme o TSE.
Por que suplentes de senador e vice-presidente não são eleitos? Antes o vice era eleito, como o caso mais recente de Jânio Quadros e João Goulart. E quando um senador fica impedido de exercer o mandato, assume em seu lugar alguém que nunca se ouviu falar. Pode isso?
Outra barbaridade é o chamado “coeficiente eleitoral”, mais conhecido como “arrastão”. Um candidato que tenha obtido muitos votos “arrasta” outros de seu partido. Exemplo: o terrível Dr. Enéas (“Meu nome é Enéas!”) conseguiu dar mandato a um deputado que teve apenas 200 votos, como informa a Folha de hoje. Enéas é uma espécie de padrão da política brasileira. Foi duas vezes candidato à Presidência da República, pobre República, e deputado mais votado do país.
E as coligações partidárias? Não são feitas para esclarecer ou firmar opiniões políticas. Servem para obter tempo de televisão e rádio na maldita propaganda eleitoral gratuita, um mal que os políticos dizem ser necessário. Até quando?

O resumo dessa história é que a prática política no Brasil se transformou numa opereta quase tão ridícula quanto trágica.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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