A justiça tarda e falha

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Movimentos contra a impunidade vão às ruas, nas próximas semanas, exigir a prisão dos criminosos. Parentes e amigos de vítimas da violência estão se mobilizando para grandes manifestações, especialmente para exigir a prisão dos assassinos de seus entes queridos. Querem conscientizar as pessoas para a fato de que a Justiça tarda e quase sempre falha.
Pimenta Neves, ex-diretor de redação do jornal “O Estado de S. Paulo”, matou a tiros a namorada, também jornalista do “Estadão”, Sandra Gomide, utilizando munição de alto impacto (hollow point, proibida). Atirou pelas costas. Passou onze anos em prisão domiciliar. Ou seja: solto. Foi preciso que o próprio presidente da Suprema Corte, ministro Ayres Britto, mandasse o sujeito para a cadeia. Em seu voto, Britto afirmou que o caso era uma vergonha para o Judiciário.
E agora estamos diante de mais uma vergonha. O advogado Sérgio Brasil Gadelha, que matou a mulher, Hiromi Sato, a socos e pontapés dentro do apartamento do casal, no elegante bairro de Higienópolis, em São Paulo, também está em prisão domiciliar. Ou seja: solto. Mesmo tendo confessado o crime cruel e covarde. Se fosse pobre, preto e favelado – o “PPF”, no jargão dos porões da sociedade – estaria no fundo de uma cela. Provavelmente, uma cadeia superlotada e suja, dessas que fizeram o ministro da Justiça afirmar que são “masmorras medievais”. Mas tais “masmorras” só servem para o pobre e o desvalido.
Em “Vigiar e Punir”, o filósofo francês Michel Foucault já dizia:
“A justiça insiste em demonstrar a sua dissimetria de classe”.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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