50 anos das FARCs na Colômbia: líder guerrilheiro diz que a guerra está longe de acabar.

Timoleón Jiménez, o comandante das FARCs.

Timoleón Jiménez, o comandante das FARCs.

“Se as guerrilhas estivessem derrotadas, eles (o governo) não estariam aqui para negociar conosco”.
A frase entre aspas é de um dos líderes guerrilheiros colombianos presentes às negociações de paz, em Havana. Chamado de “Comandante Fidel Rondón”, o dirigente da última guerrilha comunista das Américas deu entrevista à Rádio Café Estereo, do Equador, dizendo que a guerra na Colômbia está longe de acabar. Rondón garantiu que as FARCs continuam atuando em sete regiões do país, com mais de 40 frentes de combate. “Temos ações de guerrilha todos os dias”.
O movimento armado naquele país acaba de completar 50 anos de existência. Mais de meio milhão de pessoas morreram no conflito. Um quarto da população rural perdeu as casas e as terras, criando uma legião de “desplazados” que hoje vive na miséria quase total. A Colômbia está dividida entre três poderes antagônicos: o narcotráfico, que dispõe de grupos paramilitares, a guerrilha e o governo legal. As negociações de paz em curso na capital cubana – a quinta rodada de conversas nos últimos 20 anos – chegaram a um impasse.
O governo colombiano concorda com um amplo projeto de reforma agrária e com a participação dos comunistas nas eleições. Mas boa parte da opinião pública e das forças armadas não concorda com uma anistia geral no país, porque os guerrilheiros são considerados criminosos comuns. Na entrevista, o comandante Rondón declarou: “nós estamos aqui para uma conversa franca, sincera, com vistas a encontrar uma solução política (para o conflito)”. Mas insistiu: “não pensem que as FARCs estão derrotadas, porque o simples fato de estarmos negociando já demonstra a nossa posição”.

Militares colombianos em ação.

Militares colombianos em ação.

Nos últimos dez anos, as FARCs perderam cerca de quatro mil combatentes, entre mortos, feridos, prisioneiros e desertores. Mas o grupo ainda é uma poderosa força militar, com mais de 16 mil homens e mulheres no campo. Recentemente, também a propósito dos 50 nos da organização, o comandante-em-chefe da guerrilha, Timoleón Jiménez, gravou um pronunciamento dizendo que “o narcotráfico é inimigo das FARCs”, declaração fartamente desmentida pelo noticiário. Os guerrilheiros ocupam há muito tempo parte das áreas produtoras de folhas de coca, trocando a pasta base da cocaína por armas e explosivos.
Só para refrescar a memória: o maior traficante brasileiro, Fernandinho Beira-Mar, um dos chefes do Comando Vermelho, foi preso justamente na Colômbia, durante enfrentamento entre guerrilheiros e forças especiais do exército daquele país. FBM levou um tiro de AR-15, que arrebentou o braço esquerdo. Estava na área de atuação da Frente 16 das FARCs, sob as ordens do “Comandante Negro Acácio”, que também foi capturado na ocasião. De acordo com a imprensa interacional, FBM negociava cocaína por armas.
Impressiona constatar que a mídia brasileira não dá nenhuma importância ao conflito armado no país vizinho. Temos com a Colômbia uma larga fronteira, inclusive com atuação de guerrilheiros em nosso território. Por ali passam armas e drogas que abastecem o crime organizado em nossas grandes cidades. Certa vez, um comando guerrilheiro atacou e ocupou por três dias um posto de controle da fronteira, matando três e ferindo outros seis dos nossos soldados. Com tamanha instabilidade na região amazônica, o governo brasileiro tem atuado timidamente. Mas conseguiu a libertação de reféns em poder das FARCs.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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