Uruguai recusa asilo político a manifestantes. Governo brasileiro diz que foi reconhecimento ao Estado de Direito no país. Ministério Público garante que MEPR é grupo perigoso.

Protesto pela libertação dos presos, em foto de O Globo.

Protesto pela libertação dos presos, em foto de O Globo.

A Justiça do Rio aceitou a denúncia contra os 23 ativistas acusados de atos de violência durante protestos. E o governo uruguaio se recusou a conceder asilo político aos três militantes que se refugiaram no consulado, como informamos no post anterior. Em Brasília, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, declarou ao jornal O Globo que a decisão foi acertada, “porque o Uruguai sabe que o Brasil é um estado democrático de direito”. O promotor Luís Otávio Figueira Lopes, autor da denúncia, disse que o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), ao qual pertencem seis dos denunciados, é “o que apresenta o perfil mais violento, dedicando-se a promover o confronto com as forças de segurança”.
O Globo de hoje traz uma extensa cobertura do assunto. Uma reportagem assinada por Caio Barreto faz uma análise do conteúdo ideológico do MEPR, descrito como uma organização de extrema-esquerda, quase um grupo terrorista. Diz o texto:

“Em sua página no Facebook, o MEPR tem baixa popularidade — apenas 940 pessoas seguem o perfil. Na descrição feita na comunidade pelos próprios organizadores do grupo, eles afirmam seus princípios básicos: “servir o povo de todo coração (sic)” e “ser tropa de choque da revolução”. A inspiração dos jovens na definição dessa espécie de bússola foram “dois grandes revolucionários”: Mao Tsé-Tung e Josef Stalin”.

Segundo O Globo, os militantes do MEPR definem o PT, partido da presidente Dilma, como “falsa esquerda eleitoreira”. Pelo menos foi isso que os garotos disseram quando Lula foi eleito, em 2002. O MEPR também rompeu com as entidades estudantis, como a UNE e a UBES, de longa tradição na vida política brasileira. O movimento, fundado há 13 anos, estabelece três tarefas prioritárias para a sua atuação: “agitar e propagandear a revolução, organizar a luta de massas e combater o oportunismo”.
Parece uma voz vinda do passado, lá dos anos 1960, quando havia a Guerra Fria, o Vietnã, as ditaduras na América Latina. O Muro de Berlim foi derrubado em 1989; a União Soviética acabou em 1991; o comunismo morreu de inanição. Stalin foi denunciado como um criminoso vulgar. A China é agora a segunda maior potência capitalista do planeta. O mundo mudou, rapaziada. Não se fala mais assim nem na China ou em Cuba.
Agora, falando sério: num país de tantos malufs, achar que esses jovens são uma ameaça à sociedade é mais do que uma besteira – é uma palhaçada.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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  1. José Antonio Severo disse:

    Amorim: realmente esses meninos e meninas não ameaçam nem o estado, nem o governo nem mesmo à frágil planta da democracia. Eles só ameaçam a vida dos transeuntes e, tomara que não, de incendiarem meu carrinho caso eu passe inadvertidamente no meio de um desses protestos contra a “ditadura petista”.

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