Empresas já doaram 170,6 milhões de reais para candidatos em 2014. Como o Supremo Tribunal Federal não definiu as regras para o financiamento privado de políticos e partidos, a festa rola solta: 52% a mais de dinheiro do que em 2010.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou na quinta-feira (7 ago) a primeira prestação de contas relativa às eleições deste ano. Até agora, no quesito “financiamento privado de campanhas”, os números são 52% superiores aos registrados nas últimas disputas para a Presidência, os governos estaduais e o Congresso Nacional. Num ano em que espera um modesto desempenho econômico (o PIB deve crescer em torno de 1,5%), algumas das maiores empresas do país abriram a bolsa para financiar a política brasileira. Considerando apenas os 20 maiores doadores, o montante chega a 170,6 milhões de reais. O total deve ser ainda maior.
A Folha de S. Paulo deste domingo fez extensa reportagem sobre o assunto, na qual um grupo de repórteres se deu ao trabalho de listar os doadores (ver o quadro abaixo). A matéria também faz um destaque no mínimo curioso: desta vez, o empresariado não deu dinheiro diretamente aos candidatos, preferindo um tipo de financiamento aos partidos. Apenas 9,6% dos políticos receberam recursos diretamente, enquanto que 90,4% das verbas foram para as agremiações. Segundo a Folha, quem recebeu a maior bolada foi o PMDB, o eterno PMDB: ficou com 30% das verbas. O principal partido de oposição, o PSDB, que tem candidato bem colocado nas pesquisas à Presidência, levou 15%. O PT, partido de Dilma Rousseff, ficou com 10%, menos da metade do que tinha arrecadado em 2010 (23%). O PSB de Eduardo Campos e Marina Silva foi aquinhoado com 6%. Todos os demais partidos e candidatos somam 39%.
A Suprema Corte do país já se debruçou sobre o problema do financiamento privado de campanhas. Sete de seus 11 ministros, já votaram pelo fim da “farra do boi” eleitoral, porque consideram um privilégio e uma deslealdade o fato de que “apenas alguns” candidatos recebem financiamento para campanhas milionárias pela TV. Apesar de que o horário eleitoral é gratuito, a produção das peças publicitárias custa fortunas. Quando a votação no STF estava 6 a 1 contra as doações de empresas, o ministro Gilmar Mendes pediu vistas do processo, movido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Parou tudo. E não há prazo para a retomada do julgamento. Talvez para 2018. Quem sabe?

A lista dos maiores doadores publicada pela Folha.

A lista dos maiores doadores publicada pela Folha.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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