Pesquisa e debate eleitoral apontam reviravolta na corrida presidencial brasileira. Crescimento de Marina Silva ameaça Dilma e pode descartar Aécio Neves para o segundo turno. O Partido Socialista tem chance de conquistar a Presidência pela primeira vez na história do país.

Maria, Dilma e Aécio no debate da Band.

Maria, Dilma e Aécio no debate da Band.

A última pesquisa eleitoral do IBOPE mostra um crescimento meteórico da candidata do PSB, Marina Silva, na preferência dos eleitores. A ambientalista obteve o segundo lugar com larga vantagem em relação a Aécio Neves (PSDB), cerca de dez pontos percentuais, aproximando-se vertiginosamente da primeira colocada, Dilma Rousseff (PT). Os números ficaram assim:

Dilma: 34%

Marina: 29%

Aécio: 19%

Outros: 2%

Brancos e nulos: 7%

Indecisos: 8%

A pesquisa, encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi divulgada no mesmo dia em que se realizou o primeiro debate dos candidatos na televisão (Band, 26 ago). Os números tiveram forte impacto sobre os concorrentes: Marina chegou com discurso de vitória; Dilma parecia inicialmente insegura; Aécio veio batendo nas duas. Tudo muito educado, mas a surpresa pairava sobre eles. Evidentemente, a morte trágica de Eduardo Campos, do PSB, cedendo lugar a Marina, teve extraordinária influência emocional sobre o eleitorado. Isso pode ser medido pela redução do número de votos nulos e indecisos, que caiu de algo parecido com 29% para 15%, se comparado a pesquisas anteriores.

Num país de fortes emoções, a morte do socialista Eduardo Campos assegurou o segundo turno, quando havia chances concretas de Dilma Rousseff vencer Aécio Neves na primeira votação, marcada para 5 de outubro. Marina desequilibrou tudo. E – a continuar o crescimento dela no mesmo ritmo – vai obter o primeiro lugar na preferência do eleitorado e despachar o socialdemocrata Aécio. A projeção matemática indica Marina com 37% e Dilma com 34% já na próxima pesquisa. No segundo turno, em novembro, a disputa entre as duas será duríssima. E o fiel da balança serão os votos dados a Aécio no primeiro escrutínio. Ou seja: salve-se quem puder.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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  1. José Antonio Severo disse:

    Não foi de graça que Marina Silva foi colocada pelo Comitê Olímpico Internacional entre as personalidades mundiais que desfilaram na abertura dos jogos de Londres. Ela não integrava a delegação brasileira. Estava ali a convite do COI. Não é pouca coisa, Nem coincidência que ela esteja com um pé na rampa do Palácio do Planalto. Marina é uma personalidade internacional. Será a queridinha da mídia mundial, a primeira chefe de estado militante ambientalista em todo o mundo, inaugurando uma tendência que, nos próximos 20 a 30 anos, predominará, deixando nas gavetas da História as ideologia do Século XX, de esquerda e de direita, não importa. Isto é muito sério.

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