Sequestro em Brasília: polícia usa “protocolo de segurança” da Copa para negociar libertação de refém. Depois de sete horas de tensão, acabou tudo bem. Arma e explosivos eram falsos.

Ameaça transmitida ao vivo pela TV.

Ameaça transmitida ao vivo pela TV.

Nesta segunda-feira (29 set), Brasília parou para acompanhar cenas dramáticas de um sequestro transmitido ao vivo pela televisão. Um hóspede do hotel Saint Peter, tradicional na capital brasileira, fez um funcionário como refém e mandou chamar a polícia. O sequestrador dizia ter uma pauta de reivindicações políticas a fazer. E chegou a explicar que aquilo não era um assalto, mas um “ataque terrorista”. Foi o que bastou para entrar em ação um grande dispositivo de segurança, chamado “Operação Gerente”, que havia sido ensaiado para a eventualidade de problemas na Copa do Mundo. Trata-se de um “protocolo de segurança” para situações em que há reféns em perigo. O procedimento envolve a Polícia Civil, grupos de operações especiais, atiradores de elite, socorro médico de emergência e especialistas em demolição.

O sequestrador foi identificado como Jac Souza dos Santos. Antes de se entregar, protagonizou 7 horas de ameaças contra a vida daquele mensageiro do hotel. Jac tem 30 anos e foi candidato a vereador pelo Partido Progressista (PP) na cidade de Combinado (TO), onde vive. Obrigou o funcionário a vestir um colete com vários tubos plásticos que supostamente continham explosivos, mas era tudo falso. Empunhava uma pistola de brinquedo, que parecia real. Anunciou duas reivindicações: uma “reforma política” no país e a imediata aplicação da “lei da ficha limpa” contra os corruptos. Ou seja: a uma semana das eleições gerais no Brasil, causou enorme confusão.

As autoridades de Brasília desencadearam a “Operação Gerente”, partindo do princípio de que o sequestrador estava mesmo disposto a explodir o refém. Foi um exercício em condições reais. E funcionou muito bem. O comando da ação policial chegou a posicionar atiradores com mira telescópica para disparar o chamado “tiro de comprometimento”, que por outras palavras quer dizer “eliminar” o sequestrador. Mas não foi preciso, felizmente. Isso não ficaria bem às vésperas das eleições presidenciais mais disputadas dos últimos anos.

Arma de brinquedo e falsas bombas. Foto O Globo.

Arma de brinquedo e falsas bombas. Foto O Globo.

Além desse protocolo, baseado em paciente negociação, há outro, também ensaiado para a Copa do Mundo. É a “Operação Petardo”, que prevê o emprego de forças militares de assalto contra sequestradores e terroristas. Ainda não chegamos a esse ponto, certo?

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