Aécio Neves surpreende na votação, força o segundo turno com Dilma a partir de votação esmagadora em São Paulo. O resultado das urnas desmente os institutos de pesquisa, que erraram feio.

eleições 2014 02

Com 98% das urnas apuradas em todo o país, às 20h58m deste domingo (5 out), Dilma Rousseff, do Partido dos trabalhadores, vence o primeiro turno das eleições presidenciais com 41,39% dos votos válidos. Aécio Neves (PSDB), surpreendendo a todos e desmentindo as pesquisas eleitorais, alcança 33,78% dos votos válidos. A ambientalista Marina Silva, candidata do Partido Socialista, obteve 21,17% dos votos válidos, números bem inferiores aos que indicavam as prévias eleitorais.

O resultado inesperado de Aécio Neves, marcado especialmente por uma acachapante vitória sobre Dilma Rousseff em São Paulo, com mais de 4 milhões de votos de vantagem, forçou o segundo turno. A diferença entre os dois primeiros colocados (inferior a 8%), representa uma séria ameaça à reeleição da presidente. E mostra que o Brasil continua polarizado entre PT e PSDB. A terceira via, representada por Marina nessas eleições, não conseguiu se afirmar. Dilma obteve uma notável vitória entre os eleitores mais pobres, conquistando cerca de 70% do resultado da votação no nordeste do país, a região menos favorecida.

Para o segundo turno, a se realizar em 26 de outubro, os dois candidatos terão o mesmo tempo de propaganda eleitoral gratuita, no rádio e na televisão, o que indica que Aécio Neves pode crescer ainda mais. Mas parece impossível que Aécio Neves, identificado como candidato das elites, possa reverter os números do nordeste. Isso indica que a representante do Partido dos Trabalhadores pode se reeleger com uma pequena diferença de votos do total nacional, talvez de 5%. Mas as urnas do primeiro turno revelam que o PT teve sua imagem muito desgastada com seguidas denúncias de corrupção e com uma oposição sistemática da grande mídia, que não esconde a sua preferência por Aécio Neves e pelo PSDB.

Agora é o vale tudo eleitoral. A campanha para o segundo turno vai ser marcada por acusações. No entanto, o Brasil dá mais um exemplo de democracia e liberdade ao mundo: com mais de 142 milhões de eleitores, o resultado da votação foi apurado em pouco mais de três horas após o fechamento das urnas. Não houve violência. Ninguém foi constrangido a votar. Nenhum dos candidatos questionou o resultado.

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4 respostas para Aécio Neves surpreende na votação, força o segundo turno com Dilma a partir de votação esmagadora em São Paulo. O resultado das urnas desmente os institutos de pesquisa, que erraram feio.

  1. Eduardo Costa disse:

    O Brasil não é um exemplo de democracia. Trata-se de uma ditadura. Senão vejamos. Todos os índices de democracia colocam a participação e cultura política do Brasil entre 5 e 4. Empatado com Cuba e atrás da Bolívia e do Egito (veja os índices desses dois items da Economist, Rasch, Lord, Clistenes, etc.).

    No Brasil existe voto obrigatório, acesso assimétrico ao direito de manifestação (Dilma 15 minutos, Marina 2 minutos de programa eleitoral), obrigatoriedade de pertencer a partidos (voto “write in” não é permitido), os partidos não fazem primárias, o presidente nomeia ministros do tribunal eleitoral, que caçam até direito de palavra de cidadãos, obrigatoriedade constitucional de contratar advogados (perda do jus postulandi, garantido até na declaração dos direitos humanos, parágrafo 7 da declaração de San José da Costa Rica, se não me engano), obrigatoriedade de pertencer a sindicatos (ou melhor, obrigatoriedade de dar dinheiro para os sindicatos; claro que dizem que não sou obrigado a pertencer ao sindicato, apenas dar dinheiro a eles para fazer coisas contra minha consciência; por exemplo, sou obrigado a dar dinheiro ao sindicato do Caiado e do Katia para desmatarem a Amazonia), etc.

    A isso devo acrescentar a proibição dos pais de controlar a educação dos filhos; home schooling e escolas grass root são proibidas no Brasil para que a ditadura possa doutrinar as crianças e impedir que aprendam matérias como matemática, inglês, chinês e façam educação física. Na orientação do governo para as escolas, a educação física, de apenas duas horas semanais, é para fomentar a cidadania, não é para melhorar a forma física.

    Você sabia que não posso ensinar matemática em francês a meus filhos? Nem química em alemão? Nem tecnologia em chinês? Nem biologia em latim? Sabia que as crianças surdas ou filhas de pais surdos são obrigadas a assistir aulas em português, em vez de Libras, o que prejudica fortemente o desenvolvimento intelectual delas? Sabia que não há uma única escola de medicina no Brasil com aulas em Libras? Sabia que não oferecem comida vegetariana nas escolas brasileiras, mas nas escolas chinesas, indianas, americanas e francesas oferecem?

    Mantendo a população sem cultura e doente (por falta de educação física), sem falar chinês, inglês, francês e latim (para acessar a internet e ler livros técnicos), a ditadura consegue controlar o povo. Tecnicamente, um país que tem entre 5 e 4 em participação e cultura política, assimetria em direito de manifestação e voto obrigatório para legitimar o governo é ditadura. Claro que os institutos de pesquisa são diplomáticos e abrandam o nome: The Economist diz que temos uma “flawed democracy”, o Instituto Clisthenes diz que somos uma “dictatorship with right of speech”, o Democracy Watch diz que somos uma regime autoritário, etc. Eu escrevi para o Clisthenes e disse que concordava com a “dictatorship”, mas não com o “right od speech”, que não temos.

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    • Carlos Amorim disse:

      Eduardo,
      obrigado pelo comentário. O resultado das eleições, em primeiro turno, mostra um avanço da oposição (cerca de 45% dos votos válidos) e um país dividido. Mas foram
      eleições livres e com uma Justiça Eleitoral competente.. Temos amplas liberdades de
      opinião e de organização. Não creio que se possa negar isso. No entanto, há problemas graves, do ponto de vista político e social. O segundo turno é uma bom
      momento para discutir esses problemas e fazer a melhor escolha de governantes.
      Continue participando dos debates neste site.
      abs
      Camorim .

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  2. José Antonio Severo disse:

    Até pouco tempo o alto comando da campanha de Dilma preferia ter Aécio Neves como adversário no segundo turno, concentrando-se na desconstrução de Marina. Esta visão estratégica continua valendo?

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    • Carlos Amorim disse:

      Caro,
      parece que continua valendo. O PT acha mais fácil comparar os governos Lula e Dilma com aqueles de FHC e do PSDB. Marina representava uma via nova e pouco consistente. Portanto, mais fácil de atacar. Agora a barra vai pesar. O que vc acha disso?
      abs
      Camorim

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