3,27%. Essa foi a diferença de votos entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Em números absolutos, o Partido dos Trabalhadores obteve 3.459.963 votos a mais que os adversários. Bateu na trave.

Dilma e Lula comemoram em Brasília.

Dilma e Lula comemoram em Brasília.

A mais difícil eleição da história recente do Brasil transcorreu em paz. Num país desse tamanho, não se registraram conflitos nem violência. Foi também a mais rápida apuração de votos presidenciais. Às oito horas da noite deste domingo (26 out), 94% das urnas já estavam apuradas. E ninguém contestou o resultado. Aécio Neves, visivelmente emocionado, se apressou a reconhecer a derrota. Dilma, quase sem voz, mas entusiasmada, fez de improviso um de seus melhores pronunciamentos.

A presidente reeleita conclamou o país ao diálogo entre todas as forças da sociedade. Mas não citou o adversário nem o seu partido. Disse que recebeu do povo brasileiro o mandato para continuar o programa de governo que o PT vem praticando nos últimos 12 anos. Mas disse ter entendido a voz das urnas: “o Brasil quer mudanças”. Ainda não sabemos quais mudanças serão essas, mas a presidente adiantou que vai começar com uma ampla reforma política, baseada num referendo popular. É a mesma proposta que apresentou no ano passado, durante as grandes manifestações que sacudiram as ruas, uma proposta que o Congresso barrou. Agora, com um capital eleitoral de 54.5 milhões de votos, será capaz de dobrar a resistência dos políticos brasileiros? Fará ela mesma um apelo às ruas?

Aécio Neves reconhece a derrota para o PT.

Aécio Neves reconhece a derrota para o PT.

Fala-se em reforma política no Brasil há décadas. E há décadas o Congresso dá um jeito de engavetar as mudanças. Nossos políticos legislam em causa própria e jamais aprovam leis que possam cair sobre as suas cabeças. Se a presidente estiver realmente disposta a pesar a mão, vai ser um cabo de guerra no Congresso. Mas não vamos esquecer que Dilma venceu não apenas Aécio Neves, tido como candidato das elites, fartamente apoiado pela grande mídia, mas também uma ampla articulação de centro, pontificada por Marina Silva. A vitória dela foi contra tudo e contra todos.

Dilma sai da disputa com a imagem pública reforçada. A mulher que encara qualquer um e bate forte. A militância passou a chamá-la de “Coração Valente”. E o próprio PT reabilitou uma foto da presidente nos tempos de guerrilheira, quando participou da luta armada contra a ditadura. Por coincidência, o jornal O Globo de hoje, um dos mais conservadores do país, publicou uma foto em meia página de Dilma Rousseff, aos 23 anos, sentada no banco dos réus de um tribunal militar. Na foto em que está jovem e bonita. Os juízes, fardados, aparecem de cabeça baixa.

dilma reeleita 04

Aécio Neves encerra a disputa como o homem forte da oposição. Mas a imagem pública dele fica um pouco arranhada. Na reta final da campanha, certo de que ia vencer, teve uma atitude arrogante. Chamou a presidente de mentirosa e leviana, durante debates transmitidos ao vivo pela televisão. Essa postura machista, certamente, custou a ele muitos votos a menos. Especialmente num país onde a maioria dos eleitores é formada por mulheres.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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