A oposição perdeu a eleição. Mas não perdeu o rebolado. Transforma o fracasso nas urnas em vitória retumbante. Os resultados do governo, que sempre estiveram além de 72% de aprovação popular, são apresentados como fracasso inquestionável. A oposição chegou ao desatino de pedir auditoria nas eleições.

Manifestantes pedem a volta dos militares.

Manifestantes pedem a volta dos militares.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em largo artigo publicado na edição dominical de O Globo (2 nov), diz que vai passar um longo tempo até que os acenos de diálogo da presidente reeleita, Dilma Rousseff, possam ser levados em conta. FHC garante, com o resultado apertado das urnas, que o país não vai aceitar uma pauta política impositiva. Enquanto isso, os cronistas em geral discutem o país dividido pela votação de 26 de outubro. Arnaldo Bloch, de pena leve, escreveu que uma mocinha de classe média, “com cara de nojo”, assegura que Dilma venceu por causa das “empregadinhas domésticas, do porteiros e dos nordestinos”.

Um depoimento no Facebook, gravado em vídeo, mostra uma loura que nos informa que vai deixar o país e morar na Holanda. A garota diz que tem posses e pode residir no exterior, onde o pai dela já mora. Irritada, tropeçando no vernáculo, nos informa que o PT vai transformar o Brasil em Cuba ou em Venezuela. E conclui: aqui só vão ficar os pobres. No último sábado (1 nov), um protesto na Avenida Paulista reuniu 3 mil pessoas que pediam o impeachment da presidente Dilma, por causa das denúncias de corrupção na Petrobrás. Entre os manifestantes, algumas faixas exigiam: “golpe militar já!”. O sábio Luís Fernando Veríssimo, também num artigo de O Globo, escreveu, resumidamente, o seguinte: havia chegado de viagem, após as eleições, e não entendia o que estava acontecendo no país das maravilhas, o Patropi.

E o que está acontecendo no Patropi. Rigorosamente, nada. A presidente eleita “pelas empregadinhas, os porteiros e os nordestinos”, como se ela não tivesse obtido metade dos votos do “Sul Maravilha”, saiu de férias. Foi descansar com a família  – acreditem – numa base militar na Bahia. Se ela estivesse sob ameaça de um golpe, teria se rendido. Aécio Neves, o oponente, sumiu, deixando para FHC a árdua tarefa de comandar a oposição. A base aliada mercantil do governo, já se rebelou, em busca de cargos e privilégios. Nenhuma novidade. Conhecemos esses caras desde o fim do Império. E esse Império, aliás, não é a novela da TV Globo – é o regime espúrio surgido com a “independência” do Brasil. Foi quando o Rei Dom João VI, de volta à Europa, sugeriu a seu filho, o Príncipe Pedro I, que desse um jeito nessa bagunça chamada Brasil. O resto é pura maracutaia.

Ah, sim: para concluir. Um advogado do PSDB, coordenador jurídico da campanha de Aécio Neves, entrou com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que fosse realizada uma “auditoria” nos resultados das urnas eletrônicas, insinuando que poderia ter havido alguma fraude no resultado. O ministro encarregado de examinar o pedido mandou que ele fosse catar um coco. Nada de novo. Esse é o nosso paizinho de sempre. Quente e úmido. Mas com uma seca atroz no sul e no sudeste.

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