“Araguaia – Histórias de amor e de guerra” começa a ser distribuído às livrarias de todo o país. No dia 10 de novembro haverá noite de autógrafos na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

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O novo livro do jornalista Carlos Amorim, que trata da luta armada no Sul do Pará durante o regime militar, já está sendo distribuído pela Editora Record às livrarias de todo o pais. A obra traz uma visão nova sobre o conflito, com depoimentos, documentos da época e um encarte de fotos, alguns dos quais nunca chegaram ao conhecimento da opinião pública. A guerrilha nas matas da bacia do Rio Araguaia, entre Maranhão, Pará e Goiás (hoje Tocantins), de 1966 a 1975, foi o maior e mais feroz evento de resistência contra a ditadura. No entanto, é o episodio menos conhecido. Para enfrentar o núcleo guerrilheiro comunista no Araguaia, organizado pelo PCdoB, as Forças Armadas realizaram a maior mobilização de combate desde a Segunda Guerra Mundial, empregando um efetivo estimado entre 10 e 15 mil homens.

O movimento armado do Araguaia foi duas vezes maior do que a guerrilha do Che Guevara na Bolívia, com consequências ainda mais graves. Até hoje não se sabe quantas pessoas morreram nos combates entre guerrilheiros e militares, sendo que o número de feridos jamais foi contabilizado. Até agora há dezenas de desaparecidos, incluindo moradores e lavradores pobres. Mesmo tendo como ponto de partida um projeto político equivocado, que continha erros lamentáveis de interpretação da realidade brasileira, o movimento guerrilheiro se transformou na maior ameaça enfrentada pelo regime militar.

O primeiro militar morto em combate.

O primeiro militar morto em combate.

“Nunca tive a pretensão de contar a história completa da guerrilha, por que isso é impossível” comenta o autor. “A luta armada naquela região se deu durante o período mais radical da censura: o país não ficou sabendo o que estava acontecendo nas matas – e todos os documentos oficiais foram considerados ultrassecretos e mais tarde destruídos pelo regime”, acrescenta Carlos Amorim. “Dei ao livro o título de histórias de amor e de guerra porque já sabia que não conseguiria contar uma história acabado sobre a guerrilha”. O jornalista diz mais:

_ Em dez anos de pesquisas, pude verificar que houve violência e crimes de parte a parte. Foi uma guerra suja: os guerrilheiros mataram moradores locais e podem ter executado seus próprios companheiros; os militares conduziram uma campanha de extermínio, cortando cabeças e deixando corpos insepultos. Também observei que houve bravura e sacrifícios em ambos os campos da batalha. Aquilo lá foi um pesadelo em meio à beleza da Amazônia.

Carlos Amorim recebeu duas vezes o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. É autor da primeira trilogia sobre violência urbana, crime organizado e terrorismo no Brasil. “Araguaia – Histórias de amor e de guerra” (Ed. Record, 504 páginas) tem apoio da Livraria Cultura, da Ordem dos Advogados e da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro. O prefácio é de Palmério Dória, com comentários de José Antônio Severo.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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4 respostas para “Araguaia – Histórias de amor e de guerra” começa a ser distribuído às livrarias de todo o país. No dia 10 de novembro haverá noite de autógrafos na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

  1. Alan Souza disse:

    Tem previsão de lançamento aqui em Brasília? Não deixe de colocar no blog se vier lançar por aqui!

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  2. Muito bom imperdível…vou ler!!!

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  3. Maria Madalena Magalhães. disse:

    Bom dia, pensei que ia ser noticiado antes da data de hoje, queria ter ido pessoalmente buscar o livro, da mesma forma que queria conhece- lo, mas só vi agora pouco na BAND, sinceramente enquanto estaria no local iria ler, pois queria saber de quem foi os depoimentos e como foram fragmentados, pois os que li até agora são todos fragmentos da realidade, estive no Araguaia na época e ainda tenho contatos com muitos dos lugares: agora ficaria agradecida de fosse possível me enviar via correio pagarei aqui no ato de entrega, espero que seja autografado ficarei grata. Abraços M Madalena.

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