Ataques da coalizão árabe-ocidental contra o ISIS não impedem crescimento do terror e o avanço das tropas radicais islâmicas na Síria e no Iraque.

Militantes do ISIS no Iraque;

Militantes do ISIS no Iraque;

Ao completar três meses, os ataques aéreos da coalizão árabe-ocidental contra o ISIS (o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, em inglês), que reúne mis de 40 países, não foram suficientes. Foram realizadas mais de 700 missões de bombardeio nas áreas ocupadas pelos rebeldes nos dois países. O grupo islâmico radical, que já instituiu um Califado do Levante, com dezenas de milhares de quilômetros quadrados, entre a Síria e o Iraque, combatendo em uma centena de cidades e vilas, não dá o menor sinal de ter sido abalado pelos ataques de aviação. Os principais alvos da ofensiva foram refinarias de petróleo, por meio das quais o grupo teria obtido a quantia de 13 milhões de dólares/dia com a venda clandestina de combustíveis para os países vizinhos. Os alvos secundários seriam campos de treinamento de novos militantes islâmicos.

O líder do ISIS, califa al-Bagdadh.

O líder do ISIS, califa al-Bagdadh.

A mídia ocidental garante que uns 300 integrantes da organização terrorista foram mortos nesses ataques. No entanto, essa mesma mídia dá conta de que o ISIS dispõe de 15 mil combatentes estrangeiros: 5 mil britânicos, 3 mil franceses, 500 norte-americanos e o restante de várias partes do mundo, inclusive com a suspeita de alguns latino-americanos e até brasileiros. O fato é que, mesmo com tamanha pressão, o ISIS avança sobre o território iraquiano e ameaça a sobrevivência do governo de Assad na Síria, uma ditadura impiedosa. A coalizão árabe-ocidental, liderada pelos Estados Unidos, armou e treina a etnia curda, na fronteira entre a Turquia e o Iraque. E a CIA está enviando armas e equipamentos de comunicação e vigilância eletrônica para um suposto grupo rebelde independente na Síria. Cerca de 1.500 instrutores militares americanos estão no Iraque. Nada disso parece bastante para conter a ofensiva do ISIS. E a Turquia se prepara para uma guerra total.
O grupo terrorista dá o troco com um terror inimaginável: matança de minorias, crucificações, decapitações e outras atrocidades. Recentemente, num episódio de pura barbárie, realizaram diante de câmeras a execução coletiva de militares sírios capturados. Entre os algozes, que não usavam máscaras e portavam facas, os órgãos de inteligência ocidentais identificaram ingleses e franceses. O ISIS pretende atrair os “infiéis” para um guerra total na região, cumprindo o que seria uma secular profecia do Islã. Em Washington, os líderes militares americanos declaram publicamente, contrariando a vontade do presidente Barak Obama, que seria necessário enviar uma força militar de 80 a 100 mil homens, em terra, para derrotar o ISIS.
É tudo o que eles querem.

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Uma resposta para Ataques da coalizão árabe-ocidental contra o ISIS não impedem crescimento do terror e o avanço das tropas radicais islâmicas na Síria e no Iraque.

  1. José Antonio Severo disse:

    As ações militares do Ocidente e de países do Golfo Pérsico contra alvos do Califado indicam de os governos não pretendem agir diretamente contra os terroristas islâmicos e seus aliados insurgentes iraquianos. Embora não se fale abertamente, parece que se pretende apenas manter sobre controle o levante sunita, litado no terreno e no alcance. O apoio aéreo visaria unicamente dar alguma superioridade tática aos cursos que combatem contra os fanáticos do califado. O objetivo estratégico é manter u87m máximo de militantes islâmicos ocidentais fora da Europa, Estados Unidos e Austrália, onde eles têm causado preocupações reais às autoridades nacionais desses países.
    Neste sentido chama à atenção a retomada das degolas filmadas de prisioneiros ocidentais. No entanto, a execução desses alvos não causa o mesmo efeito da morte de jornalistas, que foram as vítimas que deflagraram as reações nos países que se engajaram na luta contra o EI (Estado Islâmico).
    Os militantes do Califado da Síria Iraque e Levante (ESIL) degolaram dois jornalistas iraquianos, ambos de confissão xiita, Mohamad al-Alidi, da agência Sada, em Mossul, e Raad Mohamed al-Azzawi, cinegrafista da TV Sama Salah Aldeen, em Samarra. Segundo da porta voz da ONG Repórteres sem Fronteiras, Lucie Morillon, foi mais um ato para abalar a opinião pública, desta vez o procurando horrorizar o público interno da comunidade médio-oriental.
    Os jihadistas já perceberam que a violência contra jornalistas produz efeitos aterrorizantes e leva a mídia a insuflar os governos a agir contra os criminosos. É justamente este o objetivo, puxar a repressão de seus antagonistas mais notórios, cristãos e muçulmanos xiitas. Com isto, buscam atrair apoios nas massas sunitas e recur5sos financeiros de crentes endinheirados, como os emires do petróleo da Península Arábica, que até agora vêm sustentando a guerra do califado em territórios do Iraque e da Síria.
    A matança de jornalistas ocidentais revelou-se um instrumento eficaz para produzir terror entre nas opiniões públicas de seus países natais, alcançando o objetivo de produzir repulsa a ponto de obrigar os governos dessas potências, principalmente Estados Unidos, França e Inglaterra, a intervir diretamente no conflito (também há pequenos destacamentos de outros países da OTAN).
    O Califado pretende com isto atrair tropas cristãs para a luta em terra, para o confronto direto, esperando com isto aglutinar o engajamento dos povos muçulmanos contra os “cruzados”, que é a figura do inimigo comum. Não é de espantar que no manifesto para justificar o degola do americano invocassem o combate a Roma, a matriz da cristandade. No entanto a tática não está dando certo porque nem os países cristãos, nem as monarquias sunitas e, tampouco, o governo xiita de Bagdá se deixaram enrolar na armadilha. O efeito é contrário, pois os sunitas do Golfo Pérsico condenam e atacam militarmente os jahiadistas, o governo iraquiano evita colocar tropas xiitas na frente de batalha e os ocidentais agem de longe, mandando bombas do altos e mísseis disparados de seus navios contra alvos escolhidos.
    A degola dos jornalistas xiitas não teve nenhuma repercussão no ocidente, mas teve um efeito semelhante à morte dos americanos, ingleses e franceses nas comunidades xiitas. A mídia das regiões controladas por essa seita abriu a boca, as redes de tevês protestaram com o m esmo ímpeto das cadeias norte-americanas. Entretanto, tal como nos países cristãos, os governos xiitas não se deixaram envolver e se abstiveram de mandar tropas para a frente.
    Enquanto isto os estados da região vão se alinhando numa frente comum contra o terrorismo desvairado. É muito significativa a aproximação do Irã, revelada, entre outras, numa reportagem do correspondente do Estado de S. Paulo em Genebra, Jamil Chade, que deu na época um furo jornalístico mundial que ainda não foi devidamente repercutido na imprensa internacional. Nessa matéria o presidente do parlamento do Irã, deputado Ali Larijani, diz, em declarações ao Estadão, que tão logo se chegue a um acordo do impasse nuclear, o Irã entrará no bloco de combatentes contra o Califado. A data para a assinatura de um protocolo neste sentido é 24 de novembro. Portanto, faltam poucos dias, embora já se preveja um adiamento desse prazo. Da mesma forma, a Rússia, outro país às voltas com insurgent4es muçulmanos, já se propôs a cooperar limitadamente, engajando-se num esforço de inteligência (espionagem) e dar ajuda ao combate ao Estado Islâmico. Falta pouco para se fechar um cerco.

    O objetivo de neutralizar a política dos governos cristãos de não intervirem diretamente, circunscrevendo suas ações a apoios limitados, fornecendo armas e força aérea aos governos do Iraque e da região semiautônoma do Curdistão. Sem a presença direta e ostensiva dos infiéis, o levante do Califado tende a se limitar a uma guerra civil entre seitas muçulmanas, suprimindo a legitimidade dos jihadistas.
    Então vejam as vítimas expostas para execução: primeiro os anglo saxões, depois árabes os não sunitas do próprio Iraque. Embora os dois últimos, os repórteres iraquianos não tivessem a mesma divulgação no Ocidente que os jornalistas norte-americanos e europeus, a degola de profissionais de imprensa da região do Oriente Médio cobertos pelas redes de tevê a cabo de língua árabe também teve efeitos. Matar jornalista dá Ibope, muito mais que cidadãos comuns, haja vista que as execuções de voluntários das ONGs humanitárias não tiveram a mesma repercussão que a morte dos repórteres, tanto no Ocidente como na região.

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