A resposta do ISIS à mobilização contra o terror foi filmar uma criança executando a tiros dois reféns russos. A mensagem foi muito clara: eles não têm medo e até as crianças podem lutar.

O menino-carrasco do ISIS, ao lado de um terrorista.

O menino-carrasco do ISIS, ao lado de um terrorista.

Mais uma cena terrível de execução de reféns, registrada com câmeras e divulgada na Internet. Só que dessa vez os rebeldes do ISIS usaram uma criança aparentando 10 ou 11 anos para matar os prisioneiros. O garoto mostrava o rosto e não parecia muito impressionado com o que iria fazer diante das câmeras. Pelo que foi possível perceber pelas imagens, o pequeno carrasco portava uma pistola Glock de 9mm. Ao lado dele havia um homem com uniforme de combate, que discursou em árabe. É claro que não entendi o texto do jihadista. Mas a mensagem foi bem clara: até as nossas crianças podem enfrentar vocês.

Crianças armadas no Oriente Médio.

Crianças armadas no Oriente Médio.

Nos conflitos do Oriente Médio, crianças armadas não são uma novidade. Mas apresentar ao mundo um menino matando prisioneiros indefesos foi – de fato –  um episódio estarrecedor da propaganda política dos extremistas islâmicos. Mesmo com a mobilização global da opinião pública contra o terror, após os ataques em Paris, o  ISIS não dá a menor pista de que vá recuar. Ao contrário, continua avançando nos campos de batalha da Síria e do Iraque. E o tom das ameaças só faz aumentar.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
Esse post foi publicado em Politica e sociedade. Bookmark o link permanente.

3 respostas para A resposta do ISIS à mobilização contra o terror foi filmar uma criança executando a tiros dois reféns russos. A mensagem foi muito clara: eles não têm medo e até as crianças podem lutar.

  1. Alan Souza disse:

    Qualquer que fosse a causa do ISIS, tornar uma criança em carrasco é bestial. Não há justificativas que bastem. Assim o ISIS se coloca vários pontos de selvageria acima de seus inimigos, não deixando dúvidas de quem é o pior nessa estória…

    Curtir

    • Carlos Amorim disse:

      Alan,
      seu comentário foi perfeito. O que o ISIS pretende é uma confrontação global. A propaganda do terror é mesmo destinada a chocar e intimidar.
      Continue participando.
      abs
      Camorim

      Curtir

  2. José Antonio Severo disse:

    Quando o Boko Haran, o grupo jihadista nigeriano, manda uma menina em vez de um homem como bomba humana explodir-se num alvo, está fazendo um ato político e militar significativos. Não levem o que vou dizer para a galhofa, porque é verdade: explodir uma menina que ainda não teve sua menarca é menos grave, na cultura local, que fazer um homem ou mulher adulta martirizarem-se. A menina ainda infértil, vendida pelos pais para a missão, tampouco se imolou, como o fazem os voluntários Ela foi detonada à distância. Militarmente falando, era uma forma insuspeita de se aproximar do alvo, tal como um avião invisível da Força Aérea norte-americana que chega imperceptível ao objetivo sem ser detectado por radares. A menina pobre, como se viu nas imagens da câmara de segurança, não poderia ser notada. Um ser feminino e infantil naquela cultura é tão desprezível que não merece nem mesmo levantar suspeitas. Assim ela explodiu. Na sua inocência, não saberia o que estava para acontecer, diferentemente dos homens-bomba, que sabem perfeitamente o que estão fazendo. Ela foi protegida pela diversidade cultural e imolada como se fosse um artefato, uma bomba caseira. Qual será seu prêmio quando chegar ao Além? Nem mesmo isto está prevista. Pobre menina quem nem merece a glória do martírio.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s