Roma autoriza extradição de Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil, condenado no “mensalão”. Mas a vinda dele para o Brasil agora depende de um decreto do governo italiano, coisa muito difícil de acontecer.

Pizzolato, em depoimento ao Congresso.

Pizzolato, em depoimento ao Congresso.

O Tribunal de Apelação de Roma anunciou, nesta quinta-feira (12 fev), que o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil deve ser extraditado para o Brasil. A sentença da corte superior foi divulgada junto com a informação de que caberá ao Ministério da Justiça daquele país dar a palavra final. Ou seja: uma decisão política. E pouca gente acredita que isto vá acontecer, porque o governo italiano terá a oportunidade perfeita para dar o troco no Brasil, que se recusou a extraditar Cesare Batisti anos atrás, condenado em Roma à prisão perpétua por quatro homicídios e terrorismo. Naquela ocasião, o presidente Lula disse que Batisti era um condenado político, concedendo a ele refúgio no Brasil.

O passaporte falso.

O passaporte falso.

Já o nosso Henrique Pizzolato foi condenado a 12 ano e 7 meses de prisão, além de multa de 1,3 milhão de reais, por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. A sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) foi anunciada no dia 15 de novembro de 2013, quando Pizzolato já havia fugido do país, usando um passaporte falso em nome do irmão dele, já falecido. Foi acusado de falcatruas milionárias. Escondeu-se numa vila italiana próxima a Módena, mas foi preso. Ficou em cana nove meses e foi libertado, porque o tribunal local não concordou em mandá-lo de volta ao Brasil. Os juízes italianos aceitaram a tese da defesa de que o sistema prisional brasileiro é desumano e não garante os direitos fundamentais dos encarcerados. E Pizzolato é cidadão italiano.

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A procuradoria brasileira conseguiu demonstrar para a corte de apelações romana que há no Brasil alguns presídios à altura de um sujeito como Pizzolato. Como estamos cansados de saber, a massa carcerária em terras tupiniquins vive sufocada pela superlotação, a violência e a quase total falta de direitos. Mas isso é coisa para pobres, pretos e favelados. Bandido rico e chefe de facção criminosa tem cela especial e boa acolhida.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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  1. José Antonio Severo disse:

    A decisão da justiça italiana de conceder a extradição do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizolato ratifica uma posição importante do Supremo brasileiro que não admite a qualificação de crimes políticos ou simplesmente eleitorais dos dirigentes partidários envolvidos no processo. Essa condição de condenados políticos é reivindicada pela militância do Partido dos Trabalhadores para seus três dirigentes condenados, José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares. Os demais condenados, tanto políticos de outros partidos como os operadores técnicos não têm essa cobertura moral de seus correligionários.
    O que se deve ressaltar nestes casos, como também no Petrolão, é que, descontadas as apropriações pessoais dos envolvidos, a grande massa de recursos desviados seriam destinados às campanhas políticas dos partidos. Isto é verdade. A legislação eleitoral brasileira é restritiva, criando grandes dificuldades às captações de recursos para campanhas, num moralismo até agora inconsequente, pois os custos das lutas eleitorais não podem se dar nesses limites.
    As campanhas são caras e continuarão assim enquanto não mudar o sistema eleitoral. O que atrai somas gigantescas para as campanhas não são os partidos, mas um sistema de democracia de massa e de voto universal, tendo como cliente um eleitorado de mais de 140 milhões de eleitores. É ingenuidade, ou hipocrisia, acreditar que restrições legaiss, como a do financiamento público, irão limitar os gastos. O que cria a demanda de gastos não é a quantidade de dinheiro à disposição das campanhas, mas a necessidade de recurso real para cobrir todo o eleitorado votante.
    Este sistema amplo e universal é caríssimo e desperdiçante. Quem não tiver dinheiro não ganha eleição. Outro sistema, como votos distritais e outros limitadores do espaço de captação de votos, pode isto sim reduzir a demanda de recursos. A limitação geográfica, a redução do número de candidatos, o controle da participação de minipartidos e outras distorções seriam formas de reduzir a fome de recursos.
    Pizolato, como os demais, seria uma vítima desse sistema se, como é o caso de José Genoíno, comprovadamente pobre, se ficasse límpido que só foram agentes de um dever cívico. Isto, no entanto, não elimina a culpa penal, pois a legislação não diferencia os ladrões dos captadores ingênuos. A verdade é que este tipo de ação, dizem as justiças do Brasil e, agora, da Itália, é crime comum e não político, como querem alguns militantes partidários.
    Outra explicação menos edificante é que aos políticos e operadores eleitorais interessa esse sistema ambíguo de leis restritivas e necessidades gigantescas de recursos. Com isto cria-se o caixa dois, que pode ser um instrumento para que essa pessoas, em nome das necessidades eleitorais de seus partidos para botarem a bufunfa no próprio bolso. Aí, então, não dá para discutir nestes termos de propósitos elevados que me animam neste comentário.

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