A classe média foi às ruas: 1,5 milhão de pessoas protestaram contra a corrupção, Dilma e o PT. A maior manifestação desde as “Diretas Já”. O governo respondeu timidamente, prometendo um pacote de medidas contra a corrupção, o mesmo de 2013. A maioria dos políticos é contra.

Um milhão de pessoas na Avenida Paulista.

Um milhão de pessoas na Avenida Paulista.

A presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso, nesta terça-feira (17 mar), um pacote de medidas contra a corrupção. A pressão das ruas obrigou a desengavetar o projeto, previsto desde as grandes manifestações de 2013. A presidente fez discursos, deu entrevista coletiva e mobilizou o ministério para dar explicações. Um desses ministros, aliás, cometeu o erro de declarar que aqueles manifestantes eram pessoas que não votaram no PT. Óbvio, não? Mas isso não apaga o significado político do protesto gigantesco: ninguém aguenta mais o espetáculo de corrupção no país.

Curiosamente, a maior manifestação oposicionista não contou com os líderes da oposição. Aécio Neves, por exemplo, postou um vídeo estimulando o povo a sair às ruas. Mas ele mesmo não foi. Como explicar? É fácil. O povo está cheio dos políticos em geral, que considera um bando de ladrões. A oposição não apareceu porque temia ser hostilizada, vista como farinha do mesmo saco. Nos protestos só havia o verde e amarelo e a bandeira do Brasil. Famílias inteiras estavam nas passeatas convocadas pelas redes sociais, mostrando o poder do mundo virtual sobre os meios de comunicação tradicionais. Os políticos viram pela TV.

Protesto sem políticos e sem partidos.

Protesto sem políticos e sem partidos.

O pacote contra a corrupção prevê pelo menos duas medidas duríssimas: confisco e venda pública dos bens adquiridos com dinheiro ilícito (como já acontece com o tráfico de drogas) e a transformação da corrupção em crime hediondo. O projeto também pretende acabar com o financiamento empresarial de campanhas políticas, que sempre foi a principal fonte de desvios e desmandos na história da República. Tudo isso, porém, depende do Congresso para virar lei. É aí que o bicho vai pegar: a maioria dos políticos – uma casta privilegiada em nosso país – é contra.

Como desatar esse nó? Só com uma gigantesca pressão das ruas. E já está marcado um novo protesto para o dia 12 de abril. A divulgação do relatório preliminar da “Operação Lava-Jato” pôs mais lenha na fogueira: 485 pessoas e empresas investigadas, entre as quais as maiores empreiteiras do país e os presidentes das duas casas legislativas; dez bilhões de reais desviados.

Anúncios
Esse post foi publicado em Politica e sociedade. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s